23 dezembro, 2006

Voz profética é isso...

Arcebispo de Brasília critica aumento dos parlamentares

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A notícia está no site da Câmara Federal.
O arcebispo de Brasília, d. João Braz de Aviz, que celebrou a missa de confraternização de Natal e encerramento do ano legislativo, afirmou hoje que é inaceitável um parlamentar brasileiro receber mais de R$ 800 por dia, enquanto muitas pessoas que ele representa são obrigadas a viver com R$ 12 por dia. A declaração foi feita logo após a missa no Salão Negro do Congresso.
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, afirmou que a "palavra da Igreja está certa", comentando a declaração do arcebispo de Brasília. "É a palavra da justiça social. Os erros têm que ser consertados", disse.

(Dom João - que aparece na foto liberada há pouco pela Agênciaâmara - era arcebispo de Maringá até ser promovido para Brasília e antecedeu dom Anuar Battisti) - www.angelorigon.blogspot.com/

Verso e Voz — 23 de dezembro

Abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis; alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram; sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios aos vossos olhos; a ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos as pessoas. Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todas as pessoas. — Romanos 12.14-18

“A fé está dando o primeiro passo mesmo quando você não vê a escada inteira”. — Martin Luther King Jr.

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22 dezembro, 2006

Bispo Metodista participa de Semana de Oração

EQUADOR
Pagura visitará o país na Semana de Oração

Por Carlos Ramos

QUITO, 21 de dezembro (ALC) - O bispo emérito da Igreja Evangélica Metodista da Argentina e co-presidente do Movimento Ecumênico de Direitos Humanos (MEDH) da Argentina, Federico Pagura, participará, de 18 a 25 de janeiro de 2007, de uma série de conferências, sermões e atividades ecumênicas em Quito, na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Junto com Pagura, que vive na Argentina, participará da Semana o bispo católico equatoriano Luis Alberto Luna Tobar, também emérito, que reside na cidade de Cuenca, onde exerceu atividade pastoral por muitos anos. Atualmente, Tobar escreve para vários meios de comunicação e é uma figura emblemática na luta pelos direitos humanos e pela causa dos empobrecidos.

As atividades ecumênicas programadas para a Semana serão realizadas em templos evangélicos e em recintos católicos, inclusive na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Equador.

O poeta e pastor Federico Pagura foi presidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e abordará em suas exposições temas como "Os fundamentalismos, uma ameaça para a paz" e "Ecumenismo e anti-ecumenismo no século XXI".

A organização destas atividades está a cargo da Fraternidade Ecumênica do Equador, que reúne evangélicos e católicos e organiza a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos no início de cada ano.

A Fraternidade Ecumênica é presidida pelo pastor luterano Felipe Adolf, que pastoreia a Igreja Evangélica Luterana "O Advento", na cidade de Quito.
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Reações de igrejas sobre a farra dos parlamentares

BRASIL
Sociedade se indigna e parlamentares recuam no reajuste de seus salários

BRASÍLIA, 21 de dezembro (ALC) - A proposta de reajustar em 91% o salário de deputados e senadores, sugerida pela cúpula do Congresso Nacional na quinta-feira, 14, provocou a reação da sociedade, de lideranças religiosas, da mídia, de movimentos sociais e sindicais brasileiros.

Se o reajuste proposto fosse adotado, os parlamentares passariam a receber 24,5 mil reais (cerca de 11,3 mil dólares) por mês a partir de 1. de fevereiro. Diante da forte reação da sociedade, deputados e senadores decidiram, ontem à noite, deliberar sobre o auto-reajuste no próximo ano, deixando em aberto o percentual.

Segundo o bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Maurício José Araújo de Andrade, falta aos parlamentares brasileiros uma compreensão da realidade do país. "Caso o reajuste fosse aprovado, o Brasil passaria a sustentar o Legislativo mais caro do mundo", destacou.

Em entrevista à ALC, o primaz argumentou que a posição da IEAB tem sido a de fazer coro com a sociedade, que tem repudiado a postura dos deputados justamente num período de transição política. "Infelizmente, os deputados não estão conseguindo ouvir o que a sociedade tem a dizer", enfatizou o líder anglicano.

Em nota divulgada ontem, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) reagiu com indignação à proposta do que denominou de "supersalários". O texto da mensagem, assinada pelo pastor primeiro vice-presidente Homero Pinto, enfatiza que o Congresso teve sua credibilidade abalada por denúncias envolvendo um significativo número de parlamentares e que a decisão de reajustar os vencimentos muito acima da inflação do período "desacredita ainda mais as lideranças políticas do nosso país".

A IECLB destaca, na nota, que a aprovação do reajuste provocaria um distanciamento ainda maior entre a classe política e a classe trabalhadora. "Tal decisão é escandalosa e imoral, e escancara, mais uma vez, a desigualdade socioeconômica que existe em nosso país", apontou.

No mesmo tom de indignação, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) evidenciou que o reajuste sugerido pelos parlamentares faria crescer o "fosso" entre os legisladores e o povo.

A nota da CNBB, assinada por seu presidente, cardeal Geraldo Majella Agnelo, lembra os políticos de que "eles foram eleitos pelo povo para o poder-serviço". Pede, também, urgência para a reforma política, capaz de inibir decisões que obscurecem a dignidade da política.

"Um salário de 24,5 mil reais diante do salário mínimo de apenas 350 reais (cerca de 163 dólares) sinaliza mais interesses particulares do que a defesa da justiça ou gesto de partilha em solidariedade à população empobrecida", arrola a CNBB.

Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo o "superaumento é injustificável" frente ao pífio reajuste de 8% proposto para o salário mínimo.
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Movimento Carismático provoca tensões na IECLB

BRASIL
Decisão de instância jurídica gera tensões na IECLB

Por Edelberto Behs

PORTO ALEGRE, 22 de dezembro (ALC) – O Conselho da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e o Movimento Encontrão movem suas peças num intrincado tabuleiro de xadrez, no qual um lance mais brusco pode resultar em ruptura, num jogo em que já sabem de antemão que não haverá vencedores, apenas vencidos.

No centro desse tabuleiro está a Paróquia Evangélica de Lajeado, da cidade de Lajeado (a 120 km de Porto Alegre), que tem em torno de 4 mil membros e integra o Sínodo Vale do Taquari.

Em processo administrativo disciplinar movido contra lideranças da Paróquia, a Comissão Jurídica Doutrinária da IECLB, ratificando decisão da Comissão Jurídica do Sínodo Vale do Taquari, determinou o afastamento do pastor local, Rudi Tünnermann, e a perda do cargo do presidente da Paróquia, Egon Schwingel, e do presidente da Comunidade de Lajeado, Charles Jorge Schwingel, declarando-os inelegíveis por quatro anos.

Assembléia da Comunidade Evangélica de Lajeado, realizada na quarta-feira, 13 de dezembro, aprovou encaminhamento ao Conselho da Igreja pedindo a revisão do processo disciplinar, que condenou o pastor e lideranças locais ao afastamento de seus cargos, argumentando, entre outros, que a comunidade local não foi ouvida no processo. O pastor tem até o dia 28 de fevereiro para deixar o ministério pastoral de Lajeado. Os dois presidentes sentenciados já deixaram as funções.

Ouvido pela ALC, Tünnermann declarou que não pretende sair de Lajeado porque a comunidade local quer a sua permanência. Se o Conselho da Igreja mantiver a decisão da Comissão Jurídico Doutrinária, adiantou, uma parte da comunidade vai se desligar da IECLB e os quatro pastores que com ele trabalham na paróquia pedirão afastamento do quadro de obreiros da igreja. Tünnermann e o presbitério local estão vinculados ao Movimento Encontrão, de avivamento espiritual.

“Nosso propósito não é rachar”, frisou Tünnermann, “mas se rachar aqui, é o início do racha nacional”, vaticinou. Em manifesto publicado no sítio na rede mundial de computadores, em 26 de novembro, o Movimento Encontrão apóia a Comunidade de Lajeado, “denuncia e se posiciona contra o autoritarismo institucional e o absoluto despreparo e evidente falta de isenção das Comissões Jurídico-Doutrinárias sinodal e nacional”.

Dias depois, a 4 de dezembro, o presidente do Conselho da Igreja, Milton Laske, e o pastor presidente, Walter Altmann, remeteram mensagem às comunidades da IECLB de esclarecimento dos fatos. Na carta, eles pediram que o Movimento Encontrão retire as acusações dirigidas aos integrantes das Comissões Jurídico Doutrinárias do Sínodo e da Igreja, e que interfira junto ao pastor Tünnermann, aos líderes comunitários Egon e Charles Schwingel para que se submetam às decisões definidas no processo administrativo disciplinar.

No esclarecimento às comunidades, Laske e Altmann advertem que “qualquer postura de descumprimento importará em gesto de rebeldia e desacato, não a pessoas, mas à instituição”.

A revisão do processo jurídico doutrinário, como quer a Comunidade de Lajeado, só acontecerá mediante um fato novo, e um fato novo só pode ser uma nova conciliação, interpretou para a ALC o presidente do Conselho do Sínodo Vale do Taquari, professor Otávio Schüller.

Embora admitindo que o tabuleiro de xadrez aponte, de momento, uma situação complicada, o pastor primeiro vice-presidente da IECLB, Homero Severo Pinto, ainda acredita numa reversão. “A presidência da Igreja está atuando pastoralmente, tentando mediar o conflito”, declarou. Ele foi indicado pela presidência para acompanhar o caso.

Também o presidente do Conselho da Igreja, advogado Milton Laske, tem expectativas de uma reversão. O problema maior, explicou Laske, “é o pouco conhecimento que as pessoas têm do modelo eclesiológico vigente na IECLB”. O modelo é sinodal, diferente da formatação da igreja de há poucos anos, quando ela tinha uma estrutura que se confundia ora com o modelo congregacional, ora episcopal.

O Sínodo é que detém grande parcela das decisões pastorais e administrativas na igreja. Entre os argumentos arrolados pela Assembléia de membros de Lajeado para pedir a revisão do processo disciplinar, ela recorreu ao regimento interno da IECLB para dizer que a comunidade é a base de trabalho da igreja e que a assembléia geral da comunidade é o órgão máximo de discussão e decisão sobre os assuntos relacionados com a sua missão.

O primeiro vice-presidente do Encontrão, Nestor Mentz, revelou que o movimento vai se pronunciar em breve a respeito do impasse surgido em Lajeado. Ele acredita que a reconciliação é possível e garantiu que estão trabalhando nesse sentido. “Somos absolutamente respeitosos à igreja, pois somos IECLB e o Movimento Encontrão está sujeito ao ordenamento da igreja”, declarou.

Ainda assim, entende que o processo disciplinar está cheio de erros e que o Judiciário da igreja, por ser ainda novo e estar em fase de construção, carece de maturidade.

Também destacou que o trabalho do pastor Tünnermann em Lajeado está plenamente sintonizado com o Encontrão e é exemplar, uma espécie de “vitrina” do que pode ser realizado num centro urbano, principalmente em se tratando de uma igreja de origem rural, como é o histórico da IECLB.

Admitiu, contudo, que toda novidade, como é o ministério pastoral desenvolvido em Lajeado, gera reações que precisam ser examinadas e avaliadas, pois o Encontrão preconiza a inclusão de todos.

O início do conflito remonta a uma representação encaminhada por um grupo de membros da Comunidade Evangélica de Lajeado ao Sínodo Vale do Taquari, em março de 2005, denunciando o coordenador ministerial da Paróquia, pastor Rudi Tünnermann, e lideranças do presbitério por comportamentos incompatíveis com o exercício do ministério pastoral e de liderança comunitária.

Esse grupo sentiu-se excluído do corpo da comunidade por causa do modelo de trabalho ministerial, litúrgico e pastoral lá desenvolvido. Numa manifestação de lideranças da Comunidade Evangélica de Lajeado apresentada no Concílio do Sínodo Vale do Taquari, em 23 de setembro, eles historiaram que “um pequeno grupo de membros” tentou assumir o presbitério em dezembro de 2004, apresentou uma chapa de oposição e perdeu as eleições.

A razão para a instauração do processo administrativo disciplinar, arrolaram no Concílio de setembro os líderes Charles Schwingel e Gastão Schneider, este então na presidência da Paróquia, é uma só: “As autoridades eclesiais do Sínodo Vale do Taquari não admitem o modelo de atuação pastoral desenvolvido (em Lajeado), por estar identificado com o Movimento Encontrão”.

Tünnermann assegurou que em nenhum momento feriu alguma norma regimental, administrativa ou ética da igreja, e que em nenhum momento deixou de cumprir as tarefas ministeriais que lhe foram delegadas.

Laske e Altmann lembram, na manifestação às comunidades, que a IECLB tem nos membros, comunidades e obreiros vinculados ao Movimento Encontrão “uma das suas grandes riquezas e é com alegria que se verifica o seu empenho na propagação do evangelho, em especial no trabalho missionário”.

A discórdia, destacou Schüller, não é entre o Sínodo e a Comunidade Evangélica de Lajeado, “mas é briga de facções” da comunidade local. Em diferentes ocasiões o Sínodo buscou “a disciplina fraterna”, que vem a ser a tentativa de diálogo entre as partes, pelo menos em três oportunidades, antes de instaurar o processo administrativo disciplinar, assinalaram Schüller e o pastor sinodal Erno Feiden, do Sínodo Vale do Taquari.

Qualquer que seja o desfecho dessa discórdia entre os da mesma fé, fato é que ela provocou feridas que levarão tempo para cicatrizar, ou, dependendo dos encaminhamentos, jamais se curará. Como disse Feiden, “ninguém sai vitorioso com isso, todos perdem. O prejuízo para a igreja é muito grande”. Na avaliação de Nestor Mentz, todo esse desentendimento “é vergonhoso para a nossa igreja”.
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Verso e Voz — 22 de dezembro

Irmãos e irmãs, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão. — Tiago 5.10-11

“Onde nós seríamos hoje se determinadas mulheres, homens, jovens, e também as crianças não se levantassem nos momentos em que a família humana pareceu destinada para o pior? Não disseram: ‘deixem as coisas tomaram seu curso!’ Além dos enfrentamentos entre pessoas, povos, e famílias espirituais, prepararam uma maneira de confiar. Suas vidas testemunharam o fato que os seres humanos não estiveram criados para o desespero”. - Irmão Roger de Taize


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21 dezembro, 2006

Recebi, gostei e repasso

Muito lúcido o texto... vale a pena meditar nele.

LISTA DE NATAL
Frei Betto
Neste Natal, não quero o Papai Noel das promoções comerciais, das ceias pantagruélicas, dos presentes caros embrulhados em afetos raros. Quero o Menino Jesus nascido no coração da manjedoura, esperança acesa num pasto de Belém, Maria a cantar que os abastados serão despedidos de mãos vazias e os pobres saciados de bens.
Não quero o Papai Noel das lojas enfeitadas, do celofane brilhante das cestas de produtos importados, das garrafas em que os néscios afogam tristezas rotuladas de alegrias. Quero o Menino palestino em busca de uma terra onde nascer e viver, o Menino judeu arauto da paz na Terra aos homens e mulheres de boa vontade, o Menino poupado da estupidez das guerras.
Neste Natal dispenso abraços protocolares e sorrisos sob medida, sentimentos retóricos e emoções que encobrem a aridez do coração. Quero o amor sem dor, a oração só louvor, a fé comungada no sabor de justiça.
Não quero presentes dos ausentes, a litúrgica reverência às mercadorias, a romaria pagã aos templos consumistas dos shopping-centers. Quero o pão na boca da criança faminta, a paz que se alarga dos espíritos atribulados aos campos de batalha, o gozo de contemplar o Invisível.
Neste Natal, não quero essa pavorosa troca de produtos entre mãos que não se abrem em solidariedade, compaixão e carinho despudorado. Quero o Menino solto no mais íntimo de mim mesmo, semeando ternura em todos os canteiros em que as pedras sufocam as flores.
Não quero esse ruído urbano que esmaga a alma, os ouvidos aprisionados aos telefones, o olfato condenado por odores insalubres,a boca em cascatas de palavras inúteis, despidas de verdade e sentido. Quero o silêncio indevassável de meu próprio mistério, o canto harmônico da natureza, a mão que se estende para que o outro se erga, a fraternura dos amigos abençoados pela cumplicidade perene.
Neste Natal, não me interessam as oscilações dos índices financeiros, as promessas viciadas dos políticos, os cartões impressos a granel, cheios de colorido e vazios de originalidade. Quero as evocações mais ternas: o cheiro do café coado de manhã por minha avó, o som do sino da matriz, o rádio Philco exalando sabonete enquanto a babá me via brincar no quintal.
Não quero as amarguras familiares que se guardam como poeira nas dobras da alma, as invejas que me alienam de mim mesmo, as ambições que me tornam triste como as galinhas, que têm asas e não voam. Quero os joelhos dobrados no átrio da igreja, a cabeça curvada ao Transcendente, a perplexidade de José diante da gravidez inusitada de Maria.
Neste Natal, não irei às ruas febris dos mercadores de bens finitos, nem disfarçarei em algodão a neve que se amontoa em meus dissentimento ou prenderei falsas sinetas no frontispício de minha indiferença. Quero o segredar dos anjos, a alegria desdentada de um pobre reconhecido em seu direito, a euforia imaculada de um bebê acolhido em braços amados.
Não viajarei para longe de mim mesmo, à procura de uma terra na qual eu próprio me sinta estrangeiro, falando um idioma cujo significado me escapa. Mergulharei no mais profundo de minha subjetividade, lá onde as palavras se calam e a voz de Deus se faz ouvir como apelo e desafio.
Neste Natal, não entupirei o meu verão de castanhas e nozes, panetones e carnes gordas. Nem deixarei o que me resta de sensatez resvalar pelo gargalo de uma bebida destilada. Porei sobre a mesa Deus fatiado em pão, a entornar de vinho cálices alados, e convidarei à festa os famintos de bem-aventuranças.
Não rezarei pela bíblia dos que professam o medo, nem acenderei velas aos guardiões do Inferno. Não serei o alpinista de cobiças desmedidas, nem o coveiro de utopias libertárias. Desfraldarei sobre o telhado a bandeira de sonhos inconfessos e semearei estrelas no jardim de meus encantos, lá onde cultivo essa doce paixão que me faz sofrer de saudades do que é terno.
Neste Natal, farei de minhas gravatas uma imensa corda para enforcar o cinismo das convenções sociais e descerei um por um os degraus dos podres poderes, até ingressar nos subterrâneos repletos de luz dos servos da esperança. Não sonegarei sentimentos e encantos.
Andarei nu pelas ruas para que todos vejam como o tempo enrugou delicadamente a minha pele, imprimiu flacidez a esses membros prenhes de história e cobriu-me de pêlos alvos como o frescor da velhice coerente.
Não aceitarei os brindes de mãos que não se tocam, nem irei às ceias dos que se devoram. Não comerei do bolo que empanturra corações e mentes, nem deixarei que a aurora do Menino me surpreenda empanzinado de sono. Alimentado como um pássaro, sairei na noite feliz guiado pela estrela dos magos; dançarei aleluias entre as galáxias da Via Láctea e, pela manhã, em cada raio de sol injetarei poesia para que todos acordem inebriados como se fossem borboletas livres do casulo.
Pisarei cuidadoso entre mortos inocentes e alentos frustrados, e haverei de conferir no monitor eletrônico quantos foram os dissabores disseminados pela fera disfarçada de humano.
De mãos dadas com o Menino, deixarei que as águas lavem o avesso de minha pele e, em seguida, caminharemos silentes rumo ao futuro. E eu estarei com os olhos fixos no Menino para que seu verbo se faça carne em meu coração de pedra, cuidando para que ele cresça despregado da cruz, exaltado pela vitória inelutável da Ressurreição.
- Depois de meditarmos no texto do Frei Beto, tenhamos um bom Natal, se as nossas consciências assim o permitirem... -

Verso e Voz — 21 de dezembro

Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos e irmãs. Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão ou irmã necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?1 João 3.16-17

"Estar receoso é comportar-se como se a verdade não é verdadeira". - Bayard Rustin (ativista para a paz e líder do movimento dos direitos civis na América do Norte, organizador da Marcha a Washington de 1963.)

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20 dezembro, 2006

Onde estão os símbolos do Natal?

Nas ruas, poluição visual a serviço do comércio. Nas igrejas, o receio da idolatria. Qual é o verdadeiro lugar dos símbolos natalinos?

As velas da Coroa do Advento sinalizam os quatro domingos que antecedem o Natal.

Existe uma música infantil que diz: “Papai Noel chegou, abriu a porta e entrou... Claro, né! Não temos chaminé!” Pois é... o Brasil não tem chaminé ou neve em dezembro mas nem por isso deixa de ser influenciado pela simbologia natalina de origem européia. Ela entra pela porta! ...e, também, por nossas retinas tão fatigadas, como diria o poeta: na TV, nos shoppings e nas decorações das ruas, a profusão de imagens natalinas satura a visão e esvazia o sentido do símbolo. E muitos cristãos tendem a se afastar dessa simbologia, seja porque ela está por demais contaminada pela idéia de consumo, seja porque ela remete à idolatria e ao paganismo. Muitos se lembram, por exemplo, que a árvore era cultuada por religiões pagãs. E que o próprio 25 de dezembro era a data em que se celebrava o deus sol...


Contudo, “tão preocupante como um cristianismo idólatra é um cristianismo sem símbolos ou referências”, alerta o Rev. Edson Cortásio Sardinha, pastor da Igreja Metodista em Ji-Paraná, Rondônia. Segundo o pastor, que também é pedagogo e especialista em liturgia e arte sacra, preservar os símbolos do Natal é uma forma pedagógica de revivermos dois referenciais de nossa fé: a palavra e a tradição. “Cada símbolo natalino fala de passagens específicas dos Evangelhos de Mateus e Lucas. Sinaliza a Teologia do Verbo que se fez carne, como demonstra João em seu Evangelho. A igreja que não comemora o Natal está jogando fora a valorização do próprio Evangelho da infância do Senhor”, afirma ele.

O papel do símbolo
O Rev. Edson explica que o símbolo faz parte do cotidiano e significa parte de algo maior. “Como um galho cortado faz parte de um galho maior, assim é a origem etimológica da palavra símbolo. O símbolo no sacramento é sinal visível de uma graça invisível”.
Segundo o pastor, não conseguimos viver sem a comunicação dos símbolos. Sejam visuais, sonoros ou táteis, eles estão em todo lugar: nas placas, semáforos, na arte, na educação. “O Novo Testamento é rico em símbolos: pão, vinho, pomba, óleo, canto, etc. Ignorá-los é se perder num mundo irreal, platônico, totalmente fora de relevância para a mente humana. O nosso conhecimento é construído a partir de símbolos que existem e que criamos. Cristianismo sem símbolo cristão é cristianismo sem parte de sua identidade”. No extremo oposto, está a idolatria, que é a escravização ao símbolo. “O símbolo na idolatria perde todo seu contexto pedagógico e se transforma em amuleto muito utilizado pelas religiões animistas. Contudo, isso não pode ser argumento para ignorarmos as riquezas dos símbolos cristãos e descaracterizar a nossa fé cristã”, explica o pastor.

Árvore de Natal na fogueira
O Rev Edson Cortásio conta que chegou a ver igreja metodista acendendo fogueira para queimar árvore de natal, guirlandas, sinos, presépios, cartões, etc. “Como a nossa cultura protestante é anti-romanista, todos os símbolos cristãos usados pela liturgia católica são considerados abomináveis”, explica ele. “Com isso percebemos nas igrejas evangélicas, inclusive em muitas igrejas metodistas, uma supervalorização dos símbolos judaicos e uma descaracterização do templo com relação aos símbolos cristãos. Substituem a cruz pelo castiçal judaico (menorá), retiram as velas do advento e colocam o shofar, a bandeira de Israel, etc. Este é um movimento estranho e que descaracteriza o cristianismo. Não sou contra os símbolos judaicos. Eles são importantes na liturgia judaica e podem ser usados na liturgia cristã. Mas sou contra a descaracterização de nossas igrejas”.

O resgate do significado
Segundo o Rev. Cortásio, o resgate dos símbolos do Natal deverá vir pelo resgate da liturgia. “Quando valorizarmos os mistérios litúrgicos enquanto mistérios divinos, valorizamos os símbolos como parte desse mistério”. Diante dos apelos comerciais, ele recomenda não antecipar a comemoração do Natal. “Não podemos, a pedido do comércio, alterar o calendário litúrgico. Devemos esperar. Preparar o coração e viver cada parte do Advento. Sem pressa. Sem correria. Devemos, diante da árvore, símbolo da luz de Cristo e diante do presépio e das canções natalinas, viver o mistério. Essa é a beleza da liturgia. Através da liturgia podemos voltar a Nazaré e contemplar o anjo conversando com Maria. Podemos acompanhá-la até sua visita a Isabel. Podemos ir a Belém, e ver Jesus na manjedoura. Podemos cantar com os anjos e se alegrar com os pastores. Podemos novamente voltar ao Oriente e iniciar uma caminhada atrás da estrela de Belém”. Para o pastor, a liturgia também pode ser um momento profético de denúncia e revelação da desigualdade social, ao trazer à memória o Cristo sem lugar para nascer, d morte dos inocentes pelo terrível Herodes, a fuga para o Egito, a perseguição e a exclusão social. “Que junto ao nascimento de Cristo, a liturgia de nossas igrejas nos auxilie a encontrar paz para celebrar a alegria e força para combater as injustiças”. Amém!

De origem latina, a palavra presépio significa manjedoura ou estábulo. Hoje significa a encenação do nascimento de Jesus. Segundo alguns estudos, o primeiro a encenar o nascimento de Jesus foi Francisco de Assis, no século XIII. Na foto, um presépio artesanal da organização não governamental de comércio solidário Ética Brasil (www.eticabrasil.com.br).

O primeiro cartão de Natal “comercial” surgiu na Inglaterra em 1843. O pintor John Calcott Horsley desenhou uma família ao redor de uma mesa bastante farta e, ao lado, um rico alimentando crianças pobres (provavelmente inspirado no “Conto de Natal” de Charles Dickens, escrito naquele mesmo ano). Ele trazia a frase que se tornaria clássica: “Feliz Natal e Próspero Ano Novo”. Horsley fez o cartão sob encomenda de Henry Cole, diretor de um museu, que imprimiu mil cópias.

A criação da árvore de Natal é atribuída ao alemão Martinho Lutero, líder da Reforma Protestante. Conta-se que Lutero voltava para casa, num gélido dia de dezembro, quando se encantou com a paisagem dos pinheiros elevando-se em direção ao céu estrelado. Parecia que as árvores estavam ornamentadas pela luz das estrelas. Ao chegar em casa, quis compartilhar a cena com sua esposa e filhos: plantou um galho de pinheiro num vaso e decorou-o com pequenas velas acesas; a partir de então, um símbolo da Jesus, luz do mundo.


A própria data em que se comemora o Natal tem um significado simbólico: 25 de dezembro era o dia em que se celebrava o deus sol. Escolher essa data para comemorar o nascimento de Jesus foi uma estratégia missionária: o objetivo era anunciar Jesus – nosso “sol da justiça” aos povos pagãos.

Papai Noel: o que é que a gente faz com ele?
Muitos pais e mães cristãos ficam desconcertados quando seus filhos pedem para “escrever uma cartinha para o Papai Noel”. Muita calma nesta hora! É natural que as crianças sejam influenciadas pelos símbolos presentes na TV, no comércio e até nas escolas. O Rev. Edson Cortásio lembra que o Papai Noel não é um símbolo anticristão por natureza. “Ele faz parte dos contos de fadas tão comuns em nossa infância. Está no grupo da Branca de Neve, Cinderela, etc.” Ele destaca, porém, que essa figura causa exclusão social e constrói uma imagem de Natal sem presépio – muitas crianças conhecem a figura do Papai Noel e não conhecem a história do verdadeiro Natal.

“Como pastor e pedagogo, opto em trabalhar o Papai Noel como é apresentado pelo comércio. Ou seja, é apenas mais um boneco nas lojas. É um homem com fantasias que distribui balas para as crianças que passam pelas ruas e um personagem dos desenhos animados presente no imaginário infantil”, diz ele. Assim, não é necessário “combater” a figura do Papai Noel mas, por outro lado, é necessário valorizar a tradição cristã. “Devíamos trabalhar mais os Evangelhos da infância de Jesus, o presépio e os símbolos litúrgicos do Natal. Com um Natal celebrado e vivido na liturgia, a ênfase sobre o Papai Noel perde forças”, afirma.

Suzel Tunes

http://www.metodista.org.br/index.jsp?conteudo=3932

Verso e Voz — 20 de dezembro

Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. ― Provérbios 3.5-6

“Durante toda sua vida a resposta de Jesus às mulheres era uma de compaixão e de inclusão, uma postura rara em seu dia. Não estava receoso em ser visto no público com 'as pecadoras' mais marginalizadas - prostitutas, adúlteras, e uma mulher que estava 'imunda' por muitos anos com um fluxo de sangue. Revelou-se como o Messias à mulher samaritana no poço, convidou Maria de Betânia a sentar-se com ele e aprender, deu boas-vindas à Maria Madalena em seu círculo dos amigos, e recebeu unção de óleo caro antes de sua morte, repreendendo seus discípulos por criticar a mulher que o deu tal atenção”. ― Joyce Hollyday

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19 dezembro, 2006

Tarefas Ecumênicas Mundiais

ALEMANHA
CMI e Rede Ecumênica tocarão campanha da água

HAMBURGO, 14 de dezembro (CMI) - A agência protestante alemã de ajuda
Brot für die Welt (Pão para o Mundo) entregou um timão, símbolo de campanha
pela água, ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI), transferindo, simbolicamente, a responsabilidade desse empreendimento ao organismo ecumênico, que a tocará junto com uma nova Rede Ecumênica da Água (Ecumenical Water Network, EWN).

A campanha alemã, iniciada em março de 2003, tinha por objeto garantir o
direito humano à água. Na cerimônia de encerramento da campanha, ocorrida em
Hamburgo, em outubro, a presidenta do comitê de subvenções de Pão para o Mundo, bispa Bärbel von Wartenberg-Potter, fez a entrega do timão ao conselheiro do Comitê Central do CMI, professor Fernando Enns, que, por sua vez, entregou-a ao secretário geral do CMI, Samuel Kobia, na terça-feira, 12.

Declaração sobre “Água para a vida”, emitida pela 9ª Assembléia do CMI, em fevereiro de 2006, instava o organismo ecumênico a promover “a cooperação das
igrejas e dos organismos ecumênicos em relação aos problemas da água mediante a participação na Rede Ecumênica da Água”.

A nova rede tem um boletim e participará no 7º Fórum Social Mundial (FSM), previsto para janeiro de 2007, em Nairobi, Quênia, como parte da coligação ecumênica mundial.
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Verso e Voz — 19 de dezembro

Mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros e outras, pois que já vos despistes do homem e mulher velho com os seus feitos, vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego ou grega nem judeu ou judia, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo ou escrava ou livre, mas Cristo é tudo em todos. ― Colossenses 3.8-11

“Se somos sérios sobre a paz, então devemos trabalhar para ela tão ardentemente, seriamente, continuamente, cuidadosamente e corajosamente como nós nos preparamos sempre para a guerra”. ― Wendell Berry

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18 dezembro, 2006

Novo secretário do CONIC diz que a ênfase será o diálogo

BRASIL
Sacerdote anglicano assumirá secretaria executiva do CONIC

BRASÍLIA, 18 de dezembro (ALC) – O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) tem um novo secretário executivo: o sacerdote anglicano Luiz Alberto Barbosa, 38 anos.

Ele assumirá as novas funções no dia 1. de fevereiro do próximo ano, mas tomará posse do cargo, oficialmente, em celebração na catedral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) de Brasília, no dia 7 de março.

Em entrevista à ALC, Barbosa disse que a ênfase de sua gestão à frente da secretaria executiva do CONIC, também acordado com a diretoria do Conselho, será a auto-reflexão e a abertura ao diálogo, de modo especial com a Igreja Metodista, que deixou o organismo este ano, mas também com outras igrejas, do espectro evangélico ao pentecostal.

“O CONIC está aí para construir pontes. Esse é o seu grande sonho, de tornar-se um conselho nacional. Hoje ele está restrito a seis igrejas”, afirmou Barbosa, sinalizando o empenho da entidade para a expansão de igrejas-membros.

Ao completar 25 anos de existência no próximo ano, o CONIC prepara, para novembro, em São Paulo, seminário que enfocará precisamente a missão e o ecumenismo, pontos-chave na perspectiva do Conselho.

Barbosa substituirá o pastor metodista Western Clay Peixoto na secretaria executiva do organismo ecumênico nacional. Peixoto deixou o posto em decorrência da decisão do Concílio da Igreja Metodista, em julho, de se retirar de todos os organismos ecumênicos que tivessem a presença da Igreja Católica e de grupos não-cristãos.

O novo secretário executivo do CONIC define-se ecumênico por herança familiar. Já teve passagem pela igreja presbiteriana, católica-romana e desde 2001 é sacerdote episcopal anglicano. Atuou na Comissão de Direitos Humanos do Conselho, na Campanha da Fraternidade Ecumênica e na Década de Superação da Violência.

É natural de Goiânia. Foi ministro encarregado na Missão da Reconciliação, em Anápolis, Goiás. Transferiu-se para Brasília, onde assumiu a Capelania da Língua Inglesa e a administração da Diocese da IEAB na capital federal, cargo que ocupa desde março de 2002.

Reunida em Brasília na quarta-feira, 13, a diretoria do CONIC decidiu a escolha de Barbosa dentre quatro candidatos. Também a secretaria do Conselho Latino-Americano de Igreja (CLAI), regional Brasil, está nas mãos de sacerdote episcopal anglicano, o reverendo Luiz Caetano Grecco Teixeira.

Integram o CONIC as igrejas Católica-Romana, Católica Ortodoxa Siriana, Cristã Reformada, Episcopal Anglicana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e a Presbiteriana Unida.
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Tarefas Ecumênicas

URUGUAI
Carta ecumênica destaca dignidade dos migrantes

MONTEVIDÉU, 18 de dezembro (ALC) - No Dia Internacional do Migrante, lembrado hoje, o Serviço Ecumênico para a Dignidade Humana (SEDHU) do Uruguai pretende unir em suas orações todas aquelas pessoas que deixaram seu país, a família e cultura com aquelas que as recebem de coração aberto e generoso, dispostas a compartilhar suas angústias e seus sonhos.

Desde que os seres humanos habitam o planeta há migrações e estas estão evoluindo, atualmente, em decorrência da progressiva globalização dos mercados de trabalho e das sociedades. Já não é fácil dividir os países em "de origem" e "de destino", pois, em maior ou em menor medida, muitos países têm as duas qualidades. Isso também ocorre no Uruguai, sublinha a nota que leva a assinatura da diretora do SEDHU, Ana Varela Esponda.

Hoje, os deslocamentos se inserem num sistema planetário no qual os seres humanos que estão no "deserto" procuram os "oásis de prosperidade". Aqueles que procura esses "oásis" só têm para vender no mercado a sua força de trabalho, o que implica, portanto, uma alternativa de sobrevivência.

O SEDHU informa que está em processo de elaboração mo Uruguai uma nova lei de migrações. A política migratória nacional tem que ser uma política de Estado, defende a organização. “Os princípios da política migratória aplicados pelo Estado uruguaio aos estrangeiros não podem ser diferentes dos que aspiramos que apliquem a nossos compatriotas em terras estrangeiras”, afirma.

Integram o SEDHU a Igreja Anglicana do Uruguai, a Igreja Evangélica do Rio da Prata, a Igreja Evangélica Valdense do Rio da Prata, o Arcebispado de Montevidéu, a Associação Cristã de Jovens, o Centro Franciscano (CIPFE), e a Igreja Metodista do Uruguai.
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Igreja Metodista da América Latina

BOLÍVIA
Metodistas destacam diversidade étnica e pedem paz

COCHABAMBA, 18 de dezembro (ALC) – Carta pastoral emitida pela XIX Assembléia Geral da Igreja Evangélica Metodista na Bolívia, reunida dias 15 e 16 de dezembro na cidade de Cochamba, destaca a diversidade étnica e geográfica do país e o confronto que essa situação gerou. “Já há muitos cadáveres e estes não solucionam nenhum problema”, diz a carta, que frisa o valor da vida.

“Essa busca de diferenças nos levou perigosamente a confrontações, não só ideológicas, senão também raciais, econômicas, discriminatórias, excludentes, sem nos darmos conta da riqueza que significa viver numa sociedade com diversidade, com liberdade, com direitos e obrigações”, expressam os metodistas na carta pastoral assinada pelo bispo Carlos Poma.

A Carta Pastoral pede, contudo, muito cuidado, pois “há atitudes que podem levar ao colapso e também ao risco de atentar contra o dom mais sagrado, que é a vida humana".

A Igreja Evangélica Metodista na Bolívia destacou sua autoridade moral para falar da possibilidade real de conviver em paz na diversidade. "Entendemos que apesar da diversidade com que fomos criados, podemos viver, trabalhar, levar a mensagem de Deus juntos, unidos, Aimaras, Quechuas, Cambas, Collas, Chapacos, Guaranis. Estamos servindo há 100 anos em todas as regiões de nossa amada Bolívia em educação, saúde, obra rural e na evangelização. Nossos líderes são diversos, temos bispos e pastores Aimaras, Quechuas, de classe média, e aprendemos a amá-los e respeitá-los seguros da missão que cada um traz implícito", assinalam.

Os metodistas desafiam, nestes tempos difíceis, os bolivianos a denunciarem qualquer ato de violência que signifique injustiça, e a optarem pelo diálogo e pelo acordo. "Já há muitos cadáveres e estes não solucionam nenhum problema. A vida é o único vínculo que nos dá esperança, porque é um dom de Deus. Há um povo sofrido, sem teto, sem trabalho, que tem que emigrar, deixar suas famílias, filhos abandonados que esperam com desesperança", reclamam.

A carta pastoral convida os bolivianos a encontrarem caminhos, sem paixões, que deixem as diferenças de lado e utilizem os talentos e inteligência para fazer a vida de todos e todas mais humana e digna.
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Verso e Voz — 18 de dezembro

O amor não faz mal ao próximo ou à próxima. De modo que o amor é o cumprimento da lei. ― Romanos 13.10

“Os cristãos e cristãs verdadeiros não conhecem a vingança. São filhos e filhas da paz. Seus corações transbordam paz. Suas bocas falam paz, e eles andam no caminho da paz”. ― Menno Simons

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17 dezembro, 2006

Uma oração, enquanto espero o Natal

SENHOR, CUIDA DE NÓS
lisieux

Cuida, Senhor, das pobres criancinhas, sem lar , sem pais e sem país, abandonadas e esquecidas, magras e de olhos tristes; que não têm casa, comida, nem roupa pra lavar.
Cuida, Senhor, dos pobres, miseráveis, marginalizados, explorados, dos que nada têm e dos que nada pedem, porque não têm vez, nem voz; nem espaço, nem tempo.
Cuida, Senhor, dos cegos, dos paralíticos, dos surdos, dos mudos, dos que não têm como erguer os braços: nem empunhando armas, nem através de orações.
Cuida, Senhor, dos que sofrem injustiça, dos que são oprimidos, dos que se curvam diante da tirania e nem se sabem no direito de protestar, porque jamais lhes foi ensinado.
Cuida, Senhor, das feridas do corpo, advindas da falta de comida, dos maus tratos, da falta de terra, da falta de teto, de abrigo, da falta de cuidados... da falta de leis.
Cuida Senhor, dos que não têm pão, dos que não têm vinho, sinais visíveis da comunhão contigo; não porque não querem mas porque até este direito sagrado lhes foi tirado.
Cuida também, Senhor, dos que não têm religião, nem sonhos, nem fé e que ainda acham que as guerras que lhes tiram tudo, podem ser feitas em nome de Deus...
Cuida Senhor das feridas da alma, produzidas pelo braço que oprime, pelo dedo em riste, pela mão não estendida, pelo descaso, pela indiferença, pelo ódio, pelo desamor.
Cuida, Senhor, dos loucos, dos alienados, dos que não entendem o porquê do seu sofrimento e que ainda se acham devedores de alguém.
E, principalmente, Senhor, cuida dos que oprimem, dos que fazem as guerras, dos que são responsáveis pela legião de mortos-vivos, produzida pela sua insensatez, sua ganância, sua sede de poder.
Cuida, Senhor, da Tua obra: da Terra, planeta azul e lindo; do homem, coroa da Tua criação, mas eterno insatisfeito... e liberta-nos, ó Pai, do ódio pelo poder do Teu amor.
Cuida, Senhor, de MIM! Pra que eu não aceite NUNCA compactuar com a injustiça, com a opressão, com a guerra, com a morte; para que não me falte coragem nem vontade de erguer-me em favor dos Teus pequeninos...
Cuida, Senhor, da Tua Igreja, a fim de que ela continue a ser voz profética, sinal da Tua Justiça, no meio dessa geração perdida e incrédula...
Cuida, Senhor, de todos nós. Livra-nos do mal e dá-nos, hoje e para todo o sempre, a Tua PAZ!
Por Cristo, Teu Filho e Salvador Nosso.
Amém!

Pra.Terezinha de Lisieux
BH - 4ª Região Eclesiástica

Metodistas & Ecumênic@s

Eu acho que Renato Russo estudou eclesiologia hiem... Essa musica diz muita coisa, é uma metafora magnifica do atual momento em que vivemos.

Perfeição
Legião Urbana
Composição: Dado Villa-lobos, Marcelo Bonfá e Renato Russo

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar eros e thanatos
Persephone e hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção
Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...

Ecumenismo e missão Integral

Fórum Missão Integral: Ecologia e Sociedade

A relação entre meio ambiente e a missão integral da igreja foi o tema do Fórum realizado em Araçariguama, cidade á 50 kms de SP, as margens da rodovia Castelo Branco. estavam presentes ambientalistas, estudantes universitários, cientistas, pastores e líderes.

A parte musical ficou por conta de Carlinhos Veiga, da Igreja Presbiteriana de Brasília, que com seu grupo fez músicas de raiz, falando da terra e da graça da criação. O botânico inglês, sir Ghillean Prance em sua fala destacou a região amazônica e sua diversidade e apresentou o Projeto Éden, considerado um dos maiores projetos de estudo ambiental. Já Peter Harris, diretor internacional da A Rocha, desde 1995, falou sobre a atuação da organização cristã, de conservação do ambiente. A organização, que começou em Portugal tem projetos na Europa, Oriente Médio, África, América do Norte e do Sul e Ásia. De acordo com Ghillean, os projetos são transculturais e comunitários, focados na ciência e investigação, conservação prática e educação ambiental. Ariovaldo Ramos, presidente do conselho da Visão Mundial Brasil falou da relação do homem com a natureza, graça e salvação.

Ministra – Evangélica desde 1996, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva participou de dois dias do Fórum. Falando ao plenário, prestou contas das ações desenvolvidas pelo ministério no governo Lula e do compromisso de fé que tem no cuidado do meio ambiente: “O cuidado com o meio ambiente não é responsabilidade só dos ambientalistas, mas de todo cristão”.

Grupos de Trabalho – Na tarde de sábado os participantes se dividiram por temas, coordenados por especialistas. Foram quatros grupos de trabalho, que tinham o objetivo de encaminhar propostas. Um dos grupos, coordenados pelo professor João Tinoco, da Universidade Federal de Viscosa e pela professora Silvia Del mala, da Universidade de São Carlos era o de Pesquisa e Conservação, sobre estudos de ecossistemas ameaçados e comunidades humanas dependentes desses ecossistemas. O grupo refletiu sobre o compromisso cristão que implica no entendimento de todas as atividades como partes integrantes da relação com Deus.

Outros grupos discutiram sobre Participação Local e Políticas, coordenado por Jane Vilas Boas e Pedro Ivo, assessores do Ministério do Meio Ambiente, Ação e Atitude em Relação a Criação, coordenado por Sergio Bueno, da Agenda 21 e Welinton Pereira, pastor Metodista e assessor da Visão Mundial. O ultimo grupo foi sobre Cultura como instrumento de integração da teologia, pesquisa e conservação ambiental.

Participação Mineira – Cerca de 140 pessoas participaram do Fórum, de diversos estados. Se destacou a presença mineira, estado bem representado por ambientalistas e pesquisadores cristãos. Uma das propostas foi a realização do 2° Fórum Missão Integral: Ecologia e Sociedade, já em 2007, na cidade de Belo Horizonte

Jubileu da Terra – Após alguns contatos da Visão Mundial e outras organizações sociais com a ministra Marina Silva veio o desafio de pensar numa ação articulada da igreja evangélica na questão do meio ambiente.

A Visão Mundial assumiu esse desafio, primeiro, por causa do nosso compromisso com o Deus da criação e da vida, e, segundo, por causa do nosso compromisso com a igreja brasileira, no sentido de cooperar para que a missão dada por Deus seja de fato integral. Faz parte desse movimento, além da Visão Mundial, o Movimento Evangélico Progressista-MEP Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos, Fale, A Rocha Brasil, Aliança Bíblica Universitária- ABU e CLAI- Conselho Latino Americano de Igrejas.

Fonte - http://www.expositorcristao.org.br/index.jsp?conteudo=3906

Igreja Presbiteriana aponta para o verdadeiro propósito do Natal

COLÔMBIA

Por William Delgado Gil

BOGOTÁ, 15 de dezembro (GospelNoticias/ALC) – O secretário executivo do Sínodo da Igreja Presbiteriana da Colômbia (IPC), David Illidge Quiroz, lembrou que a época de Advento, que a cristandade comemora nas quatro semanas que antecedem o Natal, é um tempo de preparação e de esperança. “Esse é um tempo para revisar nossa vida espiritual, nossa vida em relação a Deus e ao próximo”, disse.

O Advento, destacou, é um período privilegiado para os cristãos, pois são convidados a refletir a respeito do tempo presente e se preparar para o futuro. Os três propósitos do Advento, segundo a IPC, são: recordar o passado, celebrar e contemplar o nascimento de Jesus em Belém.

Quiroz alertou que também é tempo de cuidar da fé, pois nessa época acontece um verdadeiro bombardeio publicitário voltado ao consumismo compulsivo. Frisou que é tempo de viver na vida diária “a presença de Jesus Cristo em nós e no mundo”.

A IPC fundamenta sua atuação na fidelidade à Bíblia e na contextualização e interpretação histórica da Palavra, acreditando nos princípios, ensinamentos e no mandato de Jesus de Nazaré, de anunciar a Boa Nova. Ela cumpre esse mandato, na Colômbia, desde 1856.
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Verso e Voz — 17 de dezembro

Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. ― Gálatas 5.22-23

“Você pode encontrar Calcutá em qualquer lugar no mundo. Necessita somente dois olhos para ver. Em toda parte do mundo há pessoas que não são amadas, pessoas que não são queridas nem desejadas, pessoas que ninguém ajudaria, pessoas que são afastadas ou esquecidas. E esta é a pobreza maior”. ― Madre Teresa

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