22 dezembro, 2006

Reações de igrejas sobre a farra dos parlamentares

BRASIL
Sociedade se indigna e parlamentares recuam no reajuste de seus salários

BRASÍLIA, 21 de dezembro (ALC) - A proposta de reajustar em 91% o salário de deputados e senadores, sugerida pela cúpula do Congresso Nacional na quinta-feira, 14, provocou a reação da sociedade, de lideranças religiosas, da mídia, de movimentos sociais e sindicais brasileiros.

Se o reajuste proposto fosse adotado, os parlamentares passariam a receber 24,5 mil reais (cerca de 11,3 mil dólares) por mês a partir de 1. de fevereiro. Diante da forte reação da sociedade, deputados e senadores decidiram, ontem à noite, deliberar sobre o auto-reajuste no próximo ano, deixando em aberto o percentual.

Segundo o bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Maurício José Araújo de Andrade, falta aos parlamentares brasileiros uma compreensão da realidade do país. "Caso o reajuste fosse aprovado, o Brasil passaria a sustentar o Legislativo mais caro do mundo", destacou.

Em entrevista à ALC, o primaz argumentou que a posição da IEAB tem sido a de fazer coro com a sociedade, que tem repudiado a postura dos deputados justamente num período de transição política. "Infelizmente, os deputados não estão conseguindo ouvir o que a sociedade tem a dizer", enfatizou o líder anglicano.

Em nota divulgada ontem, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) reagiu com indignação à proposta do que denominou de "supersalários". O texto da mensagem, assinada pelo pastor primeiro vice-presidente Homero Pinto, enfatiza que o Congresso teve sua credibilidade abalada por denúncias envolvendo um significativo número de parlamentares e que a decisão de reajustar os vencimentos muito acima da inflação do período "desacredita ainda mais as lideranças políticas do nosso país".

A IECLB destaca, na nota, que a aprovação do reajuste provocaria um distanciamento ainda maior entre a classe política e a classe trabalhadora. "Tal decisão é escandalosa e imoral, e escancara, mais uma vez, a desigualdade socioeconômica que existe em nosso país", apontou.

No mesmo tom de indignação, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) evidenciou que o reajuste sugerido pelos parlamentares faria crescer o "fosso" entre os legisladores e o povo.

A nota da CNBB, assinada por seu presidente, cardeal Geraldo Majella Agnelo, lembra os políticos de que "eles foram eleitos pelo povo para o poder-serviço". Pede, também, urgência para a reforma política, capaz de inibir decisões que obscurecem a dignidade da política.

"Um salário de 24,5 mil reais diante do salário mínimo de apenas 350 reais (cerca de 163 dólares) sinaliza mais interesses particulares do que a defesa da justiça ou gesto de partilha em solidariedade à população empobrecida", arrola a CNBB.

Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo o "superaumento é injustificável" frente ao pífio reajuste de 8% proposto para o salário mínimo.
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