05 maio, 2008

União na diversidade, ou na adversidade?

Texto Bíblico: I Ts 5.16-18


Exórdio:
Esta semana é celebrada a 100ª semana de oração pela unidade dos cristãos. Ontem, participamos de uma celebração ecumênica na Igreja Presbiteriana Unida, onde pudemos orar e refletir sobre o tema da unidade. Unidade, esta, que não conseguimos sequer nas comunidades locais, quanto menos com denominações diferentes. Em um domingo onde nos propomos, através da Santa Ceia, renovar nossa comunhão com Cristo, e lembrando da semana de oração pela unidade dos cristãos, precisamos rever como tem caminhado nossa unidade.

Explicação:
Paulo escreve estas cartas ao Tessalonicenses, de forma alegre, pela receptividade que tiveram ao Evangelho, e termina esta primeira carta com algumas exortações e saudações finais muito úteis para nossa reflexão.

Proposição:
O que significa estar unido?


1º exemplo: Casal unido.

Quando olhamos um casal, como sabemos se é um casal unido? Andam sempre de mãos dadas? Estão sempre sorrindo? Fazem declarações públicas de amor? Ou eles se mostram unidos exatamente quando o dinheiro acaba, quando a família transforma suas vidas num inferno, quando vem um filho não planejado?

Na verdade a força desta união se mostra intensa nos momentos de maior dificuldade, e não nos momentos de alegria. Por que muitos casamentos se desfazem meses depois do casamento? Porque pensaram que o casamento seria somente alegrias, prazeres e desfrutes.

O casal fortalece seu amor e sua união nos momentos mais difíceis, justamente porque não resolvem a situação da maneira mais fácil (fugindo), mas da maneira mais adequada (e demorada), ou seja, juntos, pensando nos dois e não em si próprio.


2º exemplo: Família unida.

Quando olhamos para uma família, como sabemos se é uma família unida? Estão sempre felizes? Ajudam a encobrir o erro de algum membro da família para não manchar a imagem de seu sobrenome? Sempre que há uma data especial, todos se reúnem para comer juntos?

Ou essa família se mantém unida exatamente quando alguém passa por um momento de dificuldade e é ajudado por todos para que não falte nada a ele enquanto passa por esse infortúnio, ou então quando alguém faz alguma burrada e ao invés de encobrir, a família mostra o seu erro e o encoraja a arcar com as conseqüências de sua escolha e que não erre mais, e que na necessidade de alguém dar um passo para trás a família abre seus braços o acolhendo para mais à frente ele voltar a seguir seu próprio caminho?

Nos momentos de maior dor, perda e sofrimento, é que a união das famílias é testada, não é na festa de natal, nem no aniversário do patriarca ou da matriarca.

Quantas famílias simplesmente são esfaceladas pela incapacidade de lidar com as limitações dos membros dela própria. Pessoas são rotuladas, injustiçadas, passadas para trás para conseguirem heranças, propriedades, nome ou mesmo negócios...

Uma família se mantém unida se desde cedo seus integrantes são ensinados a superarem as dificuldades, e não a fugirem delas. E para isso não é preciso alto nível de instrução acadêmica, só é necessário uma boa dose de sabedoria e bom senso.


3º exemplo: Igreja unida.

Como sabemos se uma igreja é unida? Quando todos os seus membros vêm ao culto? Quando todos eles tomam a Ceia? Quando todos dão o dízimo? Quando todos oram? Ou é quando no momento de maior dificuldade, seja financeira, de mão-de-obra, ou mesmo pastoral, que ela se mantém unida? Quando no momento de adversidade, ao invés de saírem correndo para a igreja mais próxima, permanecem fiéis ao trabalho que assumiram a responsabilidade diante de Deus e da igreja?

A cada dia que passa, mais e mais denominações surgem por aí. Sempre levantando a bandeira da detentora da verdade, detentora do Espírito Santo. Quando na verdade muitas igrejas surgem da inabilidade de se superar conflitos internos nas instituições, e é claro, por pura disputa de poder, dinheiro e posições institucionais. Se você quer conhecer o caráter de alguém, dê a essa pessoa uma chave e uma responsabilidade, e você verá o quando o poder exerce influência sobre ela ou não.

Uma igreja unida só consegue se manter assim, se aquilo que a faz una continua a ser o centro dessa comunidade. Se O Reino de Deus, o Evangelho de Cristo, e a comunhão do Espírito não estão mais no foco central desta comunidade, então a unidade não poderá se estabelecer.


Conclusão:
Como pensar em unidade do Corpo de Cristo representado por vários membros de várias denominações, se não somos capazes, sequer, de vivermos em comunhão com nossos cônjuges, com nossa família e com nossa igreja? Como pensar em unidade do cristianismo num mundo globalizado com uma cultura individualista onde o outro não tem vez, nem importância?

Paulo nos dá a pista ao exortar a comunidade de Tessalônica a se manterem firmes e perseverantes diante das adversidades, desafiando-os a estarem sempre alegres, orando incessantemente e dando graças a Deus em todas as circunstâncias.

Sempre alegres, não porque desconhecemos a tristeza ou a derrota, mas porque apesar do sofrimento temos a alegria da esperança de superação da adversidade, esperança esta que, nos move a continuar caminhando na verdade, na ética e na justiça. Orando, pois uma comunidade que não ora, perde a dimensão do transcendente e cai na tentação de achar que não precisa de Deus, e que podem resolver seus problemas sozinhos. E dando graças pois a vida na presença de Deus é uma grande celebração, e precisamos agradecê-lo a cada oportunidade que temos de vivê-la da melhor forma possível.

São cem anos de oração pela unidade dos cristãos. Temos orado muito a Deus pela unidade, mas não permitimos que ele aja através de nós.

Precisamos nos unir principalmente nas adversidades.

“Chegou a hora de nos perdoarmos uns aos outros. Se esperarmos mais, não teremos mais tempo.” (René Girard)

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João Luiz de Barros Teixeira - Pastor da Igreja Metodista da Penha, Rio de Janeiro.

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