14 outubro, 2006

Verso e Voz — 15 de outubro

Bendito seja o Senhor, que engrandeceu a sua misericórdia para comigo, numa cidade sitiada! Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro. — Salmo 31.21-22

“Não temos outra escolha a não ser viver neste mundo tecnológico; mas somos forçados a encontrar algo que providencie satisfação em outro lugar”. — Jacques Ellul

Perspectives on Our Age, p. 49

Os jovens não são o futuro da Igreja

Oportuno relato do moderador desse blog intitulada "Matéria distorce os fatos e é contestada".

Manifestos, informações e opiniões traduz o caráter democrático da igreja. Contudo, quem falta com a verdade fere o princípio que "o povo chamado metodista" não mente, não calunia e procura sempre semear a paz, ao invés da discórdia.

Os jovens metodistas e católicos merecem parabéns. Ao se manifestarem pacificamente durante a segunda fase do Concilio da Igreja Metodista, deixaram um bom exemplo de ética, respeito, compromisso, amor e acima de tudo, coragem de deixar evidente o repúdio acerca de uma ordem estabelecida que consideraram equivocada. Por não poderem mudar de imediato uma realidade, buscaram fazer o mínimo: Protestar, assinalando que existem, que pensam e que desejam mudanças.

Isso é um sinal que os/as jovens não são, como dizem alguns, "o futuro da Igreja", são a Igreja de hoje e serão a Igreja de amanhã, sem precisar pedir licença para isso, pois a Igreja de Cristo não tem donos.

Quem sabe o renascimento missionário, ético e moral venha das mãos pequenas desse/as jovens...

Que Deus os/as proteja e guie para que continuem nos dando um pouco de esperança e de alegria; coisas que nos faltam nesses dias.

Maria Newnum - Metodista 6aRE- Vice-presidente do Movimento Ecumênico de Maringá

Bispos falam a respeito da questão ecumênica

Concílio Geral - 14/10/2006

A questão do ecumenismo: as palavras de orientação da Bispa Marisa e do Bispo Paulo

“A Igreja Metodista não deixou de ser ecumênica”, frisou a Bispa Marisa, em palavra à plenária. Mas não podemos deixar que as divergências quebrem a fraternidade. “Teremos tempo de amadurecer a questão do ecumenismo, discutir com mais profundidade, ajudar o povo de Deus a ter mais segurança sobre este tema. Somos povo metodista e vamos ter que trabalhar juntos para a glória do Senhor”. O Bispo Paulo Lockmann sugeriu que o Colégio Episcopal estabeleça um grupo de trabalho, com pessoas a favor e contra, para esclarecer a Igreja e a sociedade a respeito das implicações decorrentes da decisão. “Seja o primeiro sinal do Espírito a nossa comunhão em acolhimento, amor e tolerância em nossa vivência fraterna e missionária, como Igreja Metodista”.

Fonte: site oficial da Igreja Metodista

Matéria distorce os fatos e é contestada

Em matéria assinada pelo Pr. Dino Ari Fernandes, publicada no site "Portal dos Metodistas Online", sob o título "Começa com tumulto 2ª fase do Concílio Geral", destacou-se que o culto de abertura da segunda fase do 18° Concílio Geral da Igreja Metodista "ficou maculado ao seu final, devido a uma manifestação de um grupo de pessoas, lideradas por alguns pastores e pastoras - a maioria da 3ª Região, vestidos de preto, com faixas, cartazes e a inscrição: "ESTAMOS DE LUTO", e gritaram ostensivamente no local do culto - em protesto pela decisão da saída da IM dos órgãos ecumênicos."

Completou ainda o Pr. Dino: "A manifestação não parou por aí, pois foi feita com grande alarido, causando indignação aos delegados/as e inúmeros visitantes, não só pela forma agressiva e descortês para com todos, como também quanto ao local, momento, e forma inadequados de fazê-lo."

Contudo, não parece ser essa a versão dos fatos informada na matéria do site oficial da Igreja Metodista, reproduzida neste blog em 13/10/2006, 13:07, inclusive com fotos . A referida matéria, do site oficial, destaca um caráter ordeiro e pacífico da manifestação, na forma de um "protesto silencioso de um grupo de jovens defensores do ecumenismo". "Ao final do culto (...) os jovens cantaram o hino 394 'A excelência do amor' enquanto os/as delegados/as saíam para a plenária: 'Onde houver desconfiança, ai do amor! Pois mostremos tolerância, muitas vezes a arrogância murcha e mata o amor!'"

Nesta data (14/10/2006) o site "Portal dos Metodistas Online" publicou nova matéria a respeito desse assunto, intitulada "Uma nova versão sobre a manifestação ocorrida na abertura da 2ª fase do Concílio Geral", onde são prestados esclarecimentos que contradizem a versão dada pelo Pr. Dino Ari Fernandes, que também é advogado.

Sete jovens da Terceira e da Quinta Região Eclesiásitca, organizadores da manifestação, esclareceram que "o movimento não foi idéia e muito menos liderado por pastores ou pastoras. Não havia camisetas pretas, e sim brancas, com os dizeres: Oikoumene – Estamos em luto(a). Nas faixas existentes não havia a inscrição “estamos de luto”, e não havia cartazes."

No entendimento dos mesmos, "talvez não tenha sido de interesse do autor [Pr. Dino Ari Fernandes] publicar em sua matéria o verdadeiro conteúdo contido na faixa, que dizia: 'Os 79 delegados que votaram contra o ecumenismo, por favor, justifiquem a estes jovens católicos e estes jovens presentes por que nossa Igreja se tornou intolerante? Por que não aceita mais a Igreja Católica?' E uma segunda faixa dizia: 'A Igreja Metodista não tolera mais a Igreja Católica'."

De acordo com o que informaram, bem como, pelo que se pode depreender da matéria publicada no site oficial da Igreja Metodista e das fotos da manifestação, "não houve gritaria ostensiva no local", contratiamente ao que pretendeu fazer crer a matéria divulgada pelo Pr. Dino.

E os manifestantes acrescentaram no esclarecimento a respeito do assunto: "Talvez, o 'grande alarido agressivo e descortês' a que o autor [Pr. Dino Ari Fernandes] se refere tenha sido o cântico do hino 394 – A excelência do amor, entoado pelo grupo ao final do culto enquanto os delegados saíam do templo. Hino que havia sido cantado pelos próprios delegados e que, talvez, cantaram sem prestar atenção e refletir sobre a mensagem do hino."

Da distribuição de folders a respeito do ecumenismo, o grupo informou que "foi uma ótima iniciativa", mas, que não foi idéia dos mesmos, ou seja, haviam outros grupos presentes e mobilizados pela causa ecumênica.

Finalmente, os manifestantes destacaram que procuraram o Pr. Dino Ari Fernandes para pedir esclarecimentos a respeito da matéria por ele publicada, ao que o mesmo teria informado que "o mesmo demonstrou não ter se preocupado em averiguar a veracidade dos fatos ocorridos, pois segundo ele, escreveu conforme o que ouviu de pessoas que o procuraram para comentar o assunto."

É lamentável qualquer tentativa de manipular os fatos e a opinião pública a partir de juízo de valor particular, além do mais, baseado no testemunho de terceiros e não na observação in loco dos fatos pelo próprio autor. Tal atitude é propícia à confundir as opiniões alheias e é bom lembrar que "Deus não é de confusão e sim de paz" (1Cor 14.33). Não fica bem, portanto, tal atitude no meio do Povo de Deus. Cabe em todas as ocasiões, acima de tudo, a recomendação paulina: "fale cada um a verdade com o seu próximo" (Ef 4.25).

A segunda fase do Concílio Geral ocorreu nas dependências da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), em Rudge Ramos, São Bernardo do Campo, SP, nos dias 12-14/10/2006.

Moderador do
Blog Metodistas & Ecumênic@s

Luteranos reforçam compromisso com o ecumenismo

PANAMBI, RS, 13 de outubro (ALC) - A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) tem um claro compromisso ecumênico. Missão não pode ser entendido, pois, como sinônimo de anticatolicismo ou de antipentecostalismo. "Nosso desafio consiste em fortalecer e encontrar novas maneiras de diálogo ecumênico e cooperação entre as igrejas eexpressões religiosas", enfatizou o pastor presidente da IECLB, Walter Altmann.

Esse compromisso está registrado no relatório que Altmann apresentou ao 25. Concílio Geral da IECLB, reunido de 12 a 15 de outubro, em Panambi, cidade localizada a 380 Km ao noroeste da capital. O evento reúne nas dependências do Colégio Evangélico Panambi 95 delegados e delegadas dos 18 Sínodos e 21 convidados, observadores e parceiros de igrejas do Brasil e do exterior.

Existem no país inúmeras pessoas que andam sem rumo, sem fé ou que perderam a fé, "às quais devemos prestar contas da nossa esperança", disse Altmann. A pregação da IECLB não é contra nenhuma outra igreja, "mesmo que tenhamos com elas maiores ou menores divergências doutrinárias, mas é positiva, a favor de Jesus Cristo", enfatizou o pastor presidente, que também é o moderador do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

No relatório, Altmann reportou-se ao Fórum de Missão reunido pela IECLB em Florianópolis, em julho. O Fórum concluiu que a igreja cristã é essencialmente missionária, mas que falta uma cultura de planejamento na igreja e coragem, em muitos Sínodos, de ousar novos caminhos. Ainda assim, a IECLB está presente em 67 dos 125 centros urbanos brasileiros que somam mais de 200 mil habitantes.

O pastor presidente assinala, bem por isso, que o rosto da IECLB está em transição. Ela vive a dupla realidade da perda de membros e do desafio de acolher os novos rostos, frutos da missão. "Por isso, ela não pode mais restringir sua atuação ao acompanhamento de membros, mas deve incorporar a dimensão missionária em todos os seus níveis, buscando alcançar pessoas para além das fronteiras geográficas, culturais e étnicas".

Afinado com esse compromisso missionário, o pastor Paulo Afonso Butzke desafiou a IECLB, ao apresentar o tema principal do Concílio, hoje de manhã, a "lançar as redes em águas mais profundas". Ele destacou que a missão não é da igreja, e que a Igreja é uma função da missão de Deus. "Somos apenas instrumentos", apontou.

Num olhar sobre as perspectivas para o futuro da igreja, Butzke mencionou três desafios para a IECLB: o desafio da sustentabilidade, o desafio do crescimento quantitativo e qualitativo, e o desafio da identidade.

O palestrante enfatizou que o tema da sustentabilidade não se esgota numa estratégia de captação de recursos, mas deve estar embasada numa consistente concepção de desenvolvimento de igreja que contemple o testemunho do evangelho (martyria), a comunhão (koinonia), o serviço ao próximo e à sociedade (diakonia) e o louvor e a celebração (a leitourgia).

Se o tema da sustentabilidade nas congregações for canalizado apenas para o equilíbrio orçamentário "ele terá resultados frustrantes", alertou Butzke. O teólogo recomendou à igreja que desenvolva sensibilidade para as necessidades e dores da sociedade, de vir ao encontro do próximo que se encontra em situação de sofrimento psíquico, espiritual, físico eeconômico.

Butzke destacou que em nenhum outro campo a IECLB desenvolveu-se tanto nos últimos anos do que na renovação litúrgica. Admitiu, contudo, que ainda cabe avançar "na compreensão e melhor elaboração dos elementos antropológicos do culto para que, de fato, se torne acontecimento dialogal e proporcione experiência de comunhão".

Para Butzke, o desafio maior da IECLB é o de ouvir a ordem de Jesus - lancem as redes em águas mais profundas (segundo Lucas 5, 1-6). "Se o barco chamado IECLB se tornar disponível para a missão de Deus, então poderemos contar com a sua fidelidade, e, onde e quando aprouver a Deus, experimentar o milagre das redes repletas de suas bênçãos".

O secretário-geral do CMI, pastor metodista Samuel Kobia, veio a Panambi a convite da IECLB, para acompanhar o Concílio e dar continuidade ao momento que a IX Assembléia do organismo ecumênico reunido em fevereiro, em Porto Alegre, inaugurou. O bispo dom Sinésio Bohn, da cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul, representa a Igreja Católica no Concílio.

Também estão em Panambi representantes das igrejas Evangélica Luterana dos Estados Unidos, Evangélica do Rio da Prata, Evangélica Luterana da Baviera, Evangélica da Alemanha, da Noruega, Metodista do Brasil, Presbiteriana Unida, da Coordenadoria Ecumênica de Serviço, da Sociedade Bíblica do Brasil e da Sociedade Missionária Norueguesa.

--------------------------------------
Agencia Latinoamericana y Caribeña de Comunicación

Verso e Voz — 14 de outubro

Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito:

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os/as pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e às cativas e restauração da vista aos cegos e cegas, para pôr em liberdade os oprimidos e oprimidas, e apregoar o ano aceitável do Senhor.

Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos e todas na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir. — Lucas 4.16-21

“Globalização, com todos seus riscos, também oferece oportunidades excepcionais e promissoras, precisamente com uma vista de capacitar a humanidade a ser uma só família, construída nos valores de justiça, equidade e solidariedade. Para que isso aconteça, uma mudança completa de perspectiva será necessária: não é mais o bem-estar de qualquer comunidade política, racial ou cultural que deve prevalecer, mas o bem da humanidade como um todo. A busca do bem comum de uma comunidade política não pode estar em conflito com o bem comum da humanidade”. — João Paulo II

www.sojo.net

O bis do Concílio

CULTO DE ABERTURA
12 DE OUTUBRO DE 2006 – 14 horas

Tema: MISSÃO
Igreja Metodista em Rudge Ramos

Ao som do piano, tocado por Liséte Espíndola, os participantes e visitantes do 18º Concílio Geral adentraram o templo para o culto de abertura do 18º Concílio Geral da Igreja Metodista. Na entrada, um presente bem humorado: cada pessoa ganhou um chocolate “bis”. O Rev. Marcos Munhoz (pastor titular da I.M. Rudge Ramos) fez a saudação inicial fazendo referência à 2ª sessão e ao chocolate: “Recebemos a todos vocês com carinho, no doce afeto do Espírito Santo, sinalizado no sabor do chocolate, que pede bis, unção dobrada do Espírito”.

O pastor Pedro Nolasco, da Igreja Metodista em Jundiaí, fez a leitura bíblica de Amós 5.21-24: "Aborreço desprezo as vossas festas; e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer. (...) Antes corra o juízo como as águas e a justiça como ribeiro perene"

Após a leitura, ele conclamou a Igreja a fazer o louvor com os “olhos abertos” à realidade. O Ministério Toque de Poder cantou um cântico que dizia: “Ajuda-nos a olhar com os teus olhos” , enquanto imagens de crise, desemprego, dor e miséria passavam na tela. Ao final do cântico, a Igreja Metodista foi chamada a ficar de joelhos em atitude de contrição e arrependimento. Ao final do momento de oração, o hino “Eu venho como estou’ (hino 245).

Igreja com paixão: o sermão do bispo João Carlos Lopes

O Bispo João Carlos fez seu sermão baseado em 1 Coríntios 12.31 e 13.1, lembrando a preocupação do apóstolo Paulo com a unidade orgânica da Igreja. “Nenhum membro é tão grande e nenhum é tão pequeno que não tenha importância no corpo: procurem com zelo os melhores dons para exercer sua função”. Cada membro tem função específica e precisa de dons específicos. Dom é ferramenta para ser bem utilizado, não para esnobar, salientou o Bispo. Lembrando do “caminho sobremodo excelente”, ele instou a igreja a realizar a obra de maneira excelente, a fim de que recebam o certificado “ISO Eternidade”. “Excelência não se alcança com competição, nem com o ser melhor do que os outros – ser excelente é ser o melhor de nós mesmos”.

Disse também o Bispo João Carlos:

Na busca pela excelência, estamos competindo conosco mesmo, com a nossa tendência de aceitar a mediocridade, e mediocridade significa mediano, ficar no meio, fazer o que todo mundo faz – mas você e eu não somos todo mundo, somos servos/as de Deus! Habilidade técnica, estudo e dinheiro também não são essenciais na busca pela excelência. Há pessoas mais capacitadas, com mais habilidades técnicas e com mais tempo e dinheiro do que nós, mas a diferença é que tudo o que temos está nas mãos de Deus, e Ele pode usar do jeito que quiser. Excelência tem a ver com consagração total para a obra a qual Deus nos chamou! O que fazemos não é melhor que o outro, mas o melhor que temos – fazei tudo como que para o Senhor, conforme as tuas forças, para Cristo a quem serve!

Paixão e Compaixão

Por que confiamos em Deus? Porque sabemos que Ele é um Deus excelente. Tudo o que faz é bem feito, perfeito, excelente. Efésios 3.20 “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pensamos ou pedimos, segundo o seu poder que opera em nós”. Mais do que falar sobre a excelência, o apóstolo diz que irá nos mostrar o caminho para a excelência, o caminho para que o amor se manifeste. E o amor se manifesta, na prática, em forma de paixão, na vertical – na relação ‘eu e Deus’; e em forma de compaixão, na horizontal – na relação ‘eu e o próximo’.

O primeiro amor

No início da carta de Paulo aos Efésios, ficamos entusiasmados com os elogios que ele faz à igreja: “conheço as tuas obras e que não podes suportar homens maus..” – dá vontade de fazer parte de uma igreja com esse currículo! Mas, de repente, uma virada leva Paulo a dizer “mas uma coisa tenho contra vós, que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te de onde caíste, arrepende-te, volta à prática anterior; se não, venho contra ti e tiro o teu candeeiro” – serás qualquer coisa, menos luz do mundo, menos igreja, porque a igreja existe para brilhar a luz de Deus! É preciso retornar às obras do primeiro amor. Como é o namoro, nos primeiros dias? Renunciamos a tudo para ficar com a pessoa amada. A paixão é assim, se manifesta no desejo de conhecer mais a Deus, e de renunciar, como Paulo: “para mim, o que era ganho reputei por perda, por amor a Cristo” – paixão. Paixão que gera conhecimento e também obediência, e adoração. Não precisamos aprender a adorar quando aprendemos a amar, porque adorar é elogiar, e elogiamos quando amamos. O caminho do amor e da excelência é a paixão. E a relação ‘horizontal’ é conseqüência da relação ‘vertical’: a relação com Deus nos leva à compaixão com o próximo. “Filho de Davi, tem misericórdia de mim”. A palavra misericórdia se aproxima da palavra compaixão. A misericórdia liberta da cegueira, a compaixão cura as pessoas. Nós não adoramos um pacote doutrinário, mas a Cristo Vivo, que está presente aqui nesta tarde. Nossas reuniões de oração e vigílias terminam sempre com a busca de mais poder. Não precisamos de mais poder do que já temos, precisamos é de mais amor no coração! Temos muito poder e pouca compaixão. O milagre é muito mais conseqüência da misericórdia e da compaixão pela dor do próximo. Os discípulos tinham poder e não curavam. Devemos sentir com o outro a dor que ele sente – olhe ao redor, todos passamos por lutas, tribulações. O ‘grupo’ do qual você não gosta muito tem dificuldades e problemas também. É preciso espelhar a vida de Jesus em nós e lidar com as pessoas com compaixão, baseado no amor de Cristo. Quero fazer parte de uma igreja assim, onde haja fervor no relacionamento com Deus e compaixão no relacionamento com o próximo – e o milagre da ressurreição de pessoas que estão mortas mesmo dentro da igreja por falta de compaixão! Que Deus nos abençoe.

O culto terminou com o cântico do hino 394, A excelência do amor, e uma oração do Bispo Adriel de Souza Maia. Antes do momento de oração, ele lembrou de um motivo de gratidão – o cinqüentenário da 3ª Região – e um pedido de que oremos em favor da família do Rev. Otto Gustavo Otto da 2ª região, e do Prof. Hugo Bayer, seu sobrinho, que estava no vôo da Gol. Ambos foram enterrados hoje. Ele também lembrou do Dia das Crianças e convidou a todos a buscarem inspiração nos pequenos: “Precisamos de uma criança em nosso Concílio”.

Fonte
- Expositor Cristão

veja mais fotos do culto de abertura aqui

13 outubro, 2006

Unidade e pluralidade da Igreja conforme o Novo Testamento

Por: Tony Welliton da Silva Vilhena*

Na obra "Preservando a unidade do Espírito no vínculo da paz"[1], Gottfried Brakemeier argumenta que a "unidade está na raiz do próprio ser da Igreja de Jesus Cristo" (p.12). Para isto, o autor ampara-se na oração sacerdotal de Jesus registrada no Evangelho de São João, capítulo 17, versículo 21, que roga pela unidade daqueles primeiros cristãos para que o mundo se convencesse de que Ele era o enviado de Deus. Então, podemos afirmar que o testemunho ao mundo da presença do enviado de Deus para a restauração da criação está condicionado, mas não limitada, a unidade dos que crêem neste enviado.

Brakemeier ainda cita outros trechos bíblicos que reforçam esta compreensão da busca unidade na fé mesmo num contexto histórico onde divergiam a cultura helênica e a hebraica (Gl 2.11) e onde havia uma grei composta por diferentes visões individuais de mundo (Hb 12.1). Esta busca é chamada por Brakemeier de "pluralidade concêntrica" (p.19) e persiste na unidade na pluralidade centrada em Jesus Cristo. Sendo falaciosa a tese que defende que o cristianismo em sua gênese foi um movimento homogêneo, podemos defender que diante da pluralidade do testemunho dos primeiros cristãos houve um grande esforço para não se perder o foco essencial daquela nova fé: crer que aquele Galileu, chamado Jesus, era o Messias.

Um momento decisivo da vida da Igreja foi o Concílio dos Apóstolos (At 15). O debate estava em torno da controvérsia entre os cristãos-judeus e os cristãos-gentios sobre a circuncisão de não judeus. Ressalta-se o versículo 28 que resume a decisão expressando que "pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além das cousas essenciais..." [2]. Assim, evitou-se o cisma e a formação de duas Igrejas.

Exemplos de ações que concorrem para a unidade do povo de Deus como este precisam estar em evidência nos discursos ecumênicos dos nossos dias. Pois o ecumenismo, esforço pelo diálogo, pela conciliação e pela unidade dos que crêem diferentemente num mesmo Deus, não pode ser apresentado apenas como uma necessidade de minimizar a tendência ao conflito e à concorrência gestada por sistemas político-econômicos opressores e excludentes, nem ingenuamente uma resposta esperançosa diante do espírito beligerante que ronda o mundo, mas, sobretudo, como um princípio cristão histórico, sem o qual a fé perde propósito e razão.

Geertz [3] afirma que há uma tendência hodierna de fortalecimento do apego aos "pedaços" e "fragmentos" de um mundo estilhaçado após a queda do Muro de Berlim, sendo que a nova ordem mundial é marcada por "um sentimento de dispersão, particularidade, complexidade e descentramento" (p.192). Diante desta conjuntura internacional de tensão étnica e separatista, na qual a religião aparece como pano de fundo dos discursos ofensivos mais inflamados, confesso que ainda estou escandalizado diante da recente decisão do Concílio da minha Igreja (Metodista) de desligar-se dos órgãos de diálogo e conciliação no Brasil.

Esta decisão revela que a concepção de ecumenismo para uma grande parcela de irmãos e irmãs, talvez esta seja a tônica também em outras Igrejas, ainda está tacanhamente emprenhada de preconceitos e desinformação, este é o casamento perfeito para a perpetuação dos domínios políticos. Não obstante, revela também o quanto tem sido curto o alcance das nossas formações enquanto movimento ecumênico, nos provocando a fazer uma mea culpa pelas quantas vezes fizemos da ação ecumênica uma tendência intelectual garantida exclusivamente pelos/as "pensadores/as" das Igrejas.

Pois, somente quando for percebido quanto princípio essencial da vida cristã, o ecumenismo deixará de ser apenas um esforço de lideranças das Igrejas para imiscuir-se no quotidiano do povo de Deus. A prática ecumênica não pode ser mais tratada tão simplesmente como uma opção política, estimulada ou desprezada de acordo com os interesses institucionais de cada Igreja, mas como testemunho basilar da fé cristã, sem o qual a fé torna-se incoerente diante dos ensinamentos de Cristo.

Foi esta coerência que a mulher cananéia cobrou de Jesus e seus discípulos (Mt 15:21-28) quando estes se recusaram a atender seus apelos para que curassem sua filha "miseravelmente endemoninhada". Jesus, no primeiro momento, expressa estar inundado pela visão do mundo etnocêntrica na qual seu próprio grupo ("povo de Israel") é tomado como centro de referência (o grupo dele é tratado como "filhos", o outro grupo como "cachorros") para estabelecer valores, modelos e verdades. Mas depois de ser constrangido pela audácia e sabedoria da mulher cananéia que argumenta que "até mesmo os cachorros comem as migalhas que caem debaixo da mesa de seus donos", Jesus não tem como mais se recusar a curar sua filha e, humildemente, resolve acudi-la. Audácia e humildade são as senhas do milagre.

Que em nossas comunidades possamos vislumbrar a unidade tanto quista por Jesus, elevando nossa reflexão para o que diz Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 12, versículos 3b, 4 e 5, onde está escrito que "ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo. Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo" [4].

_____________
* Graduando do Curso Ecumênico de Teologia - ACER
[1] BRAKEMEIER, Gottfried. Preservando a unidade do Espírito no vínculo da paz. São Paulo: ASTE, 2004.
[2] BÍBLIA SAGRADA. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada. São Paulo: SBB, 2ª ed., 1993.
[3] GEERTZ, C. Uma nova luz sobre a antropologia. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.
[4] BÍBLIA SAGRADA. Idem


Tony Vilhena
tonylivre@yahoo.com.br

Delegados que chegam ao culto de abertura do Concílio são recebidos com manifestação ecumênica

"Os 79 delegados que votaram contra o ecumenismo, por favor, justifquem a estes jovens católicos e estes jovens presentes por que nossa Igreja se tornou intolerante? Por que não aceita mais a Igreja Católica?"
Um cartaz com esses dizeres, levado para a porta da Igreja Metodista do Rudge Ramos no momento em que os conciliares chegavam para o culto de abertura do 18º Concílio Geral, foi o protesto silencioso de um grupo de jovens defensores do ecumenismo. “Não viemos aqui para pedir que os delegados reconsiderem a votação. Nem somos delegados, não temos direito de pedir isso. Também não vamos interromper a plenária. Apenas viemos deixar nossa opinião. Que acreditamos ser, também, a opinião de Cristo. Não ser ecumênico é não ser cristão”, afirmou Rafael de Freitas, membro da Igreja do Rudge e um dos organizadores do movimento. “Acho que todas as religiões têm que se respeitar’, disse a jovem católica Katuxa Naconecy, amiga de Rafael. Todos eles usavam uma camiseta com a inscrição: “Oikoumene – Estamos em luto(a)”.
Foto: Rafael: "Não viemos aqui para invadir a plenária. Queremos apenas expressar nossa opinião".
Ao final do culto de abertura, no qual o Bispo João Carlos falou sobre "o primeiro amor" da Igreja (a paixão por Cristo e a compaixão pelo próximo), os jovens cantaram o hino 394 "A excelência do amor" enquanto os/as delegados/as saíam para a plenária: "Onde houver desconfiança, ai do amor! Pois mostremos tolerância, muitas vezes a arrogância murcha e mata o amor!"

Fonte: Site nacional da Igreja Metodista

Carta aos irmãos delegados da 2ª Sessão do 18º Concílio Geral da Igreja Metodista

Birigui, 09 de outubro de 2006.

Que a paz do Senhor esteja com todos os irmãos.

Durante o culto de domingo li uma nota a respeito do “ecumenismo” e, que fora votada durante o último Concilio Geral, a retirada de membros metodistas das entidades onde houvesse representatividade católica.

As pessoas se unem com objetivos, ações, trabalho em comum visando benefício para outras pessoas que tinha alguma forma de necessidade.

Gostaria que os irmãos refletissem muito sobre este assunto que não considero amplo e, sim , de uma simplicidade contagiante.

DEUS É UM SÓ!

Não há na Bíblia relato que Deus fosse Católico Romano, Metodista, Batista, Presbiteriano,.... . Acredito que as diferentes confissões existam de acordo como se visualiza Sua imagem (nós em relação a Deus) e, não somente como são relatados os fatos históricos.

Sou Católica Romana e muitíssimo bem casada com um Metodista. Em momento algum houve discriminação com minha pessoa e, nem com meu credo religioso. Nunca fiz oposição quanto ao fato de nossas duas filhas serem batizadas na Igreja Metodista, pois como católica, considero a Igreja Metodista uma confissão embasada na Palavra de Cristo.

Comentei com o meu marido como é que ficaria ele nesta situação, sendo que, conforme o artigo lido, não poderia mais estar em entidade ou instituição houvesse uma representatividade católica. A família também é uma instituição! No caso dele a esposa ( mulher e mãe das filhas ), a auxiliadora conforme a Palavra, é católica.

É um retrocesso enorme um posicionamento dessa natureza; fechar-se para outras idéias e também ideologias; fechar-se para novos amigos; fechar-se para novos irmãos.

Se todos nós somos imagem e semelhança de DEUS significa também fechar-se para DEUS.

O assunto tocou-me profundamente, pois tenho muito carinho, apreço e afinidade por muitos membros da Igreja Metodista. Eu e meu marido temos a responsabilidade de um casamento entre duas confissões. Isto é muito gratificante, estamos sempre juntos.

Aprovada, revista ou não essa decisão discriminatória, continuarei a minha jornada baseada no Amor de Deus e, com a responsabilidade de unir as pessoas cada vez mais com respeito, bem senso e, quando necessário, muita tolerância.

Espero que reflitam antes de rever, reflitam antes de votar, pois todos os metodistas estão sujeitos a ter um católico na família e, que a convivência, garanto que não é rim quando há respeito.

Em Cristo.

Silvana Rodrigues Damaceno Camargo de Anchieta

Fonte: Site nacional da Igreja Metodista

Presidente de Uruguay recebio a dirigentes evangelicos

El Presidente Tabaré Vázquez recibió a la delegación de la FIEU (Federación de Iglesia Evangélicas del Uruguay) en ocasión del 50 Aniversario de la entidad ecuménica más antigua del país.

La delegación de la FIEU estuvo integrada por los presidentes de iglesias, Oscar Bolioli, Metodista, Presidente de FIEU; Hugo Armand Pilón, Valdense; Wilma Rommel, Luterana Unida; Federico Schaffer, Evangélica del Río de la Plata; Obed Boyadjian, Armenia; Samuel Flores, Pentecostal Naciente y Bartolo Aguirre, Ejército de Salvación.

Luego de los saludos protocolares, el Presidente Tabaré Vázquez enmarcó la entrevista en un clima de cordialidad, amena, distendida, abordando rápidamente los temas de interés común y que se extendió mas allá de los 30 minutos de protocolo.

Los integrantes tenían la intuición de que la conversación tendería hacia una tonalidad como lo señalada, dado que el pedido de la FIEU para entrevistarse con el Presidente fue otorgada al día siguiente de solicitada y que se aceptó la delegación de siete personas cuándo, habitualmente, el Presidente no recibe delegaciones de más de 5 personas.

Dada esa circunstancia el Presidente tuvo la gentileza de disponer que la entrevista se realizase en la Sala de Reuniones de Ministros que ofreció mayor comodidad que el recinto donde Tabaré Vázquez efectúa regularmente sus entrevistas.

Entre los temas conversados estuvieron presentes la disposición de la Delegación sobre “La participación de las Iglesias en el apoyo a los programas sociales”, para lo que el Presidente respondió dando una amplia bienvenida a esa propuesta señalando la importancia de los aportes que puedan hacer las Iglesias a los programas sociales, agregando que también los que puedan efectuar al del “país productivo” al mismo tiempo que señaló la significativa experiencia de las iglesias en ese particular.

Sobre el voluntariado, un tema nato de las Iglesias, la Delegación llevaba sus interrogantes sobre el estado actual de ese asunto a nivel gubernamental, dado que existen propuestas en el Parlamento para legislar sobre el particular.

El Presidente Vázquez explicó el estado actual de esa temática, pronunció palabras de tranquilidad en cuanto a que, mientras no haya una legislación al respecto, las iglesias pueden desarrollar el voluntariado como lo han estado haciendo al presente y que la ley que se propondrá tiene como propósito evitar los abusos.

El Jefe del Gobierno de Uruguay prometió enviar a la FIEU un dossier sobre las propuestas que están a consideración del Parlamento y pidió a la Delegación que las Iglesias envíen ideas y sugerencias sobe un tópico que está en el amplio conocimiento de ellas.

Un asunto que la Delegación llevaba en su carpeta era el de “los aportes de ayuda desde el exterior”. La cuestión es que cuando organizaciones o personas envían, desde el
exterior, distintos tipos de elementos, como ropa, útiles escolares y otros, las iglesias se enfrentan con serias dificultades y un largo proceso en la tramitación que, en ocasiones, termina pro desistir de la ayuda.

Tabaré Vázquez reconoció que los procedimientos existentes son engorrosos y extensos y que deben buscarse mecanismos más ágiles. También en este asunto, el Presidente pidió a las Iglesias que aporten propuestas concretas que permitan agilizar ese proceso, incluida la mención de ese tratamiento en otros países.

Si bien no estaba en la agenda prevista, y dada la agilidad de la entrevista entre el Presidente y la Delegación de la FIEU, no pudo faltar el tema de tensión entre Uruguay y Argentina por el tema de las pasteras. En este aspecto, como en los demás, Tabaré Vázquez demostró estar al tanto del accionar de las Iglesias en ese punto, por lo que manifestó su agradecimiento por lo que ellas realizan en ambas márgenes mediante la oración y diálogo en cuanto a las tensiones humanas.

Otro asunto introducido por el Presidente, fuera de toda prevención previa, fue la referencia a la conformación de una comisión sobre el respeto a las minorías, para la cual el anfitrión pidió a la FIEU que proporcionase nombres para que fuesen considerados para la integración de ese organismo.

Tabaré Vázquez también menciono la disponibilidad para preservar la laicidad y garantizar el diálogo con todos los sectores religiosos.

Los integrantes de la Delegación consideraron la entrevista como “un dialogo serio, oportuno, con humor en varias oportunidades que permitió levantar temas de trabajo y colaboraciones futuras”.

Con fuerza y sinceridad el Presidente afirmo que frente a cualquier tema, las Iglesias tienen siempre las puertas abiertas y oraran por él y por las tareas que tiene por delante.

Al finalizar la reunión, los Presidentes de las Iglesias Evangélicas entregaron al Presidente de la República una Biblia en recuerdo de esta ocasión. Nunca antes la FIEU había sido recibida un Presidente de Uruguay.+ (PE/IMU)

13/10/06 - PreNot 6269
Agencia de Noticias Prensa Ecuménica
598 2 619 2518 Espinosa 1493.
Montevideo. Uruguay
www.ecupres.com.ar asicardi@ecupres.com.ar

Trindade como paradigma para a ação ecumênica

O Pai, o Filho, o Espírito Santo atestam, pela inseparável igualdade de uma única e idêntica substância, sua divina unidade; que por conseguinte não são três deuses mas um único Deus”.
Santo Agostinho.
Na edição de 24 de julho de 2000 a revista Defesa da Fé apresentou como assunto de capa o seguinte tema: “ecumenismo: quando a união representa um risco” e em sua capa um desenho bem sugestivo: a foto de um apertar de mãos, entre um pastor e um padre, onde o dedo polegar do padre se transforma em uma serpente. A matéria é de conteúdo ríspido, de tom forte, defendendo um não ecumenismo por haver divergências entre o catolicismo e o evangelicalismo. Seu texto base é Amós 3: 3 que diz: “e andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?”. O autor ressalta os principais pontos de divergências, usa texto como de Paulo: “que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão há, da luz com as trevas?”, “Lv 10: 10 para fazerdes diferença entre o santo e o profano o imundo e o limpo”. O que sobressai é a demonização do diferente. Sempre o outro é mal, impuro, profano, enganador, sujo. “Mas o meu não, eu estou no caminho certo, o meu é o melhor, ele tem que vir para o meu lado para poder estar bem...”.

Estas são atitudes que vemos e ouvimos todos os dias, em filas de banco, no trabalho, em rodas de amigos enfim, em todo lugar e a toda hora. Isso porque fomos ensinados a não nos misturarmos com o outro, pois estar com aquele que não é do grupo pode me contaminar, por isso tenho que estar entre os meus para poder crescer espiritualmente, para estar seguro. Alguns chegam a dizer: “até passo mal quando estou no meio dos incrédulos”.

Nossa tendência de demonizar o outro e de sermos intolerantes e individualistas podem gerar muitos problemas, como disse o professor Wander Proença, podem levar-nos até uma terceira guerra mundial.

Este modo de ver o ecumenismo está errado, isso não é ecumenismo. Ecumenismo não é somente uma busca de entendimento entre igrejas, é um espírito de reconciliação e ternura fraterna muito necessária para paz, o amor à verdade e compreensão entre os seres humanos. [1]

De fato há divergências entre as igrejas, quer elas sejam protestantes ou católicas, não podemos negar que há diferenças, e muitas. Contudo não podemos nos esquecer jamais que existem pontos de convergência que dão unidade no corpo de Cristo, e que esses pontos são muito mais fortes daqueles que nos dividem.

A grande sacada do cristianismo é exatamente a diversidade, o cristianismo não é um sistema unificador e uniforme, mas desde sua origem propõe uma fé que pode ser vivida de maneiras diferentes. Certa vez o Dr. Julio Zabatieiro disse que no NT existem pelo menos seis modos de compreensão do evangelho.

Por outro lado podemos ver o esforço de Paulo para que o cristianismo seja um corpo, onde Cristo é o cabeça, e cada igreja um membro desse corpo, Paulo não propõe uma unificação, mas unidade, ele diz “Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? O certo é que há muitos membros, mas um só corpo”(1CO 12:19). No pensamento de Paulo está muito claro a unidade do antigo povo de Israel, onde a bênção de Deus era para todo o povo, os chamamentos proféticos incluía todos, e não nos esqueçamos, com vistas a todas as nações.

Ecumenismo não é ser uma única confissão religiosa, mas crer que Deus nos fez um em Jesus. Não é desconsiderar as diferenças confessionais, mas é ter a identidade confessional como instrumento e não como barreira. Não é considerar a minha verdade religiosa em detrimento das demais, porém, é buscar nos ensinamentos bíblicos fortalecimento para nossas ações conjuntas[2]. E quando conheço a identidade do outro acabo conhecendo muito mais a minha.
Mas, diante do que já foi dito, o cristianismo contém em um de seus maiores símbolos o paradigma maior para uma ação ecumênica, o símbolo da Trindade é a mais perfeita demonstração de comunhão.

Encontramos no símbolo Trinitário a dimensão relacional em Deus, podemos dizer que em Deus existe a verdadeira comunhão, Boff diz que “somente entre pessoas pode haver união, porque elas intrinsecamente se abrem umas as outras, existem com as outras e são umas pelas outras”. Assim podemos ver em toda história da salvação uma ação Trinitária. Existe uma relação integral entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Trindade é o divino relacional, nEla é encontrada a verdadeira comunhão, e essa comunhão é essência de Deus, como diz Tomás de Aquino: ”fica claro que a relação real em Deus é realmente idêntica à essência”[3]. Para Tomás de Aquino Trindade é unidade na pluralidade em Deus. A chave para se compreender a unidade na diversidade é o termo grego pericorese que significa rotação; girar em torno de; coabitação; dança em círculo. Ou seja, Trindade é a compenetração das pessoas divinas, é um recíproco estar no outro.

A ação pericorética da trindade é uma ação inclusiva, e não exclusiva, é uma ação de amor que não está fechada em si, mas é aberta a toda criatura, Boff afirma que “a união-comunhão-pericorese se abre para fora; convida as criaturas humanas e o universo a se inserir na vida divina” (que todos estejam em nós... a fim de que sejam uma coisa só como nós somos, João 17: 21-22). A Trindade é Deus se realizando no Filho, o Filho se realizando no Espírito e o Espírito se realizando no Pai e no Filho, e assim também acontece conosco, ninguém se realiza em si mesmo, mas sim no outro, isso porque somos imagem e semelhança de Deus.

A criação de Deus é marcada pela diversidade. Em todas as dimensões do universo encontramos algo parecido, mas sempre com um aspecto diferente do outro, sempre um complementando o outro. O mundo não é dividido, mas diversificado. A Trindade não é dividida, mas há uma diversidade de pessoas, assim também é na igreja, precisa haver diversidade, mas não divisão. Mas infelizmente a síndrome de Caím e Abel nos persegue, e provoca a tragédia da divisão entre os seres humanos.

O símbolo da Trindade nos desafia a superar a divisão humana, nos desafia a viver uma espiritualidade inclusiva, em aceitar o diferente como ele é, sem querer dominá-lo e jamais excluí-lo. A Trindade ainda nos leva a uma vida de serviço, a um estilo de vida aberto ao outro em aceitação e amor.

E a proposta do movimento ecumênico é aceitar esses desafios, é ser uma igreja relevante na transformação do mundo, ser cooperador do Reino de Deus, pois como o próprio nome se traduz: Oikoumenê “Terra habitada”. E para que a Terra continue a ser habitada precisa haver solidariedade, justiça e paz, como diz o lema da Jornada Ecumênica. O movimento ecumênico é um chamamento a uma eclesiologia baseada na união, na fraternidade, na dignidade humana e respeito mutuo. Boff diz que a unidade da igreja não reside em uniformização burocrática, mas numa pericorese entre todos os fiéis, a serviço dos outros. Desde a década de 40 o movimento ecumênico se dispôs a estar comprometido com a missão integral, como por exemplo, o Conselho Mundial de Igrejas nasceu em meio a formação da Declaração dos Direitos Humanos, o qual o presidente do CMI o Dr° Frederik Nolde sentou-se com os diplomatas da ONU para ajudar a elaborar um texto para a Declaração, e tal contribuição foi aceita e se transformou no artigo n° 18 da Declaração oficial.

Como Diz Zwinglio Dias: Ecumenismo e Direitos Humanos se pertencem, Deus deseja que todos os seres humanos tenham seus direitos garantidos. Assim como a Trindade é aberta ao outro e convida toda a criação a participar de sua natureza divina, assim o movimento ecumênico propõe uma espiritualidade inclusiva, nos ensina a viver de forma altruísta e tolerante. Ser ecumênico não é fingir que não há diferenças, mas é aceita-las, sem demonizá-las.

O símbolo da Trindade nos ensina e nos desafia a vivermos em unidade com o diferente, nos ensina que é possível viver uma unidade em meio a tanta diversidade, e que a partir dessa união, a igreja, o corpo de Cristo terá mais força de lutar por um outro mundo possível. E como diz Wolf “A fonte da espiritualidade ecumênica é a Trindade, cujo amor do Pai permite ao Filho que no dê o Espírito Santo da unidade. É Cristo quem age, pelo seu Espírito no seio da igreja para levá-la à comunhão ao Pai. [...] isso significa que o Espírito Santo se apodera de cada cristão tornando-o um em Cristo”. [4]

E relembremos o lema da conferência Life and Work “vida e Trabalho”: A doutrina divide, mas o serviço une!!!
________________________
Edson Elias de Morais
Bacharelando em Teologia.
Faculdade Teológica Sul Americana.
Representante do Movimento Ecumênico de Estudantes de Teologia – MEET.
edson@ekumenos.com.br
________________________
[1] Cartilha de CLAI & CONIC: Diversidade e Comunhão: Um convite ao ecumenismo. P. 12.
[2] IBIDEM. P 34.
[3] Tomás de AQUINO, Suma Teológica, Vol I, p. 515.
[4] Elias WOLF. Caminhos do ecumenismo no Brasil: historia, teologia, pastoral, p.228.

12 outubro, 2006

Verso e Voz — 13 de outubro

E repele as questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram contendas. Ora, é necessário que o servo e serva do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõe, na expectativa de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade. — 2 Timóteo 2.23-25

“As pessoas não desejam parecer tolas; para evitar a aparência de tolice, estão prontas a permanecem tolas de verdade”. — Alice Walker

www.sojo.net

Carta da Federação de Jovens da 3ª RE ao Concílio Geral

São Paulo, 12 de outubro de 2006

"Em verdade vos digo que não passará esta geração
sem que todas essas coisas se cumpram."
Mt. 24.34

Aos delegados do 18º. Concílio Geral da Igreja Metodista,

Saudamos a todos na graça e na paz de Jesus Cristo!

Nós, membros da diretoria da Federação Metodista de Jovens na 3ª Região Eclesiástica, gostaríamos de deixar uma mensagem de reflexão e esperança aos conciliares.

Como vimos na Carta do Colégio Episcopal aos participantes do 18º Concílio Geral da Igreja Metodista sobre a avaliação da 1ª fase do Concílio, enfrentamos graves problemas de tolerância e amor ao próximo, itens vitais neste momento da Igreja.

Todos nós gostaríamos que o Concílio Geral fosse parâmetro de postura e respeito, e que servisse de exemplo para as regiões, igrejas locais e para nós, jovens líderes e futuros lideres da Igreja. Mas infelizmente não foi isso que ouvimos e lemos. Atitudes como desrespeito às autoridades da Igreja e entre irmãos do próprio Concílio não contribuem em nada para a formação de novos e futuros líderes.

Pedimos a Deus que nessa 2ª fase conciliar vocês sejam guiados pelo Espírito Santo, que profetizem a unidade de toda a Igreja Metodista e não somente de algumas partes dela, afinal devemos nos unir no objetivo de pregar o evangelho a toda criatura. Que não esqueçamos o preço que foi pago na cruz e que isso é maior do que qualquer coisa, inclusive nossas opiniões e projetos pessoais – o reino de Deus e a saúde da Igreja estão necessitados de homens e mulheres que se esvaziem de si mesmo em benefício dos demais.

Sendo assim, temos esperança que as barreiras e preconceitos se rompam entre nós.

Que Deus vos abençoe ricamente e ilumine com sabedoria os queridos delegados e delegadas.

"Eu sei que foi pago um alto preço,
Para que contigo eu fosse um meu irmão...
...Com nossos olhos em Cristo,
Unidos iremos andar"


Federação Metodista de Jovens 3ª RE – Geração Renovada
São Paulo, Out 2006
-----------------------------------------------------------------------------------
Recebido de: Sinval Filho - Presidente da Federação de Jovens da 3a RE

Comentário à Parábola do Grão de Mostrada

Por: Luiz Eduardo Prates da Silva

Gostaria de contribuir com este Blog, com um texto que encontrei quando preparava uma mensagem sobre a Parábola do Grão de Mostarda. O autor é William Barclay, que como sabemos, faz um comentário mais hermenêutico do que exegético. Porém achei interessante para este momento em que vivemos, de fundamentalismos e exclusivismos. A segunda parte do comentário está mais relacionada à questão racial, mas, nas suas entrelinhas também podemos ‘ler’ as diferenças culturais, etc.

O texto está em espanhol e minha intenção era traduzi-lo para este blog, porém ainda não consegui fazê-lo, devido às múltiplas atividades.

Um abraço a todos/as

--------------------------------

Comentário à Parábola do Grão de Mostrada (Mc 4.30-32) por William Barclay

(…) Esta parábola nos habla del Imperio de la Iglesia. El árbol y las aves, como hemos visto, representan al gran imperio y a todas las naciones que buscan refugio en él. La Iglesia comenzó con un individuo pero terminará abarcando al mundo entero. Hay dos sentidos en los que puede afirmarse que esto es verdad. (a) La Iglesia es un Imperio en el cual pueden encontrar su lugar todas las clases de opiniones y de teologias. Tenemos la tendencia de clasificar como hereje a todo el que no piensa como nosotros. Juan Wesley fue el mayor ejemplo de tolerancia en el mundo. "Pensamos", dijo, "de objetar las ideas de aquel que piensa de manera diversa a la mía, del mismo modo como no puedo calificar de ridículo al hombre que usa una peluca mientras yo uso mi propio cabello" Wesley saludaba a quienes le salían al paso diciéndoles: "Tu corazón es como el mío? Entonces, dame la mano!" Es bueno tener la seguridad de estar en lo correcto, pero eso no significa que debamos pensar que todos los demás, que no piensan como nosotros, están equivocados (b) La iglesia es un imperio en el cual se encuentran todas las naciones. Una vez se estaba construyendo un nuevo templo. Una de sus características era que tendría un gran vitral de riquísimos colores. La comisión que estaba a cargo de la construcción buscó durante mucho tiempo un texto para ese vitral, hasta que finalmente decidieron usar aquellas líneas de un himno que dicen:

"Alrededor del trono celestial del padre miles de sus hijos cantan..."

Contrataron a un gran artista para que diseñara el modelo del cual se copiaría el vitral. El artista se puso a trabajar en el encargo y terminó amando profundamente su obra. Cuando terminó el dibujo, fatigado, se fue a dormir. Pero durante la noche le pareció que escuchaba ruidos; le pareció, quizá en sueños, que se había levantado e ido hasta su estudio para ver de qué se trataba. Allí se encontró a un hombre que tenía la paleta en una mano, un pincel en la otra, y estaba retocando el cuadro. "Deténgase, arruinará mi obra", le dijo el pintor. " Pienso, contestó el extraño, " que usted ya casi la había arruinado. "Qué quiere decir?", preguntó extrañado el artista. "Pues bien, en su paleta tiene usted muchos colores, pero ha usado solamente uno para pintar los rostros de estos niños. Quién le ha dicho que en el cielo solamente hay niños de rostro blanco?" "Nadie, simplemente se me ocurrió que seria así." "Mire" dijo el extraño, "haré que algunos de los rostros sean amarillos, y otros castaños, y otros negros, y otros rojizos; todos estos están allá, pues todos han respondido a mi llamado." "Su llamado?" dijo el artista. "Quién es usted?"

"Una vez, hace mucho tiempo", dijo el extraño sonriendo "dije: Dejad que los niños vengan a mi, no se lo impidáis, porque de ellos es el Reino de los cielos... y todavía hoy lo sigo diciendo." Y el artista supo que el extraño era el Señor en persona. En el momento que lo supo, su presencia se desvaneció. El cuadro era mucho más hermoso ahora, con sus rostros de pequeños negritos, de niños orientales con los ojos almendrados y la piel amarilla, rojizos indios de América y árabes con la pie quemada por el Sol y la arena. Y también algunos niños blancos. Por la mañana, cundo el artista despertó de su largo sueño, fue corriendo al estudio par ver nuevamente su obra. Estaba tal como él la había dejado al darla por concluida. El encuentro con el Maestro había sido una visión y un sueño. Aun cuando ese mismo día la comisión vendría para ver el resultado de su encargo, tomó la paleta y los pinceles y furiosamente se puso a pintar los rostros de distintos colores, representando todas las razas de todos los niños que hay en el mundo. Cuando finalmente llegaron sus visitantes opinaron que la obra era hermosísima, y uno de los miembros del grupo dijo: "Es la gran familia de Dios con su padre". La Iglesia es la familia de Dios: y esa Iglesia que comenzó en Palestina, pequeña como la semilla de la mostaza, tiene suficiente lugar para que entren en ella todas las naciones de la Tierra. No hay barreras en la Iglesia de Dios. El hombre ha levantado las barreras. Dios, en Cristo, las ha destruido.

BARCLAY, William. MARCOS : El Nuevo Testamento comentado por William Barclay. Buenos Aires : Editorial La Aurora, 1974. pp 124 – 126. - Colaboração de Luiz Eduardo Prates da Silva (com auxílio de Elaine Cesar)

Rev. Luiz Eduardo Prates da Silva
Coordenador da Pastoral Universitária e Escolar
Universidade METODISTA de São Paulo
luiz.prates@metodista.br

SINAL FECHADO

São oito horas da manhã e estamos, eu, meu marido e filhos, indo para uma festividade pelo dia das criança, na minha Igreja. Confesso que pensava comigo mesma, sonolenta, que idéia teria sido esta, minha e dos irmãos/ãs de celebrar um culto a esta hora, em pleno feriado... a minha vontade era de estar na cama, nesta manhã nublada.

Meus filhos se amontoam no banco de trás do Fiat apertadinho, calados... isto é raro... acho que eles ainda não acordaram direito...

O carro pára em um sinal de trânsito e olho através da janela de vidros fechados, o rosto do menino, que atravessa correndo a rua e vai para o lado do motorista.

- “Moço, me dá um trocado”?

Maltrapilho, descalço e tiritante, pois a manhã está fria, apesar de não ser mais inverno, ele estende uma mão pequenina e suja na direção do meu marido, que está na direção.

Deparo-me com dois olhos negros como jabuticaba e me surpreendo com o sorriso de dentes alvos na boquinha arreganhada de orelha a orelha. O rostinho sorri, mas os olhos são tão tristes!

Meu marido, bocejando, num gesto mecânico, abre a carteira, tira uma nota de R$5,00 (não tinha menor) e a coloca na mãozinha estendida...

O sorriso se abre ainda mais, pelo valor da nota:

- “Brigado moço... Deus lhe pague... agora vô podê comprá pão prus meus irmão”.

O sinal se abre... meu marido dá partida no carro. E eu, continuo com o rosto colado no vidro da janela, olhando o vulto magro do garotinho que vai ficando cada vez mais longe.

- “Quantos anos ele tem?” – eu me pergunto – “Oito, nove?” O olhar, era de uma pessoa velha.

Penso no meu café da manhã, tomado antes de sair, na mesa bem arrumada, composto de presunto, queijo, pão quentinho, geléia, fruta, café fresquinho e leite integral. Penso no colégio pago dos meus filhos, em minha casa confortável, em minhas roupas, adequadas para o tempo.

Penso em minha família que se reuniria à hora do almoço, certamente também farto, acompanhado de suco e sobremesa... Penso nos nos muitos presentes que eles já receberam em passados dias das crianças e que só não recebem mais porque já estão crescidos...

Penso na minha infância. No Deus da bíblia, que me foi apresentado por minha mãe, católica praticante, que lia os salmos e rezava comigo ao pé de minha cama macia e quentinha... Lembro de minha avó que sempre dizia pra pedirmos ao “Anjo da Guarda” que cuidasse de todas as criancinhas.

Penso na minha fé de hoje, no convívio com os irmãos da Igreja, no meu ministério como pastora Metodista. Penso no meu compromisso com Jesus e em como Ele disse: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque das tais é o Reino dos Céus.”

Vendo o vulto do garoto finalmente desaparecer, volto meus olhos para o alto e a vergonha por ser tão impotente me atinge como uma bofetada...

Elevo a Deus uma oração por aquele menino e por todas as crianças carentes do nosso Brasil que deveriam àquela hora da manhã, estar no aconchego de seus lares, cercadas de amor e pão.

E à noite, sei que vou sonhar com uns dentinhos claros (como podem ser tão alvos se não recebem cuidados?) brilhando num céu tão escuro e denso como os olhos do menino...

Terezinha de Lisieux
Igreja Metodista em São Gabriel
BH - MG
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Tentei escrever um texto alegre e festivo sobre o dia das crianças. Não consegui...
Porque não posso me alegrar e festejar diante do que vejo, diariamente, à minha volta. Não me posso calar diante da miséria, da fome, do desemprego, da desesperança, do desamparo, do descaso, do desamor.

Não me posso calar, em sendo cristã, diante de tantos valores deturpados, de tanta ganância, da total inversão da pregação bíblica. Não me posso calar diante do Cristo crucificado (por nós!) que me grita nos rostos de tantas crianças abandonadas, de tantos velhos desprezados, de tantos miseráveis, de tantos excluídos.

Não posso, pois, celebrar coisa alguma, quando o Cristo vivo, símbolo de vitória sobre a opressão e de esperança de vida abundante, não se faz presente na vida do meu irmão, embora faça toda a diferença no meu coração.

Não posso celebrar nada quando o meu irmão continua escravo da miséria e nós todos somos coniventes com isto... Indiferentemente, comemos o nosso pão, enquanto crianças reviram latas de lixo.

Que Cristo, pois, me perdoe... que perdoe a nós todos. E hoje, embora O saiba vivo, embora O tenha como Senhor e Rei, não celebrarei. Vou recolher-me ao meu quarto e chorar... e, tenho certeza, Ele chorará comigo.

Lisieux

11 outubro, 2006

Verso e Voz — 12 de outubro

Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agredarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras. Antes, corra o juízo como as águas, e a justiça, como ribeiro perene. — Amós 5.21-24

"Uma razão por que nós cristãos e cristãs discutimos tanto sobre qual hino cantar, qual liturgia seguir, qual maneira de cultuar a Deus, é que os mandamentos nos ensinam a crer que uma liturgia ruim eventualmente nos leva à uma ética ruim. Começamos cantando um hino sentimental, depois oramos uma oração sem propósito, e então, antes de perceber, temos matado nosso melhor amigo ou amiga". — Stanley Hauerwas

www.sojo.net

CMI apóia projeto de controle de armas

GENEBRA, 10 de outubro (CMI) - O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) felicitou os Estados patrocinadores do projeto de resolução sobre controle de armas convencionais apresentado à Assembléia Geral das Nações Unidas e instou-os a incluir no texto uma referência específica às leis internacionais sobre direitos humanos.

Em carta datada de 6 de outubro, na qual felicita os sete Estados patrocinadores - Argentina, Austrália, Costa Rica, Finlândia, Japão, Reino Unido e Suíça - por seu trabalho sobre o projeto de resolução, o secretário geral do CMI, Samuel Kobia, advoga "um tratado geral e legalmente vincular" que assegure que as transferências de armas sejam "limitadas e autorizadas, assim como legais". Kobia também pediu que as "transferências ao mercado negro" sejam suspensas e que os seus provedores sejam declarados "parcialmente responsáveis pelas violações de direitos humanos cometidas com seus produtos".

Quando se trata dos direitos humanos, diz Kobia, a atenção aos beneficiários finais do tratado - as populações que devem ser protegidas – torna-se imperativo uma inclusão no projeto de resolução das "leis internacionais sobre direitos humanos".

O secretário geral do CMI aponta na carta a urgência de um controle mundial de armas, quando "a cada semana, em cada região, a proliferação de armamentos causa mortes violentas, sofrimentos agudos e um desvio inescrupuloso de recursos que deveriam destinar-se à paz".

-------------------------------------------
Agencia Latinoamericana y Caribeña de Comunicación

Verso e Voz — 11 de outubro

Ouvi esta palavra, vacas de Basã, que estais no monte de Samaria, oprimis os/as pobres, esmagais os/as necessitados/as e dizeis a vosso marido: Dá cá, e bebamos. Jurou o Senhor Deus, pela sua santidade, que dias estão para vir sobre vós, em que vos levarão com anzóis e as vossas restantes com fisga de pesca. Saireis cada uma em frente de si pelas brechas e vos lançareis para Hermom, disse o Senhor. — Amós 4.1-3

“Tantas vezes o preço extraído da sociedade para ter segurança e respeitabilidade é que o movimento cristão na sua expressão formal deve estar no lado dos/as fortes contra os/as fracos/as. Isso é uma questão de significância tremenda, por que revela até que grau a religião que nasceu do um povo que conheceu a perseguição e sofrimento tem se tornado uma pedra fundamental da civilização e das nações cuja posição na vida moderna tem sido assegurada pelo uso demasiadamente cruel de poder aplicado ao povo fraco e sem defesa”. — Howard Thurman

www.sojo.net

10 outubro, 2006

Moralismo, ineficiência e atraso

Por: Leonardo Avritzer *

Geraldo Alckimin é um candidato conservador nos dois principais significados que o termo permite: no de preservar o status quo dos setores dominantes da sociedade brasileira e no de capitanear uma reação conservadora nas poucas áreas nas quais o Brasil mudou nos últimos anos: nos campos do pluralismo moral e religioso, das políticas heterodoxas na economia e das políticas de direitos humanos. Permitam-me elaborar de que maneira Alckmin é conservador em cada um deles.

Nos governos FHC e Lula, o Brasil avançou significativamente na separação entre religião e Estado e na aceitação do pluralismo religioso.

Essa é uma dimensão central do republicanismo e de um importante processo de pluralização moral da sociedade brasileira. Alckmin parece ser, nesse quesito, o mais conservador dos candidatos à Presidência desde a redemocratização. Suas relações com o Opus Dei incluem, segundo a revista "Época", ter um confessor ligado à ordem e realizar reuniões periódicas com membros da ordem no Palácio dos Bandeirantes. Essas relações revelam uma mistura perigosa entre religião e Estado e entre público e privado.

Além disso, o Opus Dei é conhecido internacionalmente por ligações escusas e secretas com o poder político. Alckmin rejeitou falar sobre suas relações com o Opus Dei na campanha. O Brasil pode se surpreender com essas relações caso escolha Alckmin.

No que diz respeito à questão econômica, um consenso tem se formado no Brasil nos últimos anos acerca dos limites das políticas neoliberais.

Os quatro anos do segundo mandato FHC foram os anos de menor crescimento econômico na história recente do país. O crescimento nos últimos quatro anos foi um pouco melhor, mas aquém do que o país necessita.

Nesse momento, o consenso maior dentro do governo Lula é por uma política mais agressiva de crescimento econômico. Alckmin tende a reverter o debate econômico na direção da retomada das privatizações.

Segundo a revista "Exame", Alckmin estaria muito próximo de economistas liberais ortodoxos como Malan, Armínio Fraga e José Pastore. Suas prioridades para a economia seriam o corte de gastos públicos, uma nova reforma previdenciária e a retomada das privatizações.

No caso mais conhecido de privatização hoje em São Paulo, o da linha 4 do Metrô, o Estado investirá 70% dos recursos, e a receita tarifária ficará integralmente com o parceiro privado por 30 anos. Esse é o padrão de privatização que podemos esperar em uma era Alckmin. Ele certamente significará índices muito baixos ou nulos de crescimento econômico motivados pelo fundamentalismo neoliberal.

O último ponto é a política de segurança e de direitos humanos. Alckmin tem uma política de segurança que, ao mesmo tempo, desrespeita os direitos humanos e é ineficiente. A sua apologia da violência policial e sua política carcerária parecem ter sido capazes de conjugar o pior dos dois mundos. O resultado todos conhecem: o aumento da população carcerária do Estado somente ampliou a vulnerabilidade do cidadão comum e sua insegurança física.

Nesse caso, o conservadorismo tem duas facetas: a incapacidade de pensar uma política de segurança moderna, aliada ao desrespeito secular das elites pelos direitos da população mais pobre. O resultado, mais uma vez, é uma política conservadora tanto nas suas concepções morais quanto no seu resultado administrativo.

Responder se Alckmin é um candidato conservador não significa necessariamente fazer um juízo de valor acerca do conservadorismo. Afinal, existem momentos nos quais conservar elementos da ordem política pode ser considerado uma atitude positiva.

Mas não é esse o caso da candidatura Alckmin. Ela é conservadora em dois sentidos muito específicos: no de querer retornar a um status quo que não permitirá o crescimento econômico nos próximos anos e no de querer insistir em valores morais próprios de uma sociedade oligárquica que contrariam uma agenda de ampliação de direitos no país.

-------------------
* LEONARDO AVRITZER, 47, mestre em ciência política e doutor em sociologia, é professor do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Fonte: Folha de São Paulo, Tendências/Debates, 7/10/2006

Religião cristã vira disciplina nas escolas israelenses

Da Efe, em Jerusalém

Os estudantes do ensino médio de Israel terão a oportunidade de conhecer pela primeira vez a religião cristã, disciplina que será oferecida nos centros em que os jovens árabes estudam. O Ministério da Educação informa que está analisando a abertura desta disciplina a estudantes da maioria judaica do país na Terra Santa, onde Jesus nasceu, pregou e foi crucificado, segunda a edição digital do jornal "Yedioth Ahronoth".

Atualmente, 30 mil estudantes da minoria árabe e membros da comunidade cristã poderão assistir a partir deste ano letivo ao curso de religião que será oferecido em suas escolas. Os cristãos árabes, em sua maioria da Igreja Greco-Ortodoxa, são menos de 5% dos 1,1 milhão de membros da minoria árabe, que representa 20% dos cidadãos de Israel. A maioria judaica conta com mais de 5 milhões de membros.

A diretora do Departamento Pedagógico do Ministério da Educação, professora Anat Zohar, afirmou que a disciplina foi incorporada nos programas de estudos e que o oferecimento do
curso a estudantes judeus "será estudado minuciosamente e a decisão será adotada ainda este ano". Representantes de todas as denominações da igreja, as do Ocidente e as do Oriente, desde a católica até as ortodoxas, foram consultados para a elaboração da disciplina, que agora faz parte dos estudos obrigatórios de religião nos colégios, segundo o jornal. O programa de estudos aprovado foi elaborado para os adolescentes que cursam os últimos três anos do ensino médio.

Fonte: Folha OnLine, 8/10/2006

Verso e Voz — 10 de outubro

O/A rico/a e o/a pobre se encontram; a um/a e a outro/a faz o Senhor. — Provérbios 2.2

“Conheçerá a verdade, e a verdade lhe fará diferente”. — Flannery O'Connor

www.sojo.net

Bispo metodista pede união do povo em torno de Morales

Por: Claudia Florentin

LA PAZ, 9 de outubro (ALC) – A liderança da Igreja Metodista reuniu-se com o presidente Evo Morales e pediu, diante de rumores de golpe de estado e conflitos sociais, a unidade do povo boliviano. O conflito deflagrado na semana passada nas minas em Huanuni, no Departamento de Potosí, ameaça estender-se a outros setores.

Nota do analista internacional Heinz Dieterich, publicada na sexta-feira em várias agências noticiosas, desenvolve a teoria de complô e golpe de estado programado para esses dias contra o governo de Evo Morales.

A nota diz, no seu primeiro parágrafo: “Há poucas semanas, oficiais da polícia boliviana aproximaram-se de generais das Forças Armadas da Bolívia (FAB) investigando sua disposição para dar um golpe de estado. Um dos militares-chave para o êxito do golpe negou-se a participar e informou-o ao presidente. Seguem os preparativos sem ele. E seguem os anúncios no rádio que elogiam o ‘exército patriótico que matou Che Guevara e a subversão’”.

Dieterich afirma que os Estados beneficiados pela economia tradicional opõem-se à Assembléia Constituinte e que tramam, esta semana, com o aval e o apoio de transnacionais e de governos que têm uma lamentável história de intromissões nos governos latino-americanos.

O analista alemão afirma: “Os governadores dos Estados estratégicos e separatistas de Beni, Pando, Santa Cruz de la Sierra e Tarija promovem a conformação dos chamados ‘Comitê Civis’, que são as cabeças de lança da subversão política visível. Tantos os governadores, como os comitês cívicos, entraram em franca rebelião contra o governo constitucional de Evo Morales, ao declarar que ‘não acatarão a Constituição política do Estado emergente da Assembléia Constituinte, no caso dela não ser aprovada em todos os seus artigos pelos dois terços dos votos’ dos constituintes. Eles advertem avançar nas ‘autonomias departamentais’, se não for cumprida essa condição”.

Diante desse difícil e complexo panorama encontra-se o ex-dirigente cocaleiro na presidência do país andino e toda a sociedade boliviana. A Igreja Evangélica Metodista Boliviana (IEMB) conclamou, na semana passada, à união do povo.

Em diálogo com a ALC, o bispo Carlos Poma reconheceu que ouviu rumores de desestabilização, mas que não conta como uma certeza. Diante dos conflitos sociais e políticos, a IEMB convocou suas igrejas a abrirem os templos “para quem quiser poder neles orar, fazer vigílias, jejuns e orações pelos mortos, pelos órfãos e viúvas, pelos feridos, pelas feridas da sociedade”.

Os metodistas também pediram às igrejas que ajudem com paramédicos, medicamentos e ações concretas, e “chamamos o povo boliviano e a comunidade mundial a apoiar a democracia na Bolívia, a não desestabilizá-la”, informou Poma.

No encontro que mantiveram com o presidente Evo Morales, há dias, os líderes metodistas oraram com ele, e asseguraram-lhe o apoio da IEMB, enquanto as políticas desenvolvidas pelo seu governo forem de unidade do povo boliviano. Mas também disseram que não hesitarão em levantar a voz profética para apontar erros cometidos pelo governo.

“Pedimos-lhe que se dirija ao povo como um pai de todos os boliviano. As pessoas necessitam ouvir uma voz de afeto e contenção, de aceitação e ele tem essa responsabilidade para unir assim o povo”, disse Poma.

O bispo metodista boliviano pediu que a mídia, as igrejas e a sociedade apóiem o povo boliviano. “Pediria a todo o povo da Bolívia que não se esqueça de dialogar. O diálogo evita muitos males”, recomendou.

Poma também tem uma palavra aos que pensam em desestabilizar o governo: “Que ponham a mão no peito e pensem que conseqüências os seus atos teriam, quem serão prejudicados, que, seguramente, não são os governos ou os políticos, mas as pessoas do povo, as crianças, os marginalizados de sempre”, alertou.

---------------------------------------------
Agencia Latinoamericana y Caribeña de Comunicación

Rafael Cepeda internado em estado grave

Por: José Aurelio Paz

HAVANA, 9 de outubro (ALC) - O dr. Rafael Cepeda, um dos fundadores e presidente do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC), antigo Conselho de Igrejas Evangélicas, está internado na unidade de tratamento intensivo do hospital Julio Trigo, de Havana.

Conhecido no mundo ecumênico mundial por suas contribuições e seu amplo pensamento teológico de vanguarda, Cepeda apresenta quadro de extrema gravidade, em decorrência de um longo processo de deficiência neurológica, que o aflige há tempo.

Numerosos e profundos foram seus textos referidos ao pensamento de José Martí, o apóstolo de Cuba, vinculados à ética cristã. A vigência de suas idéias é marcada pelo alto sentido de patriotismo que sempre acompanhou sua ação e testemunho como pastor da Igreja Presbiteriana-Reformada da ilha, cargo que exerceu por muitos anos, e como professor e líder de várias gerações de cubanos.

Seu mais recente livro, editado pelo Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), "O tempo e as palavras", recolhe o mais significativo de seu pensamento teológico.

O texto, apresentado no ano passado, afirma que a desmedida preocupação pelo cotidiano é uma perda de confiança em Deus. “Antecipar os problemas e começar a preocupar-se com eles antes de que cheguem é uma das maiores estupidezes que comete a raça humana.”

E sobre o mesmo tema apontou: “Para um cristão, o verdadeiro gozo da possessão das coisas materiais consiste na oportunidade de dá-las a outros que não as têm, de compartilhá-las e reparti-las, de modo que todos alcancem um pedacinho de felicidade.”

O teólogo presbiteriano deixou sua marca junto às mais destacadas figuras do ecumenismo latino-americano a partir da perspectiva de compromisso social da fé, como é o caso do pastor Emilio Castro, que escreveu o prólogo do livro que recolhe, como homenagem em vida, todo o material disperso que permanecia inédito nas gavetas do autor.

--------------------------------------------------
Agencia Latinoamericana y Caribeña de Comunicación

Acalanto para afastar bicho-papão

Por: Marcelo Barros *

As histórias infantis gostam de falar em encantamentos que se apoderam das pessoas, como um sono mortífero, do qual só uma vara de condão ou um beijo do príncipe encantado pode libertar. No mundo atual, este encantamento não tem ocorrido por algum pó de pirilipimpim, mas pelo sortilégio da propaganda que escolhe crianças e jovens como alvo prioritário e as seduz como clientes de um consumo que vicia como droga. E, quanto mais consumismo, mais angústia e divisão interior.

É verdade que 42 milhões de brasileiros, ainda reduzidos à extrema pobreza, nem têm como cair na sedução do consumo. Entretanto, são igualmente vítimas da publicidade que os hipnotiza com força e crueldade maior ainda, visto a distância entre o desejo e as possibilidades reais de consumo. Quantas crianças e adolescentes, vivendo em situação de extrema pobreza, vivem em função de desejos de consumo que se tornam verdadeiros fetiches.

No clássico Doskedaden, o cineasta Akira Kurosawa mostra o menino pobre que se imagina um trem e passa o filme inteiro gritando "dos-ke-da dem", como ele supõe ser a cantiga da locomotiva. No entanto, mostra também o olhar da mãe que vê um barraco fétido e, em sua imaginação, o transforma em um palácio colorido. É também, certamente, certa magia ilusória que leva à invasão idólatra de shoppings, muitos jovens e crianças pobres que se endividam até a alma para usar o tênis da moda ou a roupa do momento. Hoje, um bilhão e meio de pobres tem menos de 18 anos. Enquanto a sala de visita do mundo parece luminosa e sedutora, a realidade de dentro dos lares é bem mais trágica. 150 milhões de crianças sofrem de má nutrição e não têm acesso à escola.

A cada ano, morrem 15 milhões de menores de cinco anos. E neste mundo da "criança esperança", dez milhões ainda vivem como "meninos de rua". Não há dados sobre quantas crianças são vítimas de violência sexual. O fato é que, em todos os continentes, elas continuam sofrendo todo tipo de desrespeitos, violências e crueldades. "Conforme estudo da ONU publicado neste início de outubro, grande parte da violência contra as crianças no mundo continua"invisível" para a Justiça, já que ocorre em casa, nas escolas e na comunidade onde elas vivem. (...) Por ano, 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos são forçados a ter relação sexual e entre 100 e 140 milhões de meninas sofrem mutilação genital". (O Estado de S.Paulo, 04/10/2006, p. C8). É de monstruosidades como estas que precisamos resgatar nossas crianças.

A ONU aprovou a Convenção Internacional dos Direitos da Criança em 1989. O acordo foi assinado por todos os países, com exceção de dois: a Somália e, por mais estranho que possa parecer, os Estados Unidos, cujo governo continua ameaçando invadir países pobres, sob o pretexto de que não respeitam a democracia e os direitos humanos. Mas dentro do território dos Estados Unidos, empresas exploram o trabalho dos menores em tarefas pesadas e o governo norte-americano faz vistas grossas à utilização de crianças como armas de guerra contra o "terrorismo", pelos aliados. Para as famílias que festejam o dia das crianças, talvez estas preocupações pareçam longínquas. Entretanto, o melhor presente que se pode oferecer às crianças é garantir as condições para que adquiram a consciência de sua dignidade; a segurança de serem o que são e a liberdade íntima de não ser dependente do consumo que mascara as verdadeiras necessidades da vida - que já são tantas. Em tal ambiente, pensarão nas outras crianças de todo o mundo e formadas, serão impelidas ao compromisso de defender a dignidade de todos. Este é um apelo que toca a todos os homens e mulheres sensíveis à justiça, e deve ser imperioso aos que crêem em um Deus que se revela no rosto inocente dos menores.

A tradição espiritual judaico-cristã coloca a criança no centro da vida social. Conforme a Bíblia, para as comunidades judaicas e cristãs, a criança é revelação do rosto de Deus Amor. No Evangelho, Jesus Cristo revela a opção que Deus assume de se mostrar pequeno e junto com os pequeninos. Ele fez de cada criança, sinal do Reino de Deus e disse ao seu grupo de discípulos e discípulas:

"Quem acolhe a uma criança no meu nome, é a mim que acolhe" (Lc 9, 37).

* Monge beneditino e autor de 26 livros. mosteirodegoias@cultura.com.br

Fonte: Adital

09 outubro, 2006

Verso e Voz — 09 de outubro

Amai, porém, os vossos inimigos e inimigas, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos e filhas de Deus. Pois Deus é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Deus. — Lucas 6.35-36

“Por que viver? Para amar e relacionar-se fraternalmente com o outros e outras feito próximo/a e irmão/ã. Viver assim implica superar todo ódio e instinto de egoísmo e vingança segundo a carne. Viver segundo o espírito encerra uma total reconciliação até com o inimigo/a; quem viver a partir de Deus, começa a agir como Deus que ‘ama os ingratos e maus’ e ‘dá o sol e a chuva a justos e injustos’”. — Leonardo Boff

Vida Segundo o Espírito

Jorge Pixley, actuales desafíos latinoamericanos

Por: Lucas Almada (*)

El teólogo Jorge Pixley, visitará la Argentina. invitado por la Cátedra Ecuménica Mundo Nuevo, con motivo del Encuentro de Biblistas organizado por la Revista Interpretación Bíblica Latinoamericana (RIBLA).

Pixley participará de una jornada de reflexión en Rosario, Santa Fe, el sábado 28 de octubre, en un taller ecuménico de estudios bíblicos destinado a dirigentes religiosos de distintas tradiciones y denominaciones, católicos y evangélicos alrededor de la pregunta “¿Es posible hoy una evangelización no imperialista?” y una conferencia pública sobre “Retos actuales del ecumenismo y del diálogo interreligioso”

El Dr. Jorge Pixley, pastor Bautista, especialista en Estudios Bíblicos, doctorado en la Universidad de Chicago desarrolló su carrera docente en América Latina en Puerto Rico (1963-1975), México (1975- 1985) y Managua (1986-2002). Hubo un interludio de un año en Argentina entre 1969 y ’70 como docente en la Facultad Evangélica de Teología y la Facultad Luterana de Teología. Desde octubre del 2002, él y su esposa se jubilaron y residen en California, EEUU.

El pensamiento y la vida de Pixley desafía a la vivencia de un evangelio que no puede desvincularse de la realidad que viven los cristianos hoy y a poner en primer plano la defensa de la vida en la relación entre los pueblos porque “Para acabar con el cristianismo de tipo Hernán Cortés necesitamos rechazar toda teología que ponga la defensa de la verdad por encima de la defensa de la vida.”

En este sentido se desarrolló la entrevista con Pixley, por medio de internet, acerca de la realidad latinoamericana y el rol de los cristianos y la teología hoy.

PE. ¿Cuál fue la participación de los cristianos en la revolución y la post revolución sandinista?

Jorge Pixley. Entre católicos fueron mayormente grupos de estudiantes y de comunidades de base que participaron en diversas actividades. Algunos de los más conocidos fueron sacerdotes que sirvieron en puestos destacados del estado, como Miguel D'Escoto, ministro de Relaciones Exteriores, Ernesto Cardenal, ministro de Cultura, y Fernando Cardenal, ministro de Educación Pública.

Desde un comienzo, un reconocidísimo pastor bautista jubilado, el Dr. José María Ruiz, sirvió en el Consejo de Estado y luego en la Asamblea Nacional. El laico bautista Sixto Ulloa ocupó un curul en la Asamblea y fue el lazo principal entre el gobierno y las iglesias evangélicas. Hubo excelentes relaciones entre la Convención Bautista y el gobierno sandinista, aunque siempre hubo una minoría de oposición. Muchas iglesias tuvieron que lidiar con divisiones internas. En mi iglesia, la Primera Bautista de Managua, hubo una clase de Escuela Dominical "sandinista" y otra "anti-sandinista"

PE. ¿Cómo se entiende la coalición que se esta formando entre “sandinistas” y “contras” para la próxima elección que lleva a Ortega como candidato a la presidencia?

JP. Ortega viene promoviendo una coalición amplia hace tiempo. Me parece una copia de Lula en Brasil. Lógicamente, tiene que ceder puestos en un hipotético gobierno sandinista a sus aliados.

PE. ¿Cuáles son los desafíos actuales en la América Latina de Lula, Chávez, Bachelet, Evo Morales y Kirchner?

JP. Siempre, el desafío primero es dirigir una economía que sirva a los pobres sin colapsar. Hasta el momento, parece que Chávez es el único que lo está haciendo con éxito, ayudado por el petróleo que tiene su país.

PE. ¿Cómo ve el rol de los cristianos en estos momentos en América Latina y el mundo?

JP. Evidentemente, hay grandes diferencias entre distintos países. En general es la necesidad de formar a nuestra gente en los peligros de la economía globalizada y del imperialismo norteamericano.

PE. ¿Cuáles son los desafíos para el movimiento ecuménico y para el pensamiento teológico latinoamericano?

JP. Crear conciencia del "Dios de los pobres" y de la necesidad de fomentar unión en la diversidad. En esto último, un reto principal del ecumenismo es abrir diálogos con las religiones indígenas, africanas, islámica y judía donde estas existen.+ (PE)

(*), Lucas Almada, periodista, reside en Rosario, Santa Fe, Argentina.

PreNot 6257
061009

09/10/06 - PreNot 6257

Agencia de Noticias Prensa Ecuménica
598 2 619 2518 Espinosa 1493. Montevideo. Uruguay
www.ecupres.com.ar asicardi@ecupres.com.ar

Heloisa Helena nunca representará as mulheres do Brasil

Por: Maria Newnum

Quase 52% do eleitorado brasileiro constituí-se de mulheres. É, ou deveria ser ultrajante o fato de que apenas duas, tenham concorrido à cadeira da presidência em 2006.

Lastimável, que a candidata de maior destaque tenha sido a raivosa Heloisa Helena; a mesma que foi expulsa do Partido dos Trabalhadores e que ao invés de demonstrar que mulheres não agem com a mesma truculência de certos homens; repetiu a fórmula avisando que quem se manifestar publicamente a favor de Lula ou Alckmin será expulso do minúsculo PSOL.

Por essas e outras, Heloisa Helena deixa evidente sua inaptidão de representar as brasileiras, as quais se quisessem, poderiam definir todos os cargos políticos do país.

Como afirmam alguns, não são os quesitos superficiais de beleza e charme que incapacitam Heloisa Helena de representar as brasileiras, mas o quesito “coerência”.

A primeira oportunidade que poderia demonstrar o contrário foi perdida antes mesmo de laçar-se candidata. Uniu-se a um dos que sempre considerou “espúria da sociedade capitalista, político carreirista e coronel da Bahia”. Isso mesmo, fez conchavo com Antônio Carlos Magalhães e passou a chamá-lo de “Paim”, (traduzindo: paizinho) na tentativa de aprovar um salário mínimo que traria rombo estratosférico ao país, simplesmente pela motivação de colocar Lula numa “saia justa” perante a classe trabalhadora.

Na ocasião que anunciou a expulsão, chegou ao ponto de conceder “liberdade” a seu eleitorado para votar em qualquer um dos candidatos e afirmou que o fato do PSOL não apoiar nenhum deles, não significa que o partido esteja “lavando as mãos” ou “em cima do muro”. Vejam! Ela deu liberdade aos libertos! Vejam! Ela não lavou as mãos!

É verdade que o estereótipo de mulher machona, deselegante e sem chame não traduz o perfil imposto mundialmente sobre as brasileiras, contudo, é a truculência, a incoerência, a arrogância e o discurso vazio, que inabilita Heloisa Helena de representá-las.

Para as próximas eleições, vale relembrar: As mulheres podem decidir “todos” os cargos políticos do Brasil. Que não elejam apenas homens. Que apontem mulheres que representem a mulher brasileira naquilo que é característica fundamental das bonitas e feias, das letradas e analfabetas, donas de casa e empresárias, pobres e ricas, charmosas e menos charmosas: A ética e a coerência.

Heloisa Helena não serve.
__________
Maria Newnum é pedagoga, mestre em teologia prática, vice-presidente do Movimento Ecumênico de Maringá e Coordenadora da Spiritual care Consultoria.
Para comentar ou ler outros artigos acesse:
LittleThinks
Outros artigos de Maria em M
aringa.news

08 outubro, 2006

Ser metodista hoy en America Latina

Por: Mortimer Arias

Estuve hojeando el tomo VI de las Obras de Wesley en español que recoge trabajos de Juan Wesley para responder a los ataques y críticas al movimiento metodista original. Una de las críticas, especialmente de algunos líderes de la Iglesia Anglicana, a mediados del siglo XVIII, era la de ser “entusiastas”. Esa palabra , en el contexto racionalista y deísta de esa época y lugar, significaba algo así como “fanático”, dado a expresiones emocionales e individualistas de la fe religiosa. Algo que no caía bien en una sociedad que rendía culto a lo “razonable”, lo moderado, lo equilibrado, especialmente en materia religiosa.

Wesley escribió tres “Llamados a Personas Razonables y Religiosas” en defensa del movimiento de renovación espiritual que comenzaba a difundirse por su intermedio en las Islas Británicas, clarificando el sentido de lo “razonable” y lo “entusiasta”.

El contexto religioso pluralista de nuestros días en América Latina, con presencia de iglesias metodistas que llegaron hace más de un siglo a nuestros países, junto a nuevas iglesias y movimientos religiosos desprendidos de diversas vertientes wesleyanas en las Américas del Norte, del Centro y del Sur, es bastante diferente del contexto británico del siglo XVIII (con Iglesia Establecida e iglesias disidentes), aunque existen paralelos indudables.

Al repasar la argumentación de Juan Wesley me surgió la pregunta sobre ¿cómo concebimos hoy la identidad metodista? Los metodistas de hoy ¿somos “razonables” o “entusiastas”? ¿o “razonables” y “entusiastas”?

Wesley respondía a esta cuestión, en el volumen de marras, con su característico uso de la lógica aprendida y enseñada en la Universidad de Oxford y su dominio del texto de la Escritura.

1. “Una religión razonable” ¡por supuesto!

Wesley comienza por una afirmación muy clara y general sobre la esencia de la fe cristiana, que no es obra humana sino don de Dios: “Esta religión no es otra cosa que el amor: el amor de Dios y de toda la humanidad. El amar con toda la mente, con todo el corazón, y con todas las fuerzas al Dios que nos amó primero, fuente de todo don recibido y de toda esperanza por disfrutar. Y amar, como a nuestra propia alma, a toda alma que Dios ha creado, todo ser humano sobre la tierra.

¿No es esto razonable? “Creemos que este amor es la medicina de toda la vida, el remedio infalible para todos los males de este mundo dersordenado, para todos los vicios y miserias humanas. Donde esto se da, la felicidad y la virtud van de la mano: florecen la humildad de espíritu, la amabilidad, la longanimidad, la misma imagen de Dios, y aflora al mismo tiempo una paz que sobrepasa todo entendimiento y un gozo inefable y glorioso” (Fil. 4:7; 1 Pedro 1:8).

Esta es la religión que quisiéramos ver establecida en el mundo, una religión de amor, de gozo, de paz, asentada en lo más profundo del alma, pero con frutos siempre renovados... ¿Objetarás tú a una religión así, diciendo que no es razonable?¿No es razonable, entonces, amar a Dios? ¿No te ha dado Dios vida, aliento y todas las cosas?...¿Qué tienes que no hayas recibido?... Puesto que Dios es el Padre de toda cosa buena, es razonable amarle con todo corazón... ¿No es razonable, también, amar al prójimo, a toda persona que Dios ha hecho? ¿No somos hermanos, hijos de un mismo Padre?...

Razonable, claro... pero creerlo, esperarlo y propagarlo ¡no deja de ser entusiasmo! O fanatismo, para los “razonables” de entonces y tal vez para los “realistas” de hoy...

Wesley procede, reiteradamente, a explicarlo y a fundamentarlo, como es usual en él, con sólida base bíblica y apelación a la experiencia.

2. Un movimiento “entusiasta” ¿en qué sentido?

Lo que los críticos llamaban “entusiasmo”, o fanatismo, era el énfasis en que estas creencias pueden experimentarse como una realidad y con una certeza personal, además de ser la confirmación de la Escritura.

Por ejemplo, las metáforas bíblicas de Wesley sobre la fe: “La fe es la demostración de las cosas que no se ven” (Heb. 11:1)... es la evidencia divina por la cual la persona espiritual puede discernir para el mundo espiritual lo que los sentidos son para el mundo natural...”

Y Wesley intenta explicarlo de una manera sencilla y razonable: La fe, según el relato bíblico es “el ojo del alma” por la cual el verdadero creyente ve al que es invisible (Heb. 11:27)... es “el oído del alma” por medio del cual el pecador oye la voz del Hijo de Dios y vive (Jn 5:25, Mr 2:5). Y, “si se me permite” - continúa Wesley- la fe es “el paladar del alma”. Por ella el creyente “saborea” la buena Palabra de Dios, “gusta” y ve que Dios es bondadoso, sí, y misericordioso para con el pecador...(Heb. 6:5; Sal 34:8).

En otro tratado, sobre “Las Marcas de un Metodista”,Wesley sintetiza el tema, como es su costumbre, con un texto bíblico: “metodista es uno que tiene el amor de Dios derramado en su corazón por el Espíritu Santo que nos es dado” (Rom. 5:5).

3. Razonable y entusuasta ¿en America Latina?

En América Latina, estamos viviendo dentro de la explosión del pentecostalismo y del neo-pentecostalismo, así como del “entusiasmo” individualista de los “nuevos movimientos religiosos” y las “espiritualidades alternativas”.

Así que, mientras algunas iglesias metodistas se han “pentecostalizado”, en la forma y el fervor de sus cultos (el lenguaje de la “alabanza”, los testimonios personales tomando prominencia), otras iglesias y creyentes metodistas toman distancia del lenguaje de otros grupos evangélicos. El lenguaje de muchas declaraciones de iglesias metodistas suena más a “ecuménico”, “social”, “racional” que a personal o entusiasta.

Nos parece, sin embargo, que, en línea con nuestra herencia metodista, lo razonable no quita lo entusiasta, y viceversa; lo social no excluye sino que exige, lo personal; lo litúrgico no funciona sin la celebración personal y colectiva.

Es interesante notar que la Iglesia Anglicana del tiempo de Wesley conservaba ese lenguaje personal de la fe, expresado en forma corporativa, a través de la liturgia, manteniendo la riqueza de la espiritualidad cristiana histórica. Wesley daba una importancia fundamental a la liturgia, recogida en el Libro de Oración Común, en el orden de culto y especialmente en la celebración regular de la Santa Cena o Eucaristía.

Pero fue en la himnología, generada por el movimiento y la experiencia metodista, que vino el aporte específico del “entusiasmo” de la fe personal, sentida, afirmada, proclamada y... cantada. Carlos Wesley (cuyo tricentenario de su nacimiento se celebrará en 2007) fue “el cantor del metodismo” que dio curso al “entusiasmo” de la experiencia personal. De sus más de 6000 himnos identificados, muchos enriquecen todavía los himnarios de todas las denominaciones cristianas.

Tal vez los metodistas de hoy preservan esta espiritualidad personalizada, a la vez que corporativa, a través de la liturgia y el canto, aunque la moda de los “cancioneros” y la popularidad de ciertos temas y músicas han ido haciendo más selectivos nuestros himnarios. Además del nuevo recurso de difundir y apropiarse de liturgias e himnos a través de grabaciones y de la red electrónica.

Esto me recuerda la observación del Pastor Legrand B. Smith, gran aficionado a la himnología, de que nuestras iglesias deben mantener las dos cosas: el “himnario”, con toda su riqueza de la herencia espiritual de siglos de la Iglesia Cristiana, y los “cancioneros” que recogen los nuevos himnos que van surgiendo en el camino, más contextualizados a un momento y lugar, y por lo tanto provisorios y revisables con más frecuencia.

Todo esto nos sugiere la importancia de que los metodistas latinoamericanos, y todos los que de alguna manera proceden de la vertiente wesleyana de las iglesias evangélicas, nos planteemos la pregunta ¿somos racionales o entusiastas?, o, ¿somos racionales y entusiastas en su sentido más inclusivo?

Es que el metodismo, como lo entendía Wesley, no pretende ser otra cosa que una expresión del “antiguo cristianismo” y la antigua fe bíblica del amor a Dios con toda la mente, con todo el corazón, con todas las fuerzas y con todo el ser. Y que requiere de todo el entusiasmo humano para celebrarlo, como lo expresa Carlos Wesley:

Mil lenguas para celebrar
a mi Libertador,
las glorias de su majestad,
el triunfo de su amor.


Mortimer Arias
Colonia Valdense, Primavera de 2006