01 maio, 2018

Expressões da riqueza do culto cristão


PENSANDO A SUA VIDA AINDA EM 2018
Jose Francisco da Silva

O Espírito Santo unge homens e mulheres para administrarem a Igreja e todo bem e processo que Lhe pertence; por isso não nos cabe transferir ("empurrar") para Ele a nossa tarefa.

 Quando administramos mal nada tem a ver com Deus, pois Ele não erra nem investe errado em ninguém. Haja vista a parábola dos talentos, a um foi confiado cinco, a outro três e a outro um; vemos que aquele senhor da parábola não interferiu na administração; também não teve culpa no fato de um administrar mal.

 Assim cremos que se o Espírito Santo quisesse administrar, o fazia sozinho; se preferiu investir em homens e mulheres é porque temos um papel a desempenhar nesta área. Por isso não cabe a conhecida frase: "Eu vou fazer assim do meu jeito), mas o resultado é com Espírito Santo".

Lembramos a todos que lá em Jerusalém, para tomar uma decisão eclesiástica importante, os apóstolos reuniram-se e consultaram, antes, e veio a decisão: "Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo, e a nós, não vos impor mais encargo algum..." (Atos 15.28); indicando que o Espírito é ouvido primeiro.


Estratégia e benevolência humana sem a direção prévia de Deus é sinônimo de fracasso, e nisso Deus não tem culpa. Desejo santo Juízo a todos.

23 novembro, 2011

Por que sou um metodista?

Estive pensando nesta pergunta durante algumas semanas. Diante dos atuais acontecimentos, que vêm de longa data, o que me faz prosseguir nos caminhos do metodismo? Bem...teria que retornar ao ano de 1993, ano em que me tornei membro da Igreja Metodista, para responder a essa pergunta e responder a uma outra pergunta: Por que eu desejei ser um metodista?
Naquela noite de quinta-feira de junho de 1993, na Igreja Metodista em Santo Agostinho, Volta Redonda, depois de ouvir um sermão bem elaborado por um leigo, onde pude, mesmo sendo visitante, reconhecer cada parte do sermão e a idéia central do texto, ao som do hino de nº 377 (Confiança em Cristo), senti uma verdadeira paz e uma alegria por estar ali. Estava conhecendo um culto metodista. E onde ao final do culto as pessoas se aproximavam de você e desejavam uma boa noite e um “volte sempre que quiser!” E...eu voltei! E fui conhecendo aquela Igreja que alguns evangélicos diziam ser uma Igreja fria ou uma “católica melhorada”. Não dei muita atenção, porque aprendi com meus pais que juízo de valores não deve ser considerado e além do mais, eu gosto de ter a minha própria opinião. Tudo que diziam era um amontoado de preconceito!Algo típico da mentalidade evangélica brasileira atual!

Desejei ser metodista porque eu via nos cultos uma reverência a Deus que me impressionava! Via alegria, mas também “tudo com ordem e decência!” (I Coríntios 14.40).

Desejei ser metodista porque a criança tinha seu espaço na vida da Igreja, participando dos sacramentos da Ceia e do Batismo!

Desejei ser metodista porque era uma Igreja onde a tolerância e o dialogo sobrepunha o sectarismo e as ofensas..

Hoje eu olho a Igreja e me pergunto: Onde está aquela Igreja que conheci? Será que todas aquelas posturas cristãs estavam erradas? Será que eu estou errado em desejar que a Igreja Metodista seja Igreja Metodista?

Onde está a ordem e decência no culto? Muitas vezes deram lugar aos modismos e “coisas” (fogo estranho?) estranhas!

Onde está o espaço da criança? Temo que suma em breve, pois têm pastores (as) metodistas que já não batizam crianças e nem oferecem a Santa Ceia a elas.

Onde estão os sinais visíveis da Graça de Deus? O merecimento é tantas vezes maior que a misericórdia de Deus sobre o pecador!

Onde está a tolerância e o dialogo? Ainda mantenho a esperança de que estão apenas escondidos, mas logo se revelarão!

Mas por que insisto em ser Metodista? E ainda pastor?

Porque acredito que a Igreja Metodista é onde Deus deseja que eu esteja...e porque “importa obedecer a Deus do que os homens” (Atos 5.29). E que no fundo, meus colegas pastores e pastoras, sabem que o movimento metodista é um soprar do Espírito, não se sabe de onde vem e nem pra onde vai, mas sabem quem está soprando! Isso é fascinante!


Pr. Antonio Carlos Soares dos Santos – Volta Redonda

16 setembro, 2011

Site da Igreja Metodista de Vila Isabel publica os 2 volumes do livro "Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro" como preparo da celebração dos 50 anos da Conferência do Nordeste, em julho de 2012

Abaixo alguns links do material que já está disponível no site.


A Conferência do Nordeste - Livro 1: As crônicas
Já está integralmente publicado. Veja em http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricao.asp?n=3

Pequena resenha desse volume 1:
Crônica da Conferência do Nordeste, acontecida em Recife, de 22 a 29 de julho de 1962, que reuniu expoentes das diversas igrejas e segmentos evangélicos Brasileiros, para discutir a temática "Cristo e o processo revolucionário brasileiro". O encontro, presidido pelo metodista Almir dos Santos, foi promovido pelo Setor de Responsabilidade Social da Igreja do Departamento de Estudos da Confederação Evangélica Brasileira. Alguns anos depois o Rev. Almir dos Santos, tornou-se Bispo da Igreja Metodista. Hoje está com o Senhor.

A Conferência do Nordeste - Livro 2: As reflexões e ministrações
Estamos chegando à parte final do trabalho para publicá-lo integralmente no site. Mas enquanto isso não acontece, alguns textos já podem ser lidos e conhecidos no menu "Colunas" ("ZZ Outros Colaboradores ZZ ), entre os quais:

A Igreja e a sua responsabilidade social (Pastor Ernest Schilieper)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1970

Cristo e o processo revolucionário brasileiro (Rev. Almir dos Santos)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1971

Os profetas em épocas de transformações políticas e sociais (Rev. Joaquim Beato)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1972

A revolução do Reino de Deus: Conteúdo revolucionário do ensino de Jesus sobre o Reino de Deus (Rev. João Dias de Araújo)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1974

O artista: servo dos que sofrem (Prof. Gilberto Freyre)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1975

Nesse texto, Gilberto Freyre, que participou da Conferência do Nordeste, já dizia naquele julho de 1962:
O cristianismo evangélico no Brasil já está na vez de se sentir, como cristianismo por excelência bíblica, na cultura brasileira. A influência da Bíblia sobre as gentes britânicas, em grande parte protestante, há quem atribua considerável importância entre as condições que tornaram possível a opulência da literatura em língua inglesa. É uma influência que está por se fazer sentir na arte e na literatura brasileira. A despeito do crescente número de cristãos evangélicos em nosso país, ainda não apareceu o brasileiro de gênio, que nascido evangélico, criado em meio evangélico, identificado com a interpretação evangélica da vida e da cultura brasileira, se afirmasse no Brasil grande poeta ou grande escritor em língua portuguesa, ou compusesse música brasileira, marcada por esta interpretação ou por esta inspiração, ou o arquiteto também de gênio que desenvolvesse para as igrejas evangélicas do trópico, um tipo de arquitetura que não fosse nem a imitação do tipo católico, nem reprodução do protestante anglo-saxônico ou germânico.

É curioso que até agora o cristianismo evangélico só tenha concorrido salientemente para enriquecer a cultura brasileira com insignes gramáticos: Otoniel Motta, Eduardo Carlos Pereira, Jerô-nimo Gueiros. É tempo de o cristianismo brasileiro evangélico ir além e concorrer para esse enriquecimento com um escritor do porte e da flama revolucionária, eu diria também, de Euclides da Cunha; com um poeta da grandeza de Manoel Bandeira; com um compositor que seja outro Villa-Lobos, que componha baquianas brasileiras que sejam interpretação ao mesmo tempo evangélica e brasileira de Bach. Também um caricaturista ou um teatrólogo revolucionariamente evangélico que pela caricatura ou pelo teatro denuncie abusos de ricos que para conservarem um privilégio de classe pretendem se fazer passar por defensores ou conservadores de tradições religiosas ou mesmo do que se intitula as vezes, pomposa e hipocritamente, civilização cristã.


OBS:
A Semana de Estudos Teológicos da Faculdade de Teologia Metodista em São Paulo (FATEO) dias 24 a 28 de outubro será sobre os 50 anos da Conferência do Nordeste.

Inscrições e informações:

http://www.metodista.org.br/conteudo.xhtml?c=11143

12 setembro, 2011

O MUNDO É DOS ESPERTOS... MAS O REINO DE DEUS É DOS BOBOS... (Antônio Carlos S. dos Santos)

Quando Jesus diz que é necessário ser como uma criança para entrar no Reino de Deus, ela está falando de características que julgamos bobas neste mundo... Ora, só um bobo apanha em uma face e oferece a outra para bater... só um bobo caminha dois quilômetros quando se pede para caminhar apenas um... somente um bobo se pedirem a carteira dá também o tênis, sapato ou a camisa... Somente um bobo confia que seus amigos não o abandonarão no pior momento da sua vida...

O que Jesus pede aos seus discípulos é isso: Não seja esperto, seja bobo...seja ingênuo...não leve a vida na esperteza... não faça os outros de bobos... seja você um bobo... não acumule dinheiro no “mundo dos espertos”, acumule graça e misericórdia diante de Deus.

Bobo é aquele que ainda acredita que o mal pode ser vencido com o bem. Bobo é aquele que mantêm suas convicções mesmo quando dizem: “Deixa de ser bobo! Todo mundo faz”! Isso é o que mais motiva o bobo a deixar de ser bobo e passar a ser esperto, todo mundo faz, todo mundo está se dando “bem”, por que eu não posso?

Só que isso fecha as portas do Reino de Deus para ele e o lança na rotina da "esperteza". O bobo é justamente aquele que não negocia sua consciência, porque sabe que caráter, não tem preço. Bobo não é burro, nem alienado... Mas é ser o reverso desse mundo “esperto”.

O que traz sofrimento ao bobo é excesso de confiança, o que traz felicidade ao bobo é o excesso de confiança.

Como diria o escritor Caio Fernando Abreu: “Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de a-creditar outra vez”. Por isso e por outras mais que prefiro ser bobo e continuar no fim da fila...

25 agosto, 2011

Igreja, comunidade promotora de humanidade (Pastor Ronan Boechat de Amorim)

Igreja significa reunião.
É, portanto, um grupo de pessoas reunidas pela fé em Jesus.
É a comunidade da fé,
a comunidade dos discípulos(as) de Jesus,
a comunidade das testemunhas do amor de Jesus,
a comunidade dos amigos e amigas de Jesus.

Esses amigos e amigas foram reunidos por Jesus
que chamou seus discípulos(as)
e os capacitou, autorizou e os enviou pelo mundo
para anunciar o Evangelho (a Boa Nova!) do Reino de Paz e justiça,
Promovendo a fé e espalhando o convite de Jesus para um mundo novo.

A Igreja não tem um fim em si mesma. Não vive pra si mesma!
Ela é um instrumento através do qual Deus cuida do mundo!
Por isso os olhos da Igreja devem estar em Deus, de quem é instrumento,
para não esquecer quem é e a tarefa que tem.
Por isso os olhos da Igreja devem estar no mundo ao seu redor,
a quem ela serve em nome de Deus, para não alienar-se dele.

A Igreja existe para promover a vida
num mundo com tanta violência, opressão e morte,
acolhendo, protegendo e fortalecendo os mais fracos,
reunindo todas as pessoas num grande projeto de solidariedade para com as demais pessoas e o meio ambiente;
educando os mais jovens para a tolerância, para a realização de sonhos e a importância de se preservar valores éticos e humanos;
educando os adultos e mais idosos para o acolhimento e respeito aos mais novos, às novas práticas e visões;
educando a todos para generosamente chorarmos com os que choram e nos alegrar com aqueles que se alegram;
e profetizando juízo sobre os que promovem injustiça e violência
e que se enriquecem
com a escravização e exploração do outro.

A Igreja existe para anunciar o Evangelho (a Boa Nova),
para promover a reconciliação e paz entre as pessoas,
para promover justiça e misericórdia, amizade e generosidade.
Para promover humanidade!


24 agosto, 2011

Mosaico (Pr. Nilson da Silva Junior)

Foi lançado há poucos dias o livro “Cristianismos – Questões e Debates Metodológicos” de autoria de André Leonardo Chevitarese. O autor é historiador, professor doutor do núcleo de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro e consultor das revistas Superinteressante e Galileu. Em entrevista ao “Programa do Jô”, da Rede Globo (19/07), comentou que o livro apresenta alguns resultados da pesquisa histórica relacionada à religião e à vida de Jesus. Segundo o autor, os trabalhos demonstram que nenhuma denominação religiosa pode utilizar o cristianismo como motivo para intolerâncias e o ponto central do texto está na questão de que toda percepção religiosa deve ser entendida no plural, por isso, o título utiliza a palavra Cristianismos e não Cristianismo. Chevitarese afirmou que se esse entendimento for aplicado, as relações entre indivíduos podem se tornar bem melhores.

A provocação desta obra é interessantíssima e pertinente, afinal, um dos fatores mais prejudiciais à boa convivência religiosa sempre esteve no entorno de tentar ignorar a existência da pluralidade. Sejam nos pensamentos ou nas tradições, na interpretação ou na contextualização, a religião é um oceano vastíssimo, formado por experiências e conclusões individuais, que quase nunca se repetem da mesma forma, por mais que se tente.

Por isso, tratar Cristianismo como Cristianismos, talvez seja a melhor maneira de entender e aceitar a característica facetada desta religião, que é diversa nos vários países, nas várias culturas e nas muitas denominações. E talvez, uma ação ainda mais contundente seria usar esta percepção para outras áreas da vida, redimensionando questões do cotidiano com a mesma lógica. Por exemplo, poderíamos conceber a existência de ideias, ao invés de ideia, conclusões, ao invés de conclusão, e substituíssemos outras palavras… pensamento, por pensamentos, visão, por visões, ação por ações.

Esta é uma lição infinita que poderia transcender não somente a religião, mas também os costumes, a maneira de interpretar, de falar, de agir. Além do mais, admitir a pluralidade é caminhar em direção ao respeito, a tolerância, a participação, à comunhão. Não há como o mundo ser mundo sem a variedade das cores, formas, raças, opiniões. Ele só será bom e bonito se nos entendermos como um grande mosaico, capaz de formar beleza a partir da individualidade existente em cada um de nós.

Ao olharmos para o relacionamento de Jesus com seus discípulos, nos deparamos com um verdadeiro mosaico. O evangelho de Lucas demonstra que o Mestre escolheu doze homens, “aos quais deu também o nome de apóstolos: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor” (Mateus 6.13-16). Dentre estes, existiam ex-pescadores, um ex-cobrador de impostos, além de outros personagens comuns do povo e, até mesmo um traidor, como destaca o texto. Essa variedade de indivíduos, com histórias, experiências e personalidades diversas, é que compôs o primeiro mosaico cristão da humanidade, que, com seus defeitos e qualidades, nos desafia até hoje na luta da convivência e da religião.

Quem sabe possamos aceitar a indicação do historiador para considerar a pluralidade como parte integrante de nossas vidas. Quem sabe tenhamos a capacidade de imaginar algo maior do que a nossa individualidade e sermos mais receptivos em nossas relações, tolerantes em nossas posições e compreensivos em nossas diferenças.

Rev. Nilson

22 agosto, 2011

Ecumenismo pode ser beneficiado por decisões institucionais, mas não depende delas para acontecer (Pastor Ronan Boechat de Amorim)

Alguns delegados(as) ao último Concílio Geral da Igreja Metodita, reunido em Brasília dias 9 a 17 de julho de 2011, retiraram da agenda do Concílio as propostas para que fosse discutida a revisão da decisão do penúltimo Concílio Geral que determinou a saída da Igreja Metodista dos órgãos ecumênicos onde a Igreja Católica esteja representada.

A retirada da discussão da proposta não foi por medo, nem por impotência ou concordância com a decisão equivocada do penúltimo Concílio Geral, mas pelo clima missionário e de conciliação que tomou conta das 9 sessões desse 19º Concílio de Brasília.

Certamente a discussãodo retorno da Igreja Metodista aos órgãos ecumênicos onde a Igreja Católica também se faz representar seria acalorada e nada fácil.

A saída da Igreja desses organismos ecumênicos não impediu a Igreja e seus pastores(as) e líderes leigos(as) de serem ecumênicos, tanto quanto a presença da Igreja nesses fóruns ecumênicos não promoveu de fato o ecumenismo na base da igreja, nas igrejas locais. Assim, a tal decisão do 18º Concílio não obrigou ninguém a deixar de ser ecumênico e ter práticas ecumênicas, do mesmo modo que o retorno a esses fóruns ecumênicos não obrigaria ninguém a ser ecumênico.

Aqui na cidade do Rio tínhamos há poucos anos atrás reuniões regulares de padres e pastores de várias denominações evangélicas. As reuniões reunião 20 ou pouco mais pessoas para um café, conversas, momentos de oração e construção de amizade, respeito e diálogo. Alguns tiveram a idéia de isntitucionalizar o "movimento ecumênico" numa sub-seção do Conic Rio. E isso aconteceu.

Infelizmente o movimento foi institucionalizado e as reuniões de amigos(as) que aconteciam informalmente deixaram de acontecer.

Para ser da diretoria do movimento institucionalizado no Conic-Rio era, por exemplo, nomeado pelo Bispo da Região, o que é certo. A questão é que deixou de ser movimento, deixou de ser inclusivo, deixou de ser... pois acabou.

Pode parecer simplista e superficial essa análise, mas os metodistas ecumênicos, homens e mulheres, leigos e pastores, precisamos recriar o movimento ecumênico, a prática ecumênica, na vida, no cotidiano, como era na cidade de Duque de Caxias nos anos 80 com o movimento Baixada Livre, liderado pelo Rev. Melchias Silvas, e envolvendo os pastores e a liderança leiga do Distrito num movimento que saía dos gabinetes, dos fóruns, das conversas de uns poucos e virava festa, encontro,celebração, vida ecumênica quotidiana.

Nós ecumênicos precisamos ter práticas ecumênicas e não apenas valores, atitudes e discursos ecumênicos. Precisamos mostrar que o ecumenismo que constrói respeito, diálogo e anúncio, solidariedade e amizade, é algo benéfico para o nosso testemunho e nossa prática evangelizadora.

A divisão da Igreja cristã e a falta de respeito entre denominações, entre grupos de poder, entre segmentos teológicos, e essa prática de falar mal uns dos outros, desqualificando-os como cristãos, é uma vergonha que macula a fé cristã. Pois diante das outras práticas religiosas e dos que promovem o ateísmo, parecemos um "saco de gato" de grupos arrogantes, confusos e que querem ser uns maiores emais certos que os outros. Como se diz por aí, "casa onde todo mundo briga e grita, ninguém tem razão".

Como disse Jesus em João 17, e que foi ampla e explicitamente apontado pelo Bispo Metodista da Igreja do México, a falta de unidade é segundo João 17:21 uma forte razão para que o mundo não creia no Evangelho. A unidade (respeito, camaradagem)é fundamental para que o mundo creia qiue Jesus, o Salvador dos diferentes grupos cristãos, é o Deus Vivo que quer salvar este mundo e a cada pessoa de nosso mundo.

Quero que a Igreja Metodista volte a fazer parte de todos os órgãos e fóruns ecumênicos. Mas desejo, oro e trabalho muito mais para que nossa prática ecumênica não dependa disso.

Teu irmão e tua irmã, estão aí... estenda a mão em amizade e respeito. Há questões doutrinárias e teológicas que não teremos como resolver e superar nesse mundo, ou seja, vamls continuar sendo diferentes, mas podemos nos relacionar respeitosamente, generosamente, benignamente, cristãmente. Vamos continuar com as nossas convicções e certamente em nossas denominações e instituições denominacionais, mas podemos experimentar uma unidade de amor e respeito. É a tal unidade nadiversidade.

"Se o teu coração é igual ao meu, dá-me a mão e meu irmão serás", dito por João Wesley, o fundador do metodismo, continua sendo um desafio para nós, metoditas brasileiros do século XXI.


16 março, 2011

A PRESENÇA DO METODISMO


Bispo Paulo Ayres Mattos (texto adaptado de uma carta escrita quando então Bispo da I Região Eclesiástica aos pastores(as) em 16 de outubro de 1979)

1 - SOMOS IGREJA METODISTA:
Somos Igreja Metodista, ramo da Igreja Universal do Senhor Jesus Cristo. Não somos melhores que as outras igrejas que verdadeiramente cumprem a vontade do Senhor, mas sabemos que somos importantes e que é importante nosso jeito metodista de ser Igreja, nosso jeito metodista de servir a Deus e ao povo que Ele tanto ama.

2 - POR QUE DEUS TERIA LEVADO OS METODISTAS?
Hoje, como na Inglaterra do século XVII de João Wesley, Deus levanta os metodistas para:
- "Reformar a nação, particularmente a Igreja, e para espalhar a santidade bíblica por toda a terra".

3 - NÓS TEMOS NOSSA ÊNFASE PRÓPRIA NO TRABALHO DA EVANGELIZAÇÃO.
A primeira coisa que precisamos saber é que o Metodismo é simplesmente cristianismo prático.

Wesley, e hoje nós metodistas também, entendemos que a vida tem um propósito e um alvo claramente definidos: - como cristãos somos chamados por Deus a viver como Cristo viveu e trabalhou neste mundo para a realização daquele estado perfeito de todas as coisas e relações ( pessoais e comunitárias ), que a Bíblia denomina Reino de Deus.

Participar da sinalização ("construção") do Reino de Deus em nosso mundo, pelo Espírito Santo, constitui-se na tarefa evangelizante da Igreja.

Para o crente isso significa a completa devoção ao Senhor Jesus Cristo e a abertura contínua à ação do Espírito Santo em nós e entre nós. O Espírito Santo produz em nós o fruto do Espírito e suas virtudes ( Gl 5:22-23).

A primeira e mais importante manifestação do Espírito na vida do homem e da mulher é o amor, conforme Jesus nos ensinou ( Mt 22:37-39; Lc 10:25-37; Jo 13:31-35; Jo 15:12-17). Quando amamos intensamente como Jesus amou, não só com palavras mas também por ação (serviço), atingimos aquele estado que Wesley denominou "perfeição cristã", "perfeito amor", "inteira santificação", expressões empregadas para descrever o alvo da vida cristã. Notem que santidade em Wesley é entendida não em termos individuais e moralistas, mas ligados às relações entre as pessoas, isto é, em termos comunitários e sociais.

A Bíblia, afirma Wesley, nada sabe sobre religião individualista e solitária. Para o fundador do movimento metodista, a fé cristã é eminentemente social, pois o amor de Deus não conhece fronteiras. O amor de Deus conduz necessariamente a amar as pessoas, sem qualquer discriminação. O amor a Deus é autêntico e verdadeiro quando demonstrado e provado pelos atos de amor em favor do nosso semelhante (1Jo 2:7-11; 1Jo 3:1-24; 1Jo 4:7-21; At 2:43-47).

A santidade na vida do crente, portanto, tem profunda dimensão social. O amor de Deus nos enche e transborda sobre a vida daqueles que vivem ao nosso redor. Sejam crentes ou não crentes em Jesus. É bênçãos sobre todos (Mt 5:43-44).

Assim a salvação, que é entendida como resultado da ação de Deus, é também o processo pelo qual somos libertados por Jesus Cristo para servir a Deus e ao próximo e para enfim, participar da vida plena do Reino de Deus.

4 - METODISMO: SERVIR POR AMOR
O Metodismo desde sua origem tem tomado o mandamento de amar ao próximo com muita seriedade, afirmando sempre que não se pode separar a religião dos acontecimentos de cada dia, ou seja, a fé em Jesus da vida, dom de Deus. Toda a vida humana em suas múltiplas dimensões estão sob o julgamento de Deus e devem ser transformadas pelo Espírito.

É por isso que, como parte do nosso testemunho cristão, devemos trabalhar para que se possa viver numa sociedade mais justa, através da repartição mais equânime (justa e por igual) da riqueza do país, a fim de que haja casa, chão, pão, roupa, escola, hospital, saúde e trabalho digno para todos e a fim de que haja menos esbanjamentos dos recursos materiais por parte de uns poucos, quando tantos vivem e morrem à mingua, da indigência, de fome.

Lutamos também para que nossa sociedade seja uma sociedade politicamente mais democrática, onde direitos e deveres sejam de todos e para todos. E não como é agora, quando direitos são somente para os ricos e os deveres são somente para os pobres. Onde lei é para proteger os ricos e punir os pobres.

Sensível à ação do Espírito Santo, a Igreja Metodista se reconhece chamada e enviada a trabalhar para Deus neste tempo e lugar onde ela está. É de Jesus Cristo que vem o poder para esta participação. Assim, fazemos uma escolha clara pela vida, manifesta em Jesus Cristo, em oposição à morte e a todas as forças que a produzem.

Este é o amor cristão. Para isto trabalhamos e oramos, ao repetirmos com o Senhor Jesus "Venha o Teu Reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu."