25 dezembro, 2006

Um menino, apenas um menino!

Certas histórias da vida são gostosas de lembrar e de contar. Especialmente nesse clima de Natal, a nossa mente, quase que sem querer, resgata aqueles acontecimentos de alegria que foram significativos pra nós.

Quando leio Isaías 9:6 "Porque um menino nos nasceu..." sou remetido há quase doze anos, quando nasceu meu caçula.

Foi um momento marcante pra todos nós... ele, como a irmã, nasceu prematuro, de 36 semanas, pesava pouco mais que 2,6 kg e teve que ficar na incubadora. O Gabriel era um menino muito bonito, me perdoem a modéstia... tinha, como ainda tem, uma feição forte, de menino mesmo... o cabelo bem formado, escuro. Lembro-me de encontrar amigos/as apreciando - o na abertura do berçário... que orgulho! Eles me davam parabéns, elogiavam... estava todo, todo... inflado... com a mesma afirmação de Isaías... "um menino nos nasceu!"

É tão interessante pensar que o menino que me nasceu há quase uma dúzia de anos, era como o menino de Isaías... pequeno, indefeso, sem forças, sem pretensões... criança, como a minha criança, dependente como o menino que me nasceu.

Esta imagem do Deus-menino é de certa forma estranha à imagem do Cristo que seguimos... forte, corajoso e decidido. É diferente também do que almejamos de Deus, de quem é referência... dificilmente faríamos o que fizeram os Reis Magos... diante de uma indefesa criança, dormente em seu leito infantil... porque, quando pensamos em Deus, pensamos geralmente em poder... em quem pode tudo em todos!

Frente aos problemas, dificilmente queremos estar com quem não ofereça algum tipo de ajuda... nos defenda, brigue por nossas causas, garanta algum tipo de ajuda e solução.

E o que pode representar um menino, recém nascido, enrolado em panos, sendo embalado pelo afago e cuidado de seus pais?

Imagino que a cena do Deus-menino tenha muito a nos ensinar... considero que não foi à toa que Deus fez tudo como fez. Quem sabe a cena dessa criança enviada para nos dar salvação, deva sinalizar que nem sempre a força e o poder que tanto queremos estão onde procuramos! Pode ser que Deus em sua infinita sabedoria queira usar crianças ao invés de homens armados, canções ao invés de sermões, gestos ao invés de mensagens!

A imagem de um pequeno Cristo, infante, carente do atendimento humano, pode ser um sinal de que nem sempre a solução para problemas e questionamentos está onde imaginamos... Deus nos choca, nos surpreende, mostrando que pra Ele nossa lógica é muito pequena e incapaz de entender ou perceber a lógica d’Ele! Ele é Deus e precisamos nos lembrar sempre disso!

Certamente Paulo, o apóstolo, sabia bem do que estamos falando. Ele aprendeu que pra Deus um recém nascido pode ser mais forte que muitos exércitos... e a nossa razão é surpreendentemente incapaz de entender os pensamentos de Deus! Paulo transparece isto ao declarar que “... a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” (1Cor 1.25).

O próprio Isaías que profetizava um Deus-menino deitado numa manjedoura sabia bem dessa ordem inversa de Deus ao dizer que “... assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus (de Deus) caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is. 55:9).

Portanto, não há como entender, nem mesmo como explicar... mas aquele menino trazia consigo a salvação para o mundo! Mesmo frágil, mesmo pequeno, mesmo dependente de cuidados... era n’Ele, e somente n’Ele, que Deus estava concentrando seu Poder e Graça!

Que neste Natal a imagem de um Deus-menino possa nos ensinar de maneira profunda... fazendo-nos compreender que Deus tem surpresas agradabilíssimas pra nós... mesmo que no momento só estejamos podendo visualizar uma criança deitada ao lado de sua mãe.

Que possamos, então, confiar em Deus apesar de nossa incredulidade, apesar de nossa incapacidade de ver e crer!

Que possamos celebrar um Deus que desafia nossa razão, nossa percepção e nossa esperança através de uma cena simples, aparentemente desprovida de força e poder.

Que a cena do menino possa nos impactar e nos fazer crer nessa mensagem salvadora do Natal de Cristo!

Rev. Nilson da Silva Júnior
Pastor Metodista em Cândido Mota/SP
5ª Região Eclesiástica

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