29 dezembro, 2006

Um Deus que não é mãe é um Deus sem sentido

Por Maria Newnum

Uma imagem fala mais que mil palavras... Sinta essa imagem...

Para uma mulher criada por uma mãe que cumpriu o papel do pai ausente para 4 filhas, essa imagem é de fazer chorar.

Como tantas meninas, meu referencial de pai veio de minha mãe, uma mulher cujo nome também é Maria - Josefa Maria - Maria, como eu e como a mãe de Jesus.

Quando criança, recordo o martírio que era os festejos do "dia dos pais" na escola e na igreja. Com o tempo me chegou Bíblia e com ela o entendimento de Deus, não como Pai, mas como mãe. Na adolescência me lembro do Deus da Bíblia que como uma galinha, acolhia seus pintainhos sob as asas... - Mateus 23:37. Eu adorava quando o padre pregava sobre essa passagem. Saía da igreja me sentindo filha de um Deus que me amava e me cuidada igualzinho minha mãe. Tenho certeza que veio daí minha confiança no Deus do cristianismo. Não poderia confiar num Deus apenas macho, como meu pai. Tinha aprendido que o pai abandonava suas filhas, que não cuidava delas. Antes de conhecer o Deus-mãe, isso com 11 anos, havia decidido não casar, nem ter filhos. Era pé no chão, não iria correr riscos.

Quando vejo a abominação que alguns religiosos têm da imagem de Deus como Mãe, essas lembranças voltam. Felizmente tenho as lembranças do encontro com o Deus-Mãe. Todavia me preocupa as meninas que ainda não o encontraram. Quantas ainda têm a figura do pai violento que as abusam ou abusaram sexualmente? Dos que as abandonaram? Dos que dizem que elas não prestam para nada? Dos que a renegaram no nascimento por serem meninas e não meninos?

Minha mãe, uma mulher simples, sem estudo e que nos criou trabalhando de boa-fria, conta que no nascimento meu e de minhas irmãs, nosso pai ao chegar em casa e constatar que não éramos meninos, diziam que podíamos ter nascido mortas. Ele não era uma pessoa má, era pobre ignorante e machista. O fato é que crescemos com essa carga de rejeição paterna e não fomos as primeiras nem as únicas. O mundo está cheio de meninas cujo sentido de um Deus só significa quando ele se revela na figura de mãe.

Enquanto religiosos insistem na figura exclusivamente masculina de Deus, meninas e mulheres, meninos e homens permanecem órfãos; mesmo que muitos nem tenham consciência disso.

Quer aceitem ou não os religiosos, a essência materna está impregnada na raça humana. Os que renegam esse fato demonstram falência de capacidade de anunciar um Deus que é masculino e feminino. O lado feminino de Deus remete ao afago de mãe que consola, cuida e perdoa até mesmo aos maiores pecados que cometemos.

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