26 agosto, 2006

Meditação Diária 27 de Agosto

Sintonizado com nossos clamores - Salmo 86.1-7

Escuta, Senhor, a minha oração e atende à voz das minhas súplicas. Salmo 86.6

Numa manhã, na pequena igreja que freqüento, vi um lindo retrato de como Deus se preocupa conosco. Debbie acabava de descer da galeria do coral para se sentar ao lado de seu marido quando a porta do salão se abriu para um recém-chegado. Naquele exato instante, um bebê começou a chorar no berçário, no fim do corredor.

Debbie se levantou e saiu apressada do templo. Ela conhecia o choro de seu filhinho de três meses.

Pensei: Há outros bebês no berçário. Como a Debbie soube que era o Jeremias quem chorava?. Jeremias é seu filho; ela o deu à luz, o alimenta e conforta. Ela reconhece seu choro porque seu ouvido está sintonizado para ouvi-lo, quer ele grite a plenos pulmões ou choramingue baixinho.

Como Debbie com Jeremias, Deus está sintonizado comigo, sua filha. Em 1 Pedro 3.12, se diz: "Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas". Deus nos ouve quando choramos de dor, raiva, tristeza ou frustração. Se eu apenas choramingar, ainda assim Deus me ouvirá. Podemos confiar em nEle como um pai amoroso, que conhece a nossa voz e ouve quando clamamos.

Oração: Deus amoroso, trazemos confiantemente os nossos pedidos a Ti, certos de que Tu ouvirás e responderás. Em nome de Jesus. Amém.

Pensamento para o dia:
Deus ouve o nosso lamento e vem até nós.

Gwen Rice Clark (Ohio, EUA) -

Extraído: No Cenáculo guia devocional diário julho/agosto 2006

Adubação nitrogenada

Trabalhando em uma cooperativa agropecuária aprendi que as chuvas de verão, que normalmente se apresentam com fortes trovões e raios, apesar de seu aspecto assustador, trazem benefícios significativos para a plantação, especialmente para as gramíneas.

A explicação é que as descargas elétricas disponibilizam porções generosas de nitrogênio, elemento essencial para o milho e o arroz, por exemplo, chegando a quantias que vão até 70 kg/ha durante todo o ciclo!

Com esta lembrança, me surpreendi pensando no momento em que vivemos, especificamente em relação à intolerância, já que esta tem sido uma prática bastante freqüente e absurdamente destruidora.

Seja olhando para os conflitos do Oriente ou paras as discussões nas rodas de amigos, a capacidade de tolerar e conviver tem sido cada mais difícil... pelos mais diversos motivos as pessoas se afastam umas das outras por conta das diferenças de pensamento, de gosto ou de opção... mesmo que as questões nem sejam tão graves, a separação tem sido a alternativa mais escolhida.

Não é exagero dizer que as nuvens da intolerância pairam sobre o mundo... em diversos momentos somos apanhados/as no repente pelas tempestades, ventos, raios e trovões dela... que amedrontam, apavoram, fazendo escurecer os pensamentos, causando agitação e transtorno nos mais diferentes níveis da vida humana.

Nossos dias estão sendo marcados pelos frutos do fanatismo, do absolutismo, do desrespeito, da descriminação e por todas as formas de segregação.

O diferente, hoje em dia, é objeto de desprezo, simplesmente pelo fato de ser diferente, sem avaliação, sem acolhimento, sem consideração, sem chance!

Como diz Boff, “O mundo está em franco retrocesso. A atual sociedade não se explica mais, como queria a sociologia clássica, por fatores sociais, mas por forças impessoais e não sociais como o medo coletivo, o fundamentalismo, o terrorismo, a balcanização de vastas regiões da Terra e as guerras cada vez mais terroristas por vitimarem populações civis.” (www.leonardoboff.com.br artigos: “O novo paradigma: a guerra infinita”.)

Isto é tão forte e apavorante como as tempestades de verão, mas com um diferencial... isto tem matado em muito maior número do que as tempestades naturais... ainda mais se considerarmos como morte todos os sinais do desprezo e discriminação!

É uma chuva que cai e que mata, de forma assustadora, pessoas, relacionamentos e comunidades!

O lado bom dessa questão é o que chamamos de efeito de adubação destas “descargas de intolerância”. Assim como na agricultura, os efeitos não são totalmente ruins... a chuva forte que causa os estragos da erosão também adubam a plantação promovendo um reverdejar promissor... uma esperança nova, revigorada com os quilos a mais do “nitrogênio da tolerância”!

Se de uma forma os aguaceiros trazem pânico, de outra ele traz esperança de novos brotos, de nova estrutura foliar que, queira ou não, acarretará alguma conseqüência na produção!

Se a intolerância cresce, a ponto de formar densas nuvens, a tolerância, de algum modo também passa a rebrotar em muitos corações e mentes! Por isso, se o pós-chuva tem seus resultados indigestos, saibamos que ele também terá os bons e saborosos, apesar de nem sempre conseguirmos visualizar isto com a mesma urgência da decepção e da tristeza!

Creia, existem lições preciosas da agricultura para a vida! Uma delas é que em certos momentos, crises e horas de escassez podem se reverter em produções fantásticas! Eu poderia citar muitas coisas na agricultura que parecem ser duras e tristes, mas que, aplicadas com técnica e inteligência, tornam-se diferenciais expressivos de produção e lucro! E, com sinceridade, confio bastante nesse Agrônomo Eterno que dirige nossa ‘plantação’!

Se os sinais do extremismo e absolutismo formam suas nuvens, saibamos que o Criador tem seus meios para transformá-las em bênçãos!

Portanto, olhemos mais para os renovos que surgem, frutos das tempestades! Sem dúvida eles já podem ser percebidos... mesmo que ainda hajam rachaduras nos solos da paz, mesmo que existam folhas retorcidas e flores ao chão... mesmo assim, é preciso perceber o verde da esperança!

As tempestades são normais... produtos de nossa humanidade e fraqueza... elas sempre existiram! A serpente do jardim; a inveja de Caim; a esterilidade de Abraão; a cova dos leões; o Egito; o mar vermelho; a cruz; o calvário; o sepulcro... e no entanto, não foram suficientes para destruir o amor, a compaixão, a misericórdia, o perdão, a redenção!

Creiamos que se as tristezas ameaçam, elas também adubam e fortalecem as alegrias!

Na graça e na paz,

Rev. Nilson da Silva Júnior
Pastor Metodista em Cândido Mota – SP
5ª Região Eclesiástica

25 agosto, 2006

O 18º Concílio Geral II e a Agenda Carismática: O QUE PODEMOS ESPERAR?

O que podemos esperar do 18º Concílio Geral II da Igreja Metodista? Para tentar fazer uma previsão seria necessário entender a natureza do fundamentalismo global do qual o Movimento Carismático Brasileiro faz parte. Passamos a traçar um breve perfil geral dos elementos fundamentalistas das três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Todos têm muito em comum e seguem a mesma dinâmica.

O fundamentalismo se baseia no medo. É uma fé combativa e se vê lutando pela sobrevivência num mundo hostil. Vê-se como o único baluarte do bem contra as forças do mal. Está em pé de guerra para defender sua concepção do sagrado que julga ser o único e verdadeiro. Olha com horror e não consegue enxergar com clareza outras manifestações da fé. Lembra apenas os excessos, as crueldades e a intolerância praticadas pelo “outro lado” e não consegue reconciliar-se com os que não compartilham de suas idéias.

Os fundamentalistas protestantes transformam os credos cristãos em fatos científicos e criam um híbrido que não é nem boa ciência, nem boa religião. Deixam de lado ensinamentos de tolerância e de compaixão e cultivam teologias de fúria, de ressentimento e de vingança.

O Movimento Carismático Metodista Brasileiro tem a mesma essência do fundamentalismo global. Confunde o “coração estranhamente aquecido” de João Wesley que cultiva o amor e estende a mão de reconciliação a todos que professam o Cristo com a hostilidade e o preconceito em nome de um imaginário cristianismo puro e verdadeiro. Recusa-se a estender a mão perdoadora. Prefere punir.

Tratando-se de uma fé combativa, são necessários inimigos a serem destruídos ou afastados para se auto justificar. Imaginam estar em guerra contra as forças do mal e professam odiar a tudo que Deus odeia. Elegem-se os escolhidos de Deus para estabelecer o Reino e fazer a justiça. Fazem o papel de juiz e executor, não admitindo nem júri, nem defesa. Não há diálogo.

O primeiro item na agenda carismática, a tomada do poder, já foi concretizado. Após muitos anos de articulações e jogadas políticas em nome do Espírito Santo, conseguem finalmente chegar ao poder. Chega então a hora de impor o restante da sua agenda.

O segundo item será reforçar o poder, destruindo e afastando os “inimigos”. O 18º Concílio Geral II será o início do processo de “caça às bruxas”. O ecumenismo já foi afastado e chegará a vez dos maçons, dos homossexuais, dos liberais, e de todos que têm pensamentos, valores e estilos de vida diferentes do padrão aprovado pelo movimento - tudo em nome de Deus.

O terceiro será moldar as instituições à sua imagem. A Faculdade de Teologia deixará de ser uma instituição de pesquisas e aprendizagem do pensar e passará a ser uma máquina de lavagem cerebral, determinando o que se deve pensar. As instituições de ensino tornar-se-ão instrumentos para promover a igreja mais do que o ser humano.

Para entender melhor o que está acontecendo no seio da Igreja Metodista no Brasil, recomendo a leitura de dois livros:

EM NOME DE DEUS – O Fundamentalismo no Judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo, Karen Armstrong, 2000, Companhia Das Letras, 490 páginas. A autora traça as raízes do fundamentalismo desde o ano 1492 até o início do terceiro milênio.

O POVO DA MENTIRA – A Esperança Humana para a Cura do Mal, M. Scott Peck, 1992, Imago Editora, 326 páginas. O autor demonstra, entre outras coisas, como o mal pode se disfarçar como o bem dentro de instituições religiosas.

Derrel Homer Santee
Campinas, 25 de agosto de 2006

Meditação Diária 26 de Agosto

Dons do Espírito. Para quê eu quero isso?
Texto bíblico base: Lucas 11.5-13

Jesus diz que o amigo que já está na cama com seus filhos se levantará, sim, para atender ao pedido daquele que lhe incomoda no meio da noite. Na seqüência, diz que “Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto” afirmando que “o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem”.

Do que poucos se dão conta no exemplo citado por Jesus é o motivo que leva o amigo a importunar o outro: “Pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me e eu nada tenho para oferecer-lhe”.

Pedia, queria ter, não para si próprio mas para servir. Queria prestar um serviço a alguém que dele necessitava mas não tinha o que oferecer. Então, vai atrás, “se vira” como dizemos no dia-a-dia. Diz para si mesmo que, para servir ao amigo, se fosse preciso iria bater na casa do vizinho já tarde da noite... Tudo para poder servir!

Em nossas orações e também naquelas que ultimamente podemos ouvir nas igrejas, tem sido apresentado a Deus o motivo pelo qual se deseja tão ardentemente que Ele derrame sobre o intercessor/a o Seu Poder e a Sua Graça?

Extraído da Revista Em Marcha – lição 16 (Deptº Nacional de Escola Dominical da Igreja Metodista), 2º semestre de 2006.

Contribuição: Fernando Cezar Moreira Marques - Departamento Nacional de Escola Dominical -
Sede Nacional da Igreja Metodista

Porque sou um Herege

Heresia: Doutrina que se opõe aos dogmas da Igreja. 2. Fam. Absurdo, contra-senso, disparate. 3. Ato ou palavra ofensiva à religião.

Estes são os significados apresentados pelo dicionário Michaelis para a palavra “heresia”. Devo fazer uma confissão, portanto: sou um herege. Muitos já me consideram como tal. No início ficava aborrecido. Não entendia muito bem o queriam dizer ao me classificarem como um “herege”. Mas com o passar do tempo, (dizem que o tempo é ótimo conselheiro e realmente o é!) fui compreendendo o porquê de tal título conferido a minha pessoa. Devo concordar: Sou um herege! E mais: me orgulho disso! Ter orgulho é um sentimento herético, segundo os “santos dogmáticos”, portanto mais uma prova de minha veia herética. Não os culpo de me classificarem dessa forma, tenho uma maneira de pensar e agir que não condiz com a realidade evangélica atual, reconheço que estou fora do perfil do evangélico brasileiro. Talvez faça parte de uma minoria que tenta, de uma forma ou de outra, ter voz em meio à multidão de evangélicos que está tomando conta do país.O teólogo e escritor Rubem Alves define a heresia da seguinte forma: “Heresia é a verdade do mais fraco”. Então, quero mesmo de maneira fraca, fazer ouvir minha voz e tentar explicar porque sou um herege.

Sou herege porque não suporto mais a crença de que o Brasil vai melhorar quando pela rampa do Planalto Central, subir um presidente evangélico. Não acredito nisto, porque tenho aprendido que religião não é sinal de caráter e compromisso com o povo. Há muito tempo nossas igrejas se calaram diante das injustiças e se voltaram para si mesmas preocupadas mais com o novo equipamento de som do que com a escalada do tráfico e da violência, mais interessadas em trazer pseudo-missionários que têm como único objetivo a auto-promoção, do que levar para o convívio da comunidade o sr. José e a d. Maria, moradores da favela, que não podem entregar dízimos regularmente. Podemos até mesmo ter um presidente evangélico, mas antes prefiro, um presidente com verdadeiro compromisso com os valores do Reino de Deus e com a vida humana, sendo este ou esta evangélico ou não.

Sou herege porque cansei de viver em um legalismo hipócrita. Classificam tantas coisas de “mundana”, mas vivem de maneira “mundana”. Esse é um termo que, aliás, abomino. Andam apregoando pelos púlpitos: “Não faça isso ou aquilo”, porém “desprezam a justiça e o amor de Deus” (Lc 11.42). A religião é usada como instrumento controlador de vidas e não promovedora da vida. Dizem que isto ou aquilo é do “diabo”, mas o coração é carregado por coisas realmente diabólicas, como inveja, falso juízo, soberba e outros mais.

Sou herege porque quero ser eu mesmo. Não quero fingir o que não sinto. Quero demonstrar tristeza quando estiver triste, quero chorar quando tiver vontade, não quero mostrar que tenho respostas para tudo, ter o direito à dúvida, ou posso resumir assim: quero ser humano. Posso abrir mão de muitas coisas, mas a partir do momento que abrir mão de minha humanidade, nada mais me resta. Os “perfeitos e certinhos” me cansam! Compartilho das palavras do poeta português Fernando Pessoa quando diz:

“Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?”

(Fernando Pessoa - Poema em Linha Reta)

Sou herege porque encontro mais consolo nos poemas de Cecília Meireles, Fernando Pessoa, na música de Chopin e Bach, do que nos livros evangélicos do tipo: “Como alcançar a salvação em dez passos”, “Como ser eternamente feliz e nunca ficar triste” ou em “louvores” do tipo “faz chover”, “resgate da noiva”, “estou apaixonado”, coisas estranhas e sem sentido. Minha heresia está em encontrar a poesia onde outros vêm abominação, encontrar Deus em meio a beleza e fragilidade humana ao invés dos êxtases e barulhos, na espera sempre de uma manifestação sobrenatural. Sou herege por acreditar que a Vida é mais valiosa para Deus do que dogmas, doutrinas e instituição. Sou herege porque acredito que Jesus, mais do que o caminho e a verdade é a manifestação do Amor Infinito.

Não sou dono da verdade, tenho a liberdade para não ser. Mas tenho encontrado Deus de uma forma que jamais imaginaria: na vida cotidiana, nas minhas “heresias”. Não reclamo, nem lamento... apenas vivo aquilo que acredito. Como já disse não sei se estou certo ou errado, mas de uma coisa tenho certeza: Levo minhas heresias a sério!

Antonio Carlos Soares dos Santos.
Pastor na Igreja Metodista de Vargem Alta e Valão do Barro, RJ.

Meditação Diária - 25 de agosto

Eu Creio em Deus pai, Deus mãe ...
No Credo, em primeiro lugar se confessa Deus como Pai. Os cristãos entendem a paternidade de Deus em relação a Jesus, que foi connhecido como filho (Mt 14:33; Lc 4:41) , que chama a Deus e Abbá (cf. Mc 14:36) e nos ensina a nos diriguir a Deus como "Pai nosso" (cf. Mt 6:9; Gl 4:6). A linguagem da Bíblia, de modo semelhante ao Credo, não se refere a uma paternidade biológica nem significa que Deus seja um varão.
Na realidade nossa linguagem, assim como símbolos e imagens, são maneiras parciais e aproximativas de falar de Deus. As imagens tanto masculinas como femininas de Deus, nas Escrituras, na tradição e nos símbolos de fé, se referem à atenção providencial e à solicitude amorosa que ele dispensa às pessoas da criação.
Ao chamar a Deus de "Pai", no Credo, os cristãos de hoje permanecem unidos em comunhão de fé com o passar dos séculos. Ao mesmo tempo, a atenção que atualmente se dedica às imagens maternas de Deus enriquece nossa compreensão e a intimidade da relação à qual ele nos chama.
Como a àguia ensina os filhotes a voar e com as asas estendidas os pega quando estão caindo, assim o Senhor Deus cuida do seu povo. (Dt 32:11- Linguagem de hoje)
Oração: Deus Pai, Deus Mãe, ajuda-me a compreender e aceitar o teu grande amor e aconchego. Amém.
Extaído: Compartilhando a fé comum: guia de estudos e celebração da fé para grupos de reflexão, 2005 - CONIC: p. 35

Com a mesma moeda?

Quando eu era menino, houve uma eleição muito disputada para prefeito em minha cidade. Lembro-me que a oposição da época conseguiu chegar ao poder com uma votação expressiva. Em nossa rua, moravam pessoas dos dois segmentos e, da mesma forma, extremadas. Quando saiu o resultado, como que por despique, a ala opositora que acabara de chegar ao poder, imediatamente se muniu com fogos e foi festejar sua vitória exatamente na frente da residência dos derrotados. Nem é preciso dizer que houve uma confusão sem igual, inclusive com polícia.
Já se vão muitos anos e, repetidamente, revejo aquele fato de minha infância se repetir. Derrotados afrontados pelos seus opositores, cultivando novos insultos para quando estiverem novamente no poder, vez de espezinhar os adversários. Assim caminha a humanidade... e assim ela se consome... se desgasta, se empobrece, de picuinha em picuinha, de ultraje em ultraje, de injúria em injúria.

Seja na política ou no futebol, na família, na escola ou na igreja... vivemos e revivemos este carrossel que faz da discriminação moeda de troca e valor de vida nos relacionamentos que temos. Em várias situações somos derrotados, em outras vencedores... não há esse ou aquele que possa se vangloriar mais ou menos, porque a vida é cheia de altos e baixos pra todo mundo.
É por isso que não podemos cair na tentação de entrar na roda da ofensa ou da discriminação... nossa resposta tem que ser renovadora, transformadora, inspiradora num mundo que só sabe devolver o que recebeu... sem acréscimos, sem melhoria. Esta é a proposta de Cristo... de aprendermos a elevar o nível quando isto estiver em nossas mãos!

Devolver paz quando nos oferecerem guerra... retribuir amor quando nos atingirem com o ódio!Pagar com a mesma moeda, pra Jesus, é coisa do passado... agora, a proposta é transcender o “dente por dente, olho por olho” e ter a capacidade de “andar a segunda milha”, “oferecer a outra face”.

A vida é extensa demais pra alguém se achar ganhador ou perdedor! É na sucessão de erros e acertos, vitórias e derrotas que somos melhorados no decorrer do tempo. Mas isto não quer dizer que conseguiremos sempre nos manter num só lado destas duas realidades. Por isso mesmo, ninguém tem o direito de discriminar! A transformação do mundo só acontecerá no dia em que as derrotas e as vitórias forem consideradas parte de um processo maior, portanto, indignas de muita atenção, de muito choro ou de muita euforia!

Discriminar é considerar o que não existe, que o/a outro/a é menos ou mais porque é diferente, portanto, merecedor/a de ser colocado/a longe, à parte, fora de nossa alegria ou de nossa tristeza! Em muitos momentos da vida as conquistas virão e, mais que nas derrotas, precisamos lembrar que, como seguidores de Cristo, os valores devem mudar, as respostas precisam ser diferentes, porque assim acabarão as separações, as distâncias, as alturas e as depressões!
Talvez fosse certo parafrasearmos Jesus dizendo, enquanto depender de vós tende consideração para com todos... porque assim o mundo andará na direção de Cristo, com menos diferenças, com menos discriminação.

Precisamos pensar nosso cristianismo a partir desse prisma, entendendo que, queiramos ou não, a vitória ou a derrota de um é a vitória ou a derrota de todos! Ninguém consegue se afastar tanto do outro a ponto de não sentir os bons ou maus resultados que ele tem! Existem laços que nos conduzem de igual modo!

Se fomos discriminados, precisamos devolver isto de um jeito novo, renovador, que nos melhore, que nos faça transcender, superar a limitação de quem nos ofendeu! Se discriminamos, precisamos procurar reverter isso, promovendo a inclusão das diferenças, porque é nela que está a nossa chance de sermos renovados a cada dia!

Não é possível pagar discriminação com discriminação, isto é um equívoco grave para o cristianismo!Que Deus nos ajude a vivermos as mudanças que pregamos!

Na graça e na paz,

Rev. Nilson da Silva Jr.
5a RE

Igrejas vão rezar pela paz

GENEBRA, SUÍÇA, 24 de agosto (ALC) - Igrejas de mais 100 países vão se unir em oração, no dia 21 de setembro, pelo "fim da violência e por uma paz duradoura no mundo", no marco da Década para a Superação da Violência, promovida pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

"Orar pela paz é uma parte essencial do culto cristão e, certamente, da existência humana", disse o secretário geral do CMI, pastor Samuel Kobia, ao convidar as igrejas a participarem do Dia Internacional de Oração pela Paz.

Kobia conclamou as igrejas a se conscientizarem "da violência na América Latina, mas também a orar pelas crianças, idosos, mulheres e homens que sofrem no Oriente Médio".

O lema desse ano, "... e ainda buscamos a paz", foi proposto pelas igrejas da América Latina, região eleita como foco da Década em 2006.

O Dia Internacional de Oração pela Paz é uma oportunidade para que as igrejas em todo o mundo orem e atuem unidas em favor da paz duradoura nos corações das pessoas, suas famílias, comunidades e sociedades, diz nota do CMI.

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24 agosto, 2006

Defensa del ecumenismo desde el CMI

La belleza de la visión ecuménica y el entusiasmo que engendra; el escándalo de la división entre los cristianos; el sueño de iglesias que se dejen renovar para experimentar la unidad de la familia cristiana -éstos son algunos de los temas sobre los que habla Walter Altmann el recientemente elegido moderador del comité central del Consejo Mundial de Iglesias (CMI, expresados en una entrevista producida por la oficina del prensa del CMI).

En la IX Asamblea celebrada en Porto Alegre en febrero pasado, usted fue elegido moderador del comité central, el más alto cargo electivo en el CMI. Muchas iglesias miembros quisieran saber más de usted. ¿Quiere decirnos algo sobre su trayectoria eclesiástica y su vida personal?

Nací en Porto Alegre en 1944. Mis padres eran maestros en una escuela luterana y muy activos en la iglesia. Hice mis primeras experiencias ecuménicas en el movimiento ecuménico estudiantil. Cuando estudiaba teología fui delegado juvenil a la reunión de la Comisión sobre Misión y Evangelización de 1963, en México. En 1968, siendo un joven pastor, y durante lo más duro de la dictadura militar en el Brasil, viajé casi secretamente a Praga para participar como delegado en la Conferencia Cristiana sobre la Paz.

Teológicamente, me inspiro en Karl Barth, Dietrich Bonhoeffer y Martín Lutero. Hice mis estudios de doctorado en Hamburgo, Alemania (1969-72). Trabajé como párroco en el sur del Brasil hasta 1974, cuando fui designado profesor de teología sistemática en la Escuela Luterana de Teología de São Leopoldo. Me interesé particularmente por buscar convergencias entre la teología de la Reforma y la teología de la liberación. En los años setenta, y hasta 1982, fui miembro de la Comisión Bilateral Católico-Luterana en el Brasil. De 1995 a 2001 fui presidente del Consejo Latinoamericano de Iglesias (CLAI). En 2002 fui elegido presidente de la Iglesia Evangélica de Confesión Luterana en el Brasil (IECLB). Estoy casado y tengo cuatro hijas y dos nietos.

Usted está al frente de una de las mayores iglesias protestantes de América Latina, en un contexto de complejas y dinámicas dimensiones socioeconómicas y ecuménicas. ¿Cómo valora la situación actual de las iglesias y del movimiento ecuménico en la región?

Por una parte, América Latina tiene una rica historia ecuménica. Las iglesias protestantes históricas han cooperado entre sí en el campo de la misión desde la conferencia de misión de Panamá en 1916, aunque a menudo concebían la misión como oposición a la Iglesia Católica. Por otra parte, el diálogo teológico con la Iglesia Católica, por ejemplo por parte de los luteranos del Brasil, se inició en 1957, anticipándose al Segundo Concilio Vaticano. En la década de los setenta, en tiempos de las dictaduras en la región, hubo en general una estrecha cooperación ecuménica en el campo de los derechos humanos, con una significativa contribución del Consejo Mundial de Iglesias.

Hoy día la escena religiosa en América Latina se caracteriza por un creciente pluralismo, dentro del cual se destaca el crecimiento de las iglesias pentecostales (que se concentran en los dones del Espíritu) y neopentecostales (que se concentran en conceptos como guerra espiritual contra los demonios y promesas de prosperidad para los creyentes). Vemos también que aumenta el número de los que se consideran “no religiosos”. Muchas de las nuevas iglesias rechazan el ecumenismo y hacen campaña contra él, en particular si entra en juego la Iglesia Católica. El mayor desafío es encontrar maneras de superar estas divisiones y esta hostilidad. Tengo un sueño, que nuestras iglesias se renueven

La IX Asamblea fue la primera en América Latina. ¿Qué evaluación hace de la experiencia y de los resultados de la Asamblea en la región y en el mundo?

La IX Asamblea ofreció una oportunidad excepcional para la cooperación ecuménica entre iglesias miembros del CMI en Brasil y en el conjunto de América Latina. Los numerosos participantes en la Asamblea, ya sea como delegados, personal administrativo, voluntarios o visitantes, regresaron a sus comunidades inspirados y con un compromiso ecuménico fortalecido.

Creo que la Asamblea combinó de manera muy significativa la comunicación de experiencias ecuménicas (en el Mutirão y en las Conversaciones Ecuménicas), la celebración de la fe (en el culto y en el estudio de la Biblia), y los debates y la toma de decisiones en las sesiones de trabajo. Contribuyó así a una nueva manera de vivir ecuménicamente, que es tan necesaria en nuestro tiempo.

Como moderador del comité central y como teólogo y dirigente de iglesia, ¿cómo definiría usted su visión ecuménica y la finalidad del movimiento ecuménico?

La motivación permanente del movimiento ecuménico ha sido el deseo de alcanzar la plena unidad entre las iglesias, y sobre esa base llegar a ser instrumentos más fieles y eficientes del amor de Dios en el mundo. En el amor de Dios, la oikoumene se extiende mucho más allá de las fronteras de las iglesias y abarca toda la humanidad y todo el universo creado.

Para las iglesias, el movimiento ecuménico se basa en el don de la unidad que tenemos en Cristo por la fe y el bautismo. Con esa base, en nuestro camino ya practicamos y experimentamos la unidad de maneras muy diversas. Rendimos culto al Dios uno y trino, Padre, Hijo y Espíritu Santo - unidad y comunión perfectas.

Veo natural que para todos nosotros nuestra fe, espiritualidad y acción estén profundamente arraigadas en nuestras respectivas iglesias. Pero siempre he sentido que nuestras divisiones son una flagrante negación de todo lo que creemos, un escándalo que es consecuencia del pecado humano. Por eso tengo un sueño, lucho por que nuestras iglesias se renueven en todo aquello que obstaculiza el camino hacia la unidad de la familia cristiana, siguiendo una forma común de comunión, testimonio y servicio. En el movimiento ecuménico hay un profundo y creciente anhelo de comunión que no puede satisfacerse con una agenda minimalista.

¿Cuáles cree usted que son las prioridades para el CMI en los próximos siete años? ¿Qué espera usted personalmente para este período?

Precisamente ahora estamos en la etapa de fijar prioridades para la vida del Consejo. La Asamblea ha trazado las directrices básicas, y sobre esa base se presentará una nueva estructura de programas en la próxima reunión del comité central.

En este tiempo de recursos reducidos, el gran número de desafíos hace difícil determinar prioridades, sobre todo porque las necesidades varían de una región a otra. Pero tenemos que concentrar los recursos en lo esencial y en lo que únicamente el CMI puede hacer para ayudar a las iglesias.

En la práctica, no obstante, algunas cuestiones ocupan un lugar permanente en la agenda del CMI: la búsqueda de nuevas formas de entendimiento y cooperación entre las iglesias en un contexto religioso cada vez más plural y peligrosamente dividido; la lucha incansable por la paz; la aspiración a la justicia en las relaciones internacionales; la unidad, tanto en materias de doctrina como de ética; la promoción de la inclusión efectiva de todas las personas en la vida de las iglesias; y una comprensión más profunda e integral de la misión.

Los organismos ecuménicos están tropezando con dificultades en los planos mundial y regional. ¿Cuáles cree que son los principales desafíos con que se enfrentan el movimiento ecuménico y el CMI en el actual período?

Paralelamente a la tendencia a la globalización, tenemos también hoy día los fenómenos de fragmentación e individualismo. Aun dentro del cristianismo, hay hoy una mayor diversidad religiosa que cuando nuestros predecesores vieron la necesidad de un movimiento ecuménico. Más aún, fuerzas considerables están empujando hacia fuera de las organizaciones ecuménicas tradicionales a iglesias hasta ahora comprometidas con el ecumenismo.

Así pues, estas tendencias, y la diversidad misma de nuestro mundo cada vez más globalizado y al mismo tiempo cargado de conflictos, no pueden sino hacer más urgente y necesario el ecumenismo. El mayor desafío, no obstante, consiste en mantener viva en nuestras iglesias la pasión por el ecumenismo, y en encontrar formas creativas de renovación en nuestro caminar ecuménico común.

¿Qué mensaje desea transmitir a las iglesias miembros del CMI en el momento en que comienza usted su mandato?

La visión ecuménica es de una gran belleza e inmenso atractivo. Combina la legítima diversidad y la apuesta por la unidad. Es así, en sí misma, un testimonio poderoso en nuestro mundo globalizado, que excluye a las personas de tantas maneras. Hay multitudes de hambrientos, tanto física como espiritualmente. Nuestro deber es ofrecerles un testimonio creíble de la esperanza que está en nosotros (1 Pedro 3:15), una esperanza que nos viene de Cristo. Estamos llamados a no desanimarnos y a perseverar. El movimiento ecuménico atraviesa un tiempo de cambio, pero es perpetuamente válido, porque su inspiración es el Dios uno y trino.+ (PE)

PreNot 6181
060824

24/08/06 - PreNot 6181
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Uma lembrança ...

Tenho pensado muito, e sofrido como muitos, quanto à decisão conciliar... nesses tempos, uma situação vivida no pastorado do meu pai, Rev. Goodwin - sempre acompanhado pela minha mãe, dona Jô - veio-me à mente...

Os dois encerraram o seu ministério missionário da ativa na Igreja Metodista em Linhares, ES. Era uma tentativa de repensar as práticas e as vivências da igreja, questionando seu formato tradicional e sua inserção na sociedade. Eram os anos do processo de abertura democrática e reaprendizagem das relações políticas. Muitas decepções, muitas tensões, muitos desafios.
No norte do Espírito Santo, a luta pela terra avançava, enfrentando jagunços, e um aparelho oficial permeado pelos interesses de latifundiários e bandidos - como hoje vemos claramente! Em meio a isso tudo, uma comunidade de assentados sofreu um duro golpe: o bispo católico proibiu os padres de levarem àquele grupo a eucaristia, como castigo por terem se rebelado contra o status quo do poder regional. Esse grupo procurou a Igreja Metodista, procurou o pastor metodista local, e colocou as coisas nos seguintes termos: "nós não queremos deixar de ser católicos, mas também não queremos deixar de comungar. Você poderia vir ministrar a ceia para nós, regularmente, e conduzir-nos em oração diante de Deus?"

Na família, até hoje, brincamos com meu pai sobre isso, sobre o tempo em que ele pastoreou uma igreja católica. Pois foi isso que aconteceu. Para além de nossas questões teológicas - transubstanciação, consubstanciação etc. - e para além das formalidades rituais e formais, eles viveram ali uma profunda experiência ecumênica. Como recitamos em nosso Ritual da Ceia do Senhor, a Mesa pertence a Ele, é Ele, Senhor Ressureto e Presente, quem nos convida a comungar...

Agora nós, metodistas, ousamos nos colocar no lugar Dele, e decidirmos com quem podemos sentar ou não, afastando de nós aqueles que julgamos menos santos que nós -e ao mesmo tempo renegando tudo aquilo que sempre nos identificou...

Ainda bem que aqueles assentados não precisaram pedir ajuda a outros pastores e pastoras que agora campeiam pela Quarta Região Eclesiástica. Talvez fossem duplamente excomungados...
Que Deus tenha misericórida de nós, e continue a abrir as portas para nós, como lembrou a Magali em mensagem aqui postada...

Graça e Paz - se o seu coração é como o meu, dá-me tua mão...

James William Goodwin Jr.
jamesg@uai.com.br

Cooperação marca o novo momento ecumênico, diz pesquisador

LONDRINA, 23 de agosto (ALC) – O movimento ecumênico no Brasil vive um novo momento, caracterizado pela articulação e cooperação. Igrejas e organismos começam a trabalhar em conjunto, principalmente através de redes, forçadas pela conjuntura nacional do país, que exige postura e ações concretas de intervenção.

A avaliação é do coordenador do mapeamento e diagnóstico do movimento ecumênico no Brasil, o cientista da religião Darli Alves de Souza, em relatório preparado para o Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), que vai rediscutir sua missão, diretrizes e linhas de ação na V Assembléia Geral, agendada para Buenos Aires, dias 19 a 25 de fevereiro de 2007.

“Um novo mundo ecumênico é possível”, destaca Souza no relatório. No Brasil, não faz mais sentido a antiga divisão entre evangelicais e liberais, entre seguidores do Pacto de Lausanne e do Conselho Mundial de Igrejas. As relações ecumênicas já superaram esse paradigma, assinala o cientista da religião, embora ainda existam tensões nesse espaço.

O grande desafio para o movimento ecumênico é a necessidade de maior inserção junto à comunidade local. Souza propõe, para tanto, ações de formação ecumênica e atividades pontuais no contexto local. “É necessário buscar alternativas para ser mais ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’. O povo das igrejas precisa sentir o importante e gostoso sabor de ser ecumênico”, afirma o pesquisador.

Na sociedade da informação e da tecnologia “é necessário oferecer respostas mais rápidas e contextualizadas”, e utilizar os meios de comunicação modernos para envolver mais pessoas para o ideal ecumênico, sugere.

Souza detecta, na análise do espectro religioso atual no país, dificuldades que igrejas protestantes tradicionais estão passando por causa de concessões feitas aos movimentos carismáticos internos no decorrer dos anos, o que resultou na “descaracterização de suas identidades e tradições, fruto da concorrência no mercado de bens simbólicos”.

Ele também assinala a importância do diálogo amplo e aberto com os pentecostais, de melhorar a relação ecumênica entre protestantes e católicos e, a partir daí, “alargar as fronteiras em direção às outras religiões que pertencem à ‘oikumene’. Sem esta predisposição o ecumenismo não será pleno”, vaticina.

O “Diagnóstico do Movimento Ecumênico no Brasil”, título do documento, aponta que existem no país vários modelos de vivência ecumênica, o que possibilita uma rica e ampla experiência.

Entre esses modelos, Souza arrola o ecumenismo pleno, vivenciado para além das fronteiras do cristianismo, como é o caso da organização espírita Legião da Boa Vontade, que tem como principais áreas de atuação a promoção social e humana, a formação da cidadania ecumênica, a educação e cultura com espiritualidade. Outro tipo de vivência ecumênica plena é a experiência dos movimentos populares, livres de doutrinas, agindo diante de questões concretas do cotidiano.

Um segundo modelo de vivência ecumênica, segundo análise preparada por Souza, é o ecumenismo entre cristãos, que se dá em entidades como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEP), com a presença de católicos romanos.

O ecumenismo evangélico, um terceiro modelo, congrega cristãos protestantes, pentecostais e evangélicos, o que se verifica, por exemplo, no espaço promovido pelo CLAI, pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), Diaconia, Visão Mundial, Movimento Evangélico Progressista e nas inúmeras Associações e Conselhos de Pastores, que proliferam nas cidades de grande porte.

Souza também aponta para os não-ecumênicos, grupos, organizações e igrejas que não se identificam com nenhum dos três modelos enunciados e que rejeitam qualquer possibilidade de relacionamento ecumênico, como é o caso dos fundamentalistas e os pertencentes às religiões de mercado, nem todas de inspiração cristã, que comercializam bens simbólicos.

Nesse novo momento de articulação e cooperação em que se encontra o movimento ecumênico brasileiro, Souza destaca o papel do FE-Brasil, uma das mais importantes experiências de trabalho em rede, que começou em 1994 como Compartir Ecumênico de Recursos, motivado pelo CMI.

Apesar desses avanços, Souza frisa que é preciso desmistificar, de maneira definitiva, a concepção errônea de que ecumenismo é sinônimo de fusão de igrejas. O pesquisador destaca que o movimento ecumênico precisa de novos paradigmas num contexto de sociedade plural.

A Igreja, aponta Souza no Diagnóstico, “está sendo desafiada pela sociedade cada vez mais ‘religiosa’ e menos disposta a se constituir como ‘igreja’ sob doutrinas canônicas. O que importa, muitas vezes, é o ‘mercado de bens simbólicos’”, aponta.

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23 agosto, 2006

A Igreja Metodista é um Ramo da Igreja Cristã

Ser metodista é um modo de crer e de ser cristão. Ser cristão é ter fé em Jesus Cristo como Deus, Senhor e Salvador. Ser cristão é confiar e se deixar iluminar e guiar pelo Evangelho, as palavras e ensinos de Jesus Cristo.

Nós acreditamos que Deus amou o mundo de tal modo que nos enviou Jesus Cristo, para que toda pessoa que nele crê seja salva, ou seja, experimente o grande amor e cuidados de Deus, torne-se íntimo de Deus como seu filho(a) e, na força de Deus possa viver uma vida abundante que vai para além da morte.

Jesus nos salva de viver uma vida ruim, medíocre, desumana e sem amor. Jesus nos salva para sermos homens e mulheres que se comportam e vivem como amigos, companheiros e irmãos uns dos outros. Assim, somos uma comunidade de fé caracterizada pelo amor e a ajuda mútua, pelo estudo e aprendizagem do Evangelho, pelo serviço de culto e adoração a Deus, pelo serviço de solidariedade e de compaixão ao nosso próximo, pela defesa e promoção da vida, da justiça, da paz, da cidadania.

Deus nos dá poder e sabedoria, graça e equilíbrio, discernimento e alegria para vivermos nossa vida desse jeito. De modo que felicidade para nós, não é apenas a realização de nossos sonhos e projetos, mas também a realização do projeto divino de vida, paz e justiça na vida das demais pessoas. Nós também servimos a Deus quando abençoamos a vida de outras pessoas.

O Evangelho é o convite pra gente viver em paz, em justiça, em companheirismo e na luta contínua para que nosso mundo seja um lugar melhor para todos. Evangelizar, portanto, é falar do Evangelho que nos convida para a paz e trabalhar pela paz, é falar do amor de Deus que constrói relações humanas mais justas e trabalhar pela justiça.

A Igreja Metodista nasceu no século XVIII na Inglaterra, levantada pelo Espírito Santo de Deus, para promover uma nova reforma na igreja cristã de então que havia se acostumado e conformado ao mundo injusto, deixando de profetizar a justiça desejada por Deus. A Igreja metodista nasceu lutando contra a escravidão, contra a exploração dos trabalhadores e muito particularmente contra o trabalho infantil.

Onde surgia uma igreja metodista, surgia também uma escola e um centro comunitário. Ali as pessoas eram instruídas de modo a deixarem de ser alienadas, passando a ser pessoas. Oração e serviço de solidariedade ao próximo, culto de adoração a Deus e práticas sociais que exigiam justiça, evangelização que mudava o caráter das pessoas, mas que lhes preservava a cultura, salvação para a alma e cuidados e “ressurreição” para com o corpo, sempre foram parte de uma evangelização integral que não fragmentava a vida e o ser humano entre material e espiritual.

Amar e servir a Jesus como Deus, Senhor e Salvador é uma questão de fé. É porque temos fé em Jesus que somos cristãos e servimos a Jesus do jeito metodista de ser cristão.

Como a Bíblia afirma que Deus é amor (1João 4:8), amar e servir a Jesus significa acreditar e servir ao amor e ao que o amor verdadeiro e incorruptível pode fazer em nossas vidas e em nosso mundo.

Somos cristãos metodistas, um movimento cristão marcado pela reforma protestante de Martinho Lutero, e junto com católicos, ortodoxos, pentecostais e a todos os demais grupos cristãos temos a alegria de amar a Deus.

É como o Reverendo João Wesley, o fundador do movimento metodista, dizia: “Se o teu coração como o meu coração pertence a Jesus, me dê sua mão, pois somos irmãos”.

Como dissemos, nós metodistas, embora com jeito original de adorar e servir a Deus, somos parte do cristianismo, irmãos e irmãs dos demais cristãos. Com toda a certeza, ser metodista é um dos melhores modos de ser cristão.

Ronan Boechat de Amorim (Igreja Metodista de Vila Isabel, Rio de Janeiro)

“Linha de Esplendor sem Fim” tem fim melancólico

O escritor Halford E. Luccock, em livro de 1950 chamou a história da Igreja Metodista, fundada há mais de 260 anos, de “Linha de Esplendor sem Fim”. Aquela igreja, fundada por John Wesley, um presbítero da Igreja Anglicana que jamais se retirou dela, está hoje em mais de 100 países e representa uma comunidade de mais de 80 milhões de pessoas. Grandes historiadores creditam ao trabalho dos metodistas na Inglaterra, no princípio da Revolução Industrial, toda a melhoria dos padrões morais e sociais daquele país. Na América, o Movimento Metodista, tornado independente logo depois da Independência americana, cresceu muito e colaborou, com seus pregadores leigos ultrapassando as montanhas Alleghanis em sua marcha para o Oeste, para abrir igrejas e pontos de pregação, para a expansão geográfica e social dos Estados Unidos. Em pouquíssimo tempo passou a ser a mais importante denominação protestante naquele país. Presente no Brasil desde 1835, tem dado relevante contribuição à nossa pátria, além da parte religiosa propriamente dita, no estabelecimento de escolas modelo, precursoras de uma nova fase na educação brasileira. O Colégio Piracicabano que deu origem à UNIMEP, o Granbery, em Juiz de Fora, Bennett, no Rio, IPA em Porto Alegre, Isabela Hendrix, em Belo Horizonte, instituições centenárias, todos elas foram pioneiros em novas técnicas educacionais. Hoje são duas universidades, diversos centros universitários e dezenas de escolas em todo o Brasil. Na realidade, muitas vezes, antes da construção de um templo, construía-se uma escola. No Brasil e no mundo.

Na parte social, não foi menor a contribuição dos Metodistas. Na Inglaterra, no final do Século 18, o movimento lutou contra a escravatura. A última carta escrita por John, poucos dias de morrer, aos 88 anos, em 1791, foi para Daniel Wilberforce, na época um membro da Casa dos Comuns, apelando para que ele continuasse sua luta pela abolição de tão terrível mal. Menos de 20 anos depois, a escravatura foi abolida em todo o Reino Unido e o primeiro ministro que assinou a Lei foi justamente Wilberforce. O sindicalismo inglês, o pioneiro no mundo, começou dentro da Igreja Metodista. Antes dele, no entanto, os metodistas, pela ação decisiva de John Wesley, já haviam conseguido outras vitórias sociais, como redução da jornada de trabalho, que era de mais de 12 horas diárias, especialmente nas minas de carvão, em cujas bocas os pregadores metodistas faziam pregações às cinco da manhã. O sistema prisional inglês e a própria Justiça foram aperfeiçoados por influência do Povo Chamado Metodista, expressão criada por Wesley. No Brasil, sua influência não tem sido menor. Graças ao pioneiro Hugh C. Tucker, que fundou o Instituto Central do Povo, no Rio de Janeiro, e outras instituições, muitas conquistas sociais foram conseguidas. Ele introduziu o primeiro play-ground do Brasil, o primeiro centro destinado aos deficientes auditivos, o primeiro Posto de Saúde, fundou a Union Church, ajudou a fundar o Hospital dos Estrangeiros, a Associação Cristã de Moços e o Instituto Brasil Estados Unidos. Mais importante ainda, sua contribuição nas campanhas de erradicação da Febre Amarela, dirigidas por Oswaldo Cruz no governo do Prefeito Pereira Passos, foi notável. O especialista americano no combate de epidemias e endemias, que ajudou no planejamento e execução de toda a histórica campanha foi trazido por ele.

Uma outra área em que tem sido notável a atuação do Metodismo – e que é razão deste artigo – é a sua vigorosa atitude ecumênica. Nesse sentido, João Wesley, por ensaios, artigos, cartas e sermões, tem sido o precursor da atitude ecumênica. Como dizia o bispo Mack B. Stokes, em seu livro “as crenças fundamentais dos metodistas”, diz que “nós, metodistas, temos orgulho de nossa herança. E acreditamos que a melhor contribuição que podemos dar ao movimento ecumênico é levá-lo a uma profunda apreciação de nossa própria identidade. Ao mesmo tempo, desejamos, sinceramente trabalhar cooperativamente e criativamente na direção de uma maior unidade de espírito, organização e liderança entre todos os cristãos. Wesley insistia no ‘espírito católico’. Seu sermão sobre esse assunto contém algumas das melhores observações sobre a tolerância em toda a literatura cristã. O espírito ecumênico pode começar com a tolerância – no sentido total da palavra – mas vai além disso na busca da concordância e da unidade sempre que possível”.

Os metodistas estiveram sempre na frente de movimentos ecumênicos. O moderno ecumenismo começou com a Conferência de Edimburgo em 1910 e teve maior ênfase na Fundação do Conselho Mundial de Igrejas, idéia e sonho de um leigo metodista, J. R. Mott, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1946. Depois do Concílio Vaticano II, uma idéia do Papa João XXIII, tiveram início em 1966 os diálogos católicos-metodistas, do nosso lado pelo Concílio Mundial do Metodismo e, do lado católico, pela Secretaria para a Promoção da Unidade Cristã. Essas conversações têm sido mantidas ano após ano. O Concílio Mundial Metodista tem se reunido pessoalmente com todos os papas que vieram depois.

Toda essa preocupação metodista foi agora rompida pelo plenário do 18º Concílio Geral da Igreja Metodista, sua entidade máxima deliberativa, reunido em Aracruz, ES. Na madrugada de 14 para 15 de julho, foi aprovada, por 79 votos a favor, 50 contra e 4 abstenções, proposta para que a Igreja Metodista se retire de “órgãos ecumênicos com a presença da Igreja Católica e grupos não cristãos”. A proposta também prevê uma revisão da Pastoral sobre Ecumenismo publicada pelo Colégio Episcopal.

Como informou o site da Igreja, http://www.metodista.org.br/, ao final da votação o Bispo Emérito Nelson Luiz Campos Leite fez uso da palavra para lembrar, ao povo metodista ali representado, que Cristo é maior do que doutrinas, dogmas e instituições. “Na época de Jesus não havia instituição. Instituição é transitório”. Ele lembrou também que, "atualmente, existe um ‘paganismo evangélico’ muito mais pagão do que qualquer um que existe por aí e ninguém fala nada”.

Já de há muitos anos na Igreja Metodista de todo Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, onde ela congrega cerca de 30% do total de membros, tem se feito notar a influência das chamadas igrejas neo-pentecostais (Universal, Internacional da Graça, Renascer, etc.) junto a alguns pastores e leigos, que já estavam introduzindo certas práticas que não fazem parte da tradição metodista mundial, baseada na visão bíblica de John Wesley e em suas ênfases na doutrina da Graça e da Santificação, que são mais parecidas com a visão católico romana do que mesmo às de outros grupos protestantes. As ênfases das igrejas neo-pentecostais estão muito mais para a chamada teologia da prosperidade, que espoliam os seus seguidores em favor de sua própria prosperidade, e de milagres que são muito prometidos e quase nunca realizados.

Com essa infeliz decisão, na qual a Igreja Metodista, abre mão de uma caminho que vem sendo sedimentado há mais de 250 anos para juntar-se a igrejas sem representatividade internacional, sem formação teológica adequada de seus pastores e que, muitas vezes, têm sido mais mencionadas no jornalismo policial (veja o caso do Mensalão onde muitos pastores e bispos neo-pentecostais estavam envolvidos, e nas compras de estações de rádio e de televisão) e nos noticiários políticos, onde candidatos estão tentando atrair, baseados nas informações que têm que, nesses rebanhos muito mal informados e formados, os pastores realmente determinam em quem votar, o que é, às vezes, uma triste realidade.

Resta aos metodistas apelar à Comissão Geral de Constituição e Justiça da Igreja para decretar a inconstitucionalidade da decisão aprovada, baseados na Constituição, cujo texto tem um quorum altíssimo para se alterar, além de um ritual que exige a participação e concordância das oito Regiões Eclesiásticas. Infelizmente, essa Comissão, o maior tribunal da Igreja Metodista no Brasil também foi eleita pelo plenário do mesmo Concílio Geral. É bem possível, no entanto, que, para prevenir, essa Comissão tenha sido eleita no mesmo sistema de aliciamento de delegados que aprovou a mudança sobre ecumenismo, elegeu dois bispos de tendências teológicas não ortodoxas, em lugar de dois bispos fiéis às doutrinas e práticas históricas, caso em que seria infrutífera a busca de uma solução no campo jurídico.

A outra solução, é claro – e os cristãos não podem deixar de confiar nela – é orar muito, confiados na promessa de Jesus Cristo que “as portas do mal não se prevalecerão sobre a Igreja”. A Justiça de Deus nunca falha mas, às vezes, demora muito já que Ele é o Senhor do tempo e não nós. É por isto que se pode dizer, em português bem claro, que a “Linha de Esplendor sem Fim”, pelo menos no Brasil, já era!

João Wesley Dornellas - O autor, ex-delegado a 4 Concílios Gerais da Igreja Metodista e a dois Concílios Mundiais, já foi presidente da Comissão Geral de Constituição e Justiça. Ele é membro da “Ordem do Mérito Metodista”, por decisão do Colégio Episcopal da Igreja Metodista, na categoria de “Metodistas Eméritos do Século XX”. Autor do livro “Pequena História do Povo Chamado Metodista”.

Meditação diária 24 de agosto

O povo da Verdade
1 Reis 8.1,6,10-11,22-30,41-43 – Salmo 84 – João 6.56-69 –Efésios 6.10-20

Tornem-se cada vez mais fortes, vivendo unidos com o Senhor e recebendo a força do seu grande poder. Vistam-se com toda a armadura que Deus dá a vocês, para ficarem firmes contra as armadilhas do Diabo. Pois nós não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do mal que vivem nas alturas, isto é, os governos, as autoridades e os poderes que dominam completamente este mundo de escuridão. Usem a verdade como cinturão. Vistam-se com a couraça da justiça e calcem, como sapatos, a prontidão para anunciar a boa notícia de paz. E levem sempre a fé como escudo, para poderem se proteger de todos os dardos de fogo do Maligno. Recebam a salvação como capacete e a palavra de Deus como a espada que o Espírito Santo lhes dá. Façam tudo isso orando a Deus e pedindo a ajuda dele. Orem sempre, guiados pelo Espírito de Deus. Fiquem alertas. Não desanimem e orem sempre por todo o povo de Deus. (Efésios 6.10b-12,14-18) Bíblia na Linguagem de Hoje.
O autor da Carta aos Efésios é muito lúcido na sua análise de conjuntura da sua época. Pouco mudou! Vale para hoje. Parece que foi escrita esta madrugada. Os males daquela época eram espirituais e exigiam respostas no mesmo nível. Neste texto temos uma lista dos elementos a serem usados diante das forças antivida. Por esta lista podemos identificar os elementos maliciosos:
Vida X Antevida
verdade X mentira
justiça X injustiça
paz X violência
fé X desconfiança
salvação X destruição
palavra X caos

O que é o mal? A essência do mal é a mentira, que começa com o auto-engano. É a recusa absoluta em reconhecer a sua própria pecaminosidade. Em vez de se corrigir, o mal ataca os outros, tomando a lei nas suas próprias mãos (injustiça). Uma das características de pessoas más é seu exercício de poder para controlar os outros, pela manipulação e uso de força (violência). O mal está instalado tanto nas religiões quanto no mundo secular. Qualquer força controladora é manifestação do mal.

Ao olharmos para o mundo de hoje podemos verificar que a mentira domina todos os âmbitos: a vida privada e pública, a política local e internacional, o comércio, a industria e a comunicação. A humanidade tem seis milênios de história escrita, cheia de violência de todos os tipos. Até hoje o uso da força não conseguiu estabelecer uma ordem social de justiça. O mal nunca foi vencido pela força. Os fins não justificam os meios. Embora a malignidade seja antivida, é, em si, uma forma de vida. Se oprimirmos e matarmos aqueles que são malignos, nos tornaremos opressores e assassinos. Se tentarmos lidar com a malignidade através da sua destruição, terminaremos também nos destruindo, em espírito, se não fisicamente. E é provável: arrastamos também algumas pessoas inocentes conosco!...

A nossa resposta é a verdade. O que é a verdade? A verdade não é um conjunto de fatos verídicos ou sistema correto de pensamento. É a consciência que toda a existência, da qual fazemos parte, é uma dádiva, independente de qualquer merecimento. A vida é graça. Não somos donos de nada e não temos superioridade em relação ao nosso ambiente social e ecológico.
Esta consciência leva a humildade.

A verdade liberta da mentira. Os Evangelhos apresentam Jesus como a encarnação da verdade. Mesmo sendo “Filho de Deus”, não violentou a vida dos outros para impor valores. Respeitou a integridade do próximo. No lugar de se impor, foi solidário a todas as vítimas da mentira. A mentira o levou à cruz, mas a verdade triunfou, mesmo na morte.

Impor os nossos valores de uma posição de poder é mais fácil do que viver a verdade e sermos sujeitos a cruz. Precisamos muita fé para realmente acreditarmos que a verdade vence a mentira.
Contribuição: Rev. Derrel Santee - http://derrelsantee.tripod.com e derrel.santee@uol.com.br

22 agosto, 2006

Ecumenismo é mais urgente no mundo globalizado

Ecumenismo é mais urgente no mundo globalizado, diz moderador do CMI

GENEBRA - SUÍÇA , 22 de agosto (ALC) - Num mundo cada vez mais globalizado e ao mesmo tempo carregado de conflitos, fragmentação e individualismo, o ecumenismo tem, hoje, novos desafios que o tornam mais urgente, disse o moderador do Comitê Central do Conselho Mundial de Iglesias (CMI), pastor Walter Altmann.

O moderador afirmou que o ecumenismo é um poderoso e imprescindível testemunho no mundo globalizado atual, no qual pessoas são excluídas de muitas maneiras. "Há multidões de famintos, tanto física como espiritualmente, e nosso dever é oferecer-lhes um testemunho crível da esperança que está em nós", enfatizou.

O maior desafio, declarou Altmann em entrevista difundida hoje pelo serviço de imprensa do CMI, “consiste em manter viva em nossas igrejas a paixão pelo ecumenismo, e em encontrar formas criativas de renovação em nosso caminhar ecumênico comum”.

Segundo o teólogo luterano brasileiro, é natural que cada crente tenha sua fé, espiritualidade e ação profundamente arraigadas em sua respectiva igreja. "Mas sempre senti que nossas divisões são uma flagrante negação de tudo o que cremos, um escândalo que é conseqüência do pecado humano", apontou.

Altmann confessou que um de seus sonhos é que as igrejas se renovem em tudo aquilo que obstaculiza o caminho para a unidade da família cristã. "No movimento ecumênico há um profundo e crescente anseio de comunhão, que não pode satisfazer-se com uma agenda minimalista", advertiu.

O pastor luterano destacou que no caso da América Latina ocorreu uma mudança no cenário religioso, caracterizado por um crescente pluralismo e pelo crescimento das igrejas pentecostais e neopentecostais, enquanto que continua aumentando o número dos "não-religiosos".

"Muitas das novas igrejas rechaçam o ecumenismo e fazem campanha contra ele, em particular se entra em jogo a Igreja Católica. O maior desafio é encontrar maneiras de superar essas divisões e essa hostilidade", afirmou.

Nascido em Porto Alegre, em 1944, e filho de professores luteranos, Altmann declara-se teologicamente inspirado em Karl Barth, Dietrich Bonhoeffer e Martim Lutero. Atualmente, ele é presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

Sua experiência à frente de uma das maiores igrejas protestantes latino-americanas permite-lhe assinalar que a região conta com uma rica história ecumênica desde a Conferência de Panamá, em 1916, acentuada na década de 70 do século passado, nos tempos das ditaduras, quando houve uma estreita cooperação no campo dos direitos humanos.

"A motivação permanente do movimento ecumênico tem sido o desejo de alcançar a plena unidade entre as igrejas, e, sobre essa base, chegar a ser instrumentos mais fiéis e eficientes do amor de Deus no mundo", assegurou. Altmann indicou que o ecumenismo transcende as igrejas e abarca toda a humanidade e todo o universo criado.

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Meditação Diária - 23 de agosto

Oração pela Unidade

Pai Nosso
Tu és nosso traço de união
Somos criaturas tuas
Todos feitos à Tua própria imagem!
Para sermos teus filhos amados
E vivermos como irmãos
Identificados em amor.
Hoje, parece-nos um sonho
Viver em paz
Cooperando contigo
Como uma só família.
Sentimo-nos envergonhados
E tristes, porque temos pecado.
Separando-nos
Combatendo-nos
Por vezes até diando-nos!
Esquecemo-nos de Ti.
Erramos o caminho.
Perdoa-nos, perdoa-nos.
Dá-nos forças
Unge-nos com teu Espírito
Faz-nos de novo irmãos,
Filhos teus, nosso Pai. Amém!

Rev. Cláudio Cadorna Moraes (maio/1994)
Pastor aposentado - 2a RE - Santa Maria, RS
Fonte: GARIN, Norberdo da Cunha (org.). Fica Conosco! Porto Alegre: Instituto Teológico João Wesley, 1996.

21 agosto, 2006

Umas portas se fecham mas outras se abrem: há esperança!

Por: Magali do Nascimento Cunha

Neste final de semana (18-20 de agosto), Deus tornou possível que minha fé se renovasse bem como minha esperança de dias melhores: participei de uma comissão do Conselho Mundial de Igrejas que visitou a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Além de mim compuseram a comissão um represente da Igreja Ortodoxa Grega, o assessor do Moderador do Comitê Central do CMI e um representante da Aliança Reformada Mundial. A visita foi organizada como parte do processo estabelecido a partir do pedido de filiação da IPI ao Conselho Mundial de Igrejas.

Isto mesmo: depois de mais de 50 anos, a Assembléia Geral da IPI realizada em 2005 reviu a decisão de "equidistância" do CMI, e aprovou o seu pedido de filiação ao principal organismo ecumênico mundial, CMI. Ouvimos das principais lideranças nacionais presentes ao diálogo com a comissão, que durante 50 anos houve desconfianças, resistências, renovação de preconceitos, mas um trabalho educativo, seguido de participação como observadores de várias atividades do CMI, tornou possível que uma votação tranqüila e segura dissesse "SIM" à filiação da IPI ao organismo. Afinal, a IPI já é membro da CESE e do CLAI há anos, bem como observadora do CONIC e de outras organizações ecumênicas.

Ouvimos sobre a história da Igreja, centenária, seus projetos e desafios, especialmente na área missionária e diaconal. Visitamos igrejas locais e projetos, participamos de um culto na 1a IPI de São Paulo (conhecida como Catedral Evangélica de São Paulo). Fomos muito bem acolhidos/as com abertura e respeito.

Para mim, foi dedicado um momento de responder perguntas, como: "Irmã, nossa igreja sempre foi inspirada pela Igreja Metodista, na sua postura de abertura às demais igrejas tanto no respeito às diferenças quanto na cooperação pela missão e o serviço. E agora? Nossa igreja se abre e a sua igreja se fecha? como explica isto?"; "Irmã, como sua igreja caminha na direção oposta à tomada pelo Concílio Mundial Metodista?" É... nossos irmãos estão acompanhando noticiários e informes... Na postura diplomática com a qual me sinto responsável, como membro da Igreja Metodista, respondi, constrangida, que é um momento de "chacolhar" de Deus que nossa igreja vive. Que Deus está falando com a nossa Igreja numa linguagem desafiadora, a qual precisamos ouvir e responder. E que o processo educativo e de observação que a IPI estabeleceu para aderir devia servir de exemplo para nós, pois as lideranças da IPI disseram "SIM", sabendo bem o que estavam dizendo, resultado de um processo maduro sem sensacionalismo ou uso do senso comum.

Agradeci a Deus a oportunidade de partilhar com os irmãos e irmãs da IPI. Do culto na Catedral Evangélica (1a IPI de São Paulo) saí revigorada mas desafiada com os cumprimentos que recebi na saída. Pelo menos cinco pessoas diferentes, de diferentes origens, se dirigiram a mim como metodistas, membros da Igreja Metodista que passaram a freqüentar a IPI por encontrarem nela mais identidade com o que aprenderam do cristianismo em sua origem metodista, tanto na forma do culto como na inserção social e ecumênica. Essas pessoas disseram conhecer outras que frequentavam ali e outras igrejas na mesma condição.

Saí pensativa daquela experiência. Afinal, um dos fortes argumentos para a retirada da Igreja Metodista no Brasil de órgãos ecumênicos era a de que estava perdendo membros por causa dessa abertura sem limites à participação. Agora, ouso perguntar: e os membros que perdemos por causa das portas que temos fechado ao longo das décadas? É... voltamos ao nosso problema pastoral: pastorear a diversidade, pastorear a reconciliação, cuidar do rebanho para que nenhum se perca sem que deixe de reconhecer ese comprometer com o grupo ao qual pertence.

Aprendi com a IPI que pode levar tempo para a igreja destrancar as portas, mas a oportunidade de abertura que Deus oferece é permanente porque por mais que queiramos o controle, Ele é a porta e ela está sempre aberta...

Magali do Nascimento Cunha
magali.cunha@metodista.br

20 agosto, 2006

UM TESTEMUNHO

Por: Orvandil Moreira Barbosa

Meus irmãos metodistas, gostaria muito de dar outro testemunho do quanto essa igreja influenciou a sociedade brasileira e, particularmente, a gaúcha, na década de 80. Quando a ditadura militar começava a dar sinais de esgotamento, mas mesmo assim era forte, a IM, exercendo sua forte visão ecumênica e engajamento social somava-se à linha de frente da luta pelo resgate da soberania nacional e pela democracia brasileira.

1. Em 1973 fui transferido para atuar pastoralmente na Igreja Metodista Central de Uruguaiana. Passei a fazer parte de movimentos ecumênicos e sociais que promoviam esforços pela redemocratização do Brasil. Representei a igreja na mídia – rádios, tv e jornais – levando diariamente as posições exaradas no Credo Social e no nascente Plano para a Vida e Missão da Igreja, que começava a ser gestado. Embora os órgãos de repressão exercessem forte pressão sobre o Bispo Sady Machado da Silva, este nunca cogitou de que devêssemos silenciar ou nos amedrontar. Pelo contrário, o Bispo se colocava sempre ao nosso lado, compartilhando conforto e ânimo. Ele gostava de comparecer a atos ecumênicos, mostrando-se simpático e unificador.

2. Em 1978 fui transferido para a cidade de Cruz Alta, terra natal do atual Bispo da IIª RE. Logo a igreja se deparou com a luta sofrida de agricultores apelidados de “afogados do Passo Real”. Eram assim chamados em virtude de o governo do Estado, sob Ildo Meneghetti, ter construído uma barragem cujas águas tomaram conta de todas as pequenas propriedades ao redor de Ibirubá, jogando centenas de famílias às margens das estradas. Ao percebermos a situação levantamos a voz profética em favor de melhores condições de vida àqueles trabalhadores. Suspeito que as ações lá realizadas serviram de elemento para o início do MST. Não tardou para que a igreja assumisse a causa dos indígenas, participando de grandes encontros de projeção nacional, iniciando nas Ruínas de São Miguel. Somamos ao lado de D. Pedro Cassaldáliga, D. Tomaz Balduíno, da IECLB e de tantos outros agentes de transformações sociais. Mas, com certeza, a GTME começou na casa pastoral da igreja Metodista de Cruz Alta, no meu pastorado. Ao chegar naquela cidade me deparei com uns encontros “ecumênicos” completamente desvirtuados, girando em torno de comida, bebida e “confraternização”. Não tardou para que buscássemos conteúdo ecumênico contextualizado e comprometido socialmente. Nossa agenda passou a se ocupar com os movimentos sociais e com a luta pela redemocratização do País. Nisso angariamos a solidariedade de D. Jacó, Bispo Diocesano e de padres da ICAR e de inúmeros pastores evangélicos. É claro, dois outros pastores de igrejas evangélicas se afastaram alegando que eram amigos do General e que nos achavam muito de esquerda. Não tardou para que pressões se manifestassem para que eu fosse transferido daquela cidade, promovidas por agentes do anti-ecumenismo e do atraso social, alegando que eu não queria batizar seus filhos e fazer casamentos de seus parentes etc. Aprendi que calúnias e injúrias são inerentes ao processo da luta. Até que num dia, sem que ninguém da igreja local soubesse oficialmente, o Bispo Sady passou um dia inteiro de sábado sob interrogatório no QG. Quando chegou à casa pastoral me informou de todos os passos dados pela repressão para calar a voz da igreja. Aliás, ele relatou detalhes impressionantes.

3. Em 1879 fui transferido para Santa Maria-RS. Ali fui atender a Igreja Bom Pastor, de onde partiu agora um manifesto de sua liderança expressando angústia pelos rumos tomados oficialmente pelo Concílio Geral, referente a retirada da IM do ecumenismo. Já em março do mesmo ano lideranças da Igreja Bom Pastor participamos diretamente da mobilização denominada “Passeata da Panela Vazia”, quando mobilizamos em torno de 16.000 pessoas em praça pública. Foi o maior movimento acontecido naquela cidade após as greves dos ferroviários. Lá estava a IM, firme no seu testemunho social e ecumênico, fazendo parte da liderança do movimento e se constituindo em testemunho inconteste das transformações sociais. O Bispo Sady era informado de todos os passos e a tudo apoiava, embora nem sempre concordasse com um detalhe ou outro. Nosso SD era o Rev. Isac Aço. Este era entusiasticamente apaixonado pelas causas ecumênicas e sociais. Num determinado momento os bancários entraram em greve nacional e suas lideranças foram presas. O Rev. Isac e eu compartilhamos solidariedade e conforto aos presos e seus familiares. Motivamos os pastores e padres da cidade a elaborar um documento analisando a conjuntura e prestando apoio aos grevistas. O fato repercutiu nacionalmente, sendo o texto lido por Cid Moreira no Jornal Nacional, da TV Globo, embora essa sempre apoiasse a ditadura. Enfim, o movimento ecumênico ganhou tantas proporções, que se tornou marco de transformação e reforço à luta pelas mudanças no Brasil. Éramos visitados constantemente por lideranças internacionais progressistas que se interessavam em conhecer a luta e sua dinâmica.

4. Até que, na mesma cidade, chegou 1980. Naquele ano tive a casa pastoral invadida por forças repressivas, a intimidade de minha família devassada, livros e documentos presos. A partir daí muitas das ameaças que sofria desde o seminário se transformaram em prisões, em interrogatórios, em processos instaurados à luz da famigerada Lei de Segurança Nacional, sob inspiração autoritária e anti-democrática, até o dia em que fui julgado e condenado a 2 anos e 6 meses de prisão. Mas foi naquele momento que a consciência ecumênica e social da IM se revelou ainda mais robusta e profunda. Antes do julgamento, ao passar pelos imensos constrangimentos dos interrogatórios, sentíamos que a ditadura não se satisfazia com tomadas cartoriais e anunciou a ida de um delegado, famoso por sua truculência e barbárie praticadas contra presos políticos, para me “interrogar”. Mas os Bispos Metodista, Anglicano e Católico Romano se reuniram imediatamente para avaliar a situação e tomar posição. O fato repercutiu nacional e mundialmente. A ditadura recuou e o delegado não me interrogou. Mais uma vez a IM praticou o ecumenismo prático e objetivo, enriquecendo os valores humanos da democracia e do respeito à liberdade de luta e de organização sociais. Até que chegou o tenso dia de meu “julgamento”. Lá, à frente da Auditoria Militar, estavam centenas de católicos, luteranos, anglicanos, democratas, metodistas etc, todos solidários à luta, fazendo a mesma afirmação: na cadeira dos réus estava a Igreja Metodista e ela era a julgada e, depois, condenada, por ser ecumênica e comprometida socialmente. Afirmação correta, pois dias antes eu recebera apoio e solidariedade oficiais do Concílio Geral, reunido em Belo Horizonte. No “julgamento” estiveram inúmeros Bispos e autoridades representativas da IM e do movimento ecumênico internacional. Mas não posso deixar de destacar o testemunho da UNIMEP e do Prof. Elias Boaventura. Estes se responsabilizaram por minha defesa, contratando advogado da melhor qualidade para atuar em minha defesa e na defesa da igreja. A UNIMEP se constituiu, através de muitas ações, inclusive daquela, em baluarte da luta pela redemocratização do Brasil e num referencial respeitado.

5. Em 1983 fui transferido para Porto Alegre, sob o espiscopado do grande homem Isac Aço, de saudosa memória. Na capital fui nomeado SD e eleito vice-presidente do Conselho Regional, órgão máximo de administração da região eclesiástica. Em viagens internacioanis do Bispo Isac Aço eu respondia pela região, dentro dos limites óbvios do cargo. Naquela contexto se espraiavam os ventos da campanha pelas Diretas Já. E lá estávamos nós, como igreja, a representar o pensamento ecumênico e social na luta pelo resgate dos direitos políticos do povo, aspecto importante da salvação cidadânica.

6. Destaco que a experiência ecumênica tinha a marca de profunda espiritualidade. Esta era conteúdo dos que se comprometiam com o projeto libertador de Jesus. A Bíblia era nosso referencial principal. Nossas celebrações eram alimento para a luta e nunca para a auto-satisfação. Nossas orações não eram transferências de responsabilidades para a divindade, bem própria ao misticismo de seita medieval, mas a busca do Outro, em Jesus, que radicaliza a fé na prática. Nessa perspectiva as linhas divisórias do caseirismo intra-denominacional não eram valorizadas. Mas todos/as nos sentíamos irmãos/ãs e companheiros da mesma caminhada libertadora. Libertação era a mesma coisa que salvação. A busca de profundidade teológica era feita com interesse e entusiasmo. Nossas bibliotecas eram fartas e se renovavam semanalmente, pois a prática séria exigia teoria séria.

7. Finalmente, rapidamente senti que o ecumenismo se esfumaçava em todas as igrejas. O monitoramento veio do Vaticano, sob a égide dos conservadores e anti-comunistas João Paulo II e Cardeal Ratzinguer. Muitas denominações passaram a cuidar da moralidade e conversão pessoal de seus rebanhos. Os movimentos carismáticos e pentecostalizantes cresceram no mundo todo, principalmente nas Américas, com marcas agudamente conservadoras e direitistas. Sinais disso foram a teologia da prosperidade, significativamente de conteúdo capitalista, a elição de um presidente na Gautemala, comprometido com a direita e os esquadrões da morte e, finalmente, com a eleição de George W. Busch, o presidente dos Estados Unidos mais sanguinário e criminoso de toda a história daquele país. Pois, Busch tem o apoio de milhares de igrejas ditas evangélicas nas invasões criminosas que faz do Afganistão, do Iraque e, agora, do Líbano e da Palestina. Há poucos dias convidei uma grande liderança de uma Associação de Igrejas Evangélicas para participar de um ato em favor da paz e contra a violência no Líbano. Ele me respondeu que não participaria porque era a favor de Israel e de tudo o que aquele país faz contra os palestinos. Talvez não seja coincidência, mas informações do Congresso Nacional Brasileiro, dão conta de que grande parte dos sanguessugas do orçamento têm número enorme de pastores e deputados evangélicos. Lideranças de igrejas tradicionais empinaram o nariz e arrogante e alienadamente, perdidas, se afastaram da luta social, essência privilegiada do ecumenismo, abandonando grupos e pessoas que lutavam nas frentes libertadoras.

Por isso penso, sem nenhuma pretensão, creio que o ecumenismo, hoje, depende muito mais dos que se comprometem com Jesus e com a libertação do povo do que de bispos e chefes de igrejas, que, na sua arrogância, se enrolam em crises institucionais. Nesse sentido há muito o que fazer. A luta continua e é fértil. Esta plasmará novo ecumenismo e novo modo de ser igreja.

Muitos abraços aos meus/minhas amados/as irmãos/ãs metodistas. Peço que os metodistas comprometidos com o Credo Social e com o Plano da Vida e Missão da Igreja continuem ecumênicos. Vivemos momento extremamente rico e desafiador no Brasil e na América Latina. Há lugar generoso e intenso para os ecumênicos. Venham, irmãos/ãs.

Orvandil Moreira Barbosa

Equipe de Educação para a Paz conclui trabalho

Com a intenção de preparar um material didático-pedagógico para ser utilizado nas escolas confessionais evangélicas da América Latina, foi criado um grupo de trabalho em nível continental que se reuniu duas vezes na cidade de Porto Alegre. A primeira reunião aconteceu em maio passado e a segunda de 12 a 15 de agosto.

Compuseram a equipe, coordenada pelo Rev. Eduardo Chinchilla - Secretário Regional do CLAI para a Mesoamérica, as Profas. Graciela Menutti e Norma Falchetti, da Argentina, o Rev. Gonçalo Randon, da Colômbia, a Profa. Leslie Sequeira, da Guatemala e os brasileiros Pe. Marcelo Resende , Prof. Luís Cláudio Gallardi e Rev. Luiz Caetano Grecco Teixeira, Secretário Regional do CLAI para o Brasil.

O material elaborado pelo grupo tem os seguintes objetivos: a) formar multiplicadores que sejam formadores de Cultura de Paz; b) criar núcleos de Educadores para a Paz; c) formar círculos escolares de Cultura de Paz nas escolas e comunidades de igrejas.

O material consta de um documento motivador e um caderno de conteúdos para formadores - "Aprendendo a Educar para a Paz", que serão publicados em português e espanhol. Além disso estão previstos vários cursos de capacitação para formadores que deverão acontecer pela América Latina a partir de 2007. Espera-se que com o tempo se crie uma rede latino-americana de Educadores para a Paz a partir das escolas confessionais evangélicas.

O material será lançado durante a 5ª Assembléia Geral do CLAI, a realizar-se na cidade de Buenos Aires de 19 a 25 de fevereiro de 2007 e em seguida será apresentado às Igrejas e Escolas Denominacionais do Continente.

Embora seja um material voltado para o universo das Igrejas, não se encerra nesse universo, podendo ser adotado por outras escolas, animadores comunitários, movimentos sociais, etc.

Fonte: http://www.claibrasil.org.br/

Meditação Diária - 22 de agosto

BÊNÇÃO NA DIVERSIDADE
…como em um só corpo temos muitas partes, e todas elas têm funções diferentes, assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo. Portanto, usemos os nossos diferentes dons de acordo com a graça que Deus nos deu.
(Romanos 12.4b-6a) Bíblia na Linguagem de Hoje.

Paulo tocou numa realidade básica da nossa existência: a diversidade na unidade. Ele citou o corpo humano como exemplo. O corpo é um, mas tem muitos membros. Aplicou este conceito para a igreja como corpo de Cristo. Paulo fala do benefício da diversidade de dons na igreja e que cada um deve desenvolver o seu para o bem de todos os demais. A variedade reforça o corpo e o faz mais completo!

Este corpo a qual pertencemos não é somente a igreja, é toda a criação.

A própria criação nos ensina a diversidade na unidade. Pesquisas mostram que a natureza desenvolveu do simples para o complexo. Há 3.500.000.000 anos a vida teve seu início com células simples. Começaram surgir organismos multicelulares há um bilhão de anos. De lá para cá, com o vai e vem de catástrofes globais, a vida tomou formas cada vez mais complexas e sofisticadas. Os seres humanos estão entre os mais recentes a chegarem em cena. Fazemos parte e somos dependentes deste sistema complexo de biodiversidade.

Ultimamente, o ser humano está conseguindo reverter esta tendência de aumento de diversidade. Com a super população e a industrialização, o meio ambiente (criação) está sendo devastado. Milhares de espécies de vida estão sendo extintas. O equilíbrio delicado estabelecido através dos milhões de milênios está sendo sistematicamente destruído. Usando a figura que o Apóstolo Paulo utilizou, o corpo humano: estamos destruindo este corpo do qual fazemos parte.
Há diversidade de religiões. Esta criação de Deus, também inclui as mais variadas manifestações espirituais da humanidade. A religiosidade faz parte da nossa genética e de uma forma ou outra é quase universal. A espiritualidade se manifesta em todas as culturas.

O Cristianismo e o Islamismo têm muita dificuldade em aceitar como válidas as manifestações de fé que são diferentes. Acham que Deus e a verdade só lhes pertencem. Querem converter todos a serem iguais a eles. Cada um se vê como o corpo inteiro do povo de Deus. Seria uma tragédia todos serem cristãos, ou muçulmanos, ou judeus, ou budistas, ou hindus, etc. O resultado seria estagnação e pobreza espiritual. Cada religião tem seus aspectos positivos.

Eu, como cristão, sou membro do corpo de Cristo que inclui tudo que Deus criou e amou. Espero exercer meus dons para o bem de todos os outros membros pela graça divina

Contribuição: Rev. Derrel H. Santee - 20 de agosto de 2006

Meditação Dária - 21 de agosto

Uma leitura do Salmo 55 em tempos pós-conciliares

O Salmo 55 retrata a situação de uma pessoa orante num contexto de profundas decepções, em busca de motivos que proporcionem o reencontro do sentido da vida.

Inicia sua oração rogando a Deus que o ouça: “Ouve a minha oração, ó Deus! Não deixe de atender o meu pedido. Escuta-me e responde”(v.1-2). Passa, então, a enumerar os motivos de sua angústia: “ameaças dos inimigos(...)perseguição(...)desgraças(...)ódio(...)coração cheio de medo(...)pavor da morte” (v.2-4).
Confessa a Deus sua vontade de abandonar tudo: “Ah! Se eu tivesse asas como a pomba, voaria para um lugar de descanso! Fugiria para bem longe e moraria no deserto. Bem depressa procuraria achar um lugar seguro para me esconder da ventania e da tempestade”(v 6-8). Justifica: (vejo)conchavos(...)violência e pancadaria na cidade(...)crimes(...)maldade(...)destruição(...)ruas cheias de exploração e desonestidade” (v.9-11).
Embora as alegações anteriores sejam suficientes para justificar o quadro depressivo apresentado pelo salmista, algo ainda mais grave estava por vir. Disse o (a) orante a Deus: “Não era um inimigo que estava zombando de mim; se fosse, eu poderia suportar; nem era um adversário que me tratava com desprezo, pois eu poderia me esconder dele. Porém foi você mesmo, meu companheiro, meu colega e amigo íntimo! Conversávamos com toda a liberdade e íamos juntos adorar com o povo no Templo (...)O meu antigo companheiro atacou os seus próprios amigos e quebrou as promessas que havia feito a eles. As palavras dele eram mais macias do que a manteiga, mas no seu coração havia ódio. As palavras dele eram mais suaves do que o azeite, mas cortavam como espadas afiadas” (v. 12-14; 20-21).
Tem o salmo 55 algo a nos dizer, como cristãos e cristãs metodistas, nesses tempos de interregno entre as duas etapas do Concílio Geral?
Contribuição: Rev. Messias Valverde

Meditação Diária - 20 de agosto

A lição dos Pães Luteranos

Texto: 1 Jo 4.20

Lembro-me com muitas saudades dos amigos luteranos de Tangará da Serra – MT. O que me marcou naquela gente, mais do que sua fé, sua confessionalidade, seu credo, foi a maneira simples e modesta, mas, muito prática, que viviam.

Num final de ano daqueles, as mulheres luteranas se reuniram e, com seus próprios recursos, prepararam centenas de pães para serem distribuídos na vizinhança da igreja... saíram... homens, mulheres, crianças pelas ruas com seus pães, batendo de casa em casa oferecendo um pão caseiro caprichado para cada família. O sentido daquilo era simbolizar, naquele ato de partilha, a gratidão que tinham por não lhes ter faltado o pão na mesa durante o ano que se findava. Agradeciam a Deus presenteando seus vizinhos/as.

Com essa recordação penso nas celebrações que vejo em nosso cristianismo moderno. Somos dependentes dos acordes, do requinte, do glamour. Mas isso não me atormenta tanto. O que mais me preocupa, são as mensagens que temos cantado e falado. É sempre eu-Deus, Deus-eu, meu pra Ele, d’Ele pra mim. O que eu dou a Ele e o que Ele pode dar a mim! Cantamos muito o ‘eu”! o Tu (Deus), quase sempre, em relação ao ‘eu’ e, raramente, o ele/a (próximo/a)!

Não há nada de errado nesse relacionamento eu - Deus! O que há de errado é esta mensagem intimista, particular, fechada, privativa e, até egoísta, que não toca quem está ao lado! Cantamos uma relação de nós pra Deus e de Deus pra nós, e só, sem espaço para o outro, para a vida, para a normalidade, para os fatos palpáveis, para as duras realidades! E, lembremos: “A boca fala do que o coração está cheio” (Mt 12.34)!

Não podemos nos tranqüilizar com essa Teologia da Alienação! Uma fé sem massa, sem pão, sem distribuição, sem sorriso, sem vizinho!

Em vários momentos Jesus nos alerta para o perigo do afastamento das coisas reais, para essa levitação que é capaz de tirar as pessoas da Terra, da realidade, e buscar somente esse transe que faz esquecer as carências próprias da vida!

Precisamos de uma espiritualidade de belas canções que nos levem para Deus, mas isto não pode ser motivo de nos esquecermos de quem mora ao lado.

* Onde está meu irmão/ã? Será que ele/a pode ser encontrado/a nas minhas canções, em minhas celebrações, ou só consigo agradecer, adorar de olhos fechados?

Oração: Querido Pai, ensina-me uma fé que fale mais de pão, de comunhão, de vida prática. Dá-me forças para amar a Ti sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Amém!

Colaboração:
Rev. Nilson da Silva Júnior