25 janeiro, 2007

Bispos ecumênicos analisam fundamentalismos cristãos

Por Carlos Ramos

QUITO, 24 de janeiro (ALC) - Em conferência proferida pelos bispos eméritos Luis Alberto Luna Tobar, católico, e Federico Pagura, metodista, no marco da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, nesta capital, eles analisaram o perigo dos fundamentalismos e o obstáculo que representam para o ecumenismo.

Luna lembrou a reunião de bispos católicos e pastores evangélicos realizada há 20 anos na cidade de Cuenca, quando ele desempenhava a função de bispo dessa diocese. A unidade dos cristãos tem um grave obstáculo, disse Luna, que é o fundamentalismo.

Há fundamentalismos reais, baseados em razões, questões históricas e culturais. Mas também há falsos fundamentalismos, que têm sua origem em caprichos humanos, questões sentimentais, apreciações raciais, étnicas e econômicas. Os primeiros podem ser entendidos e requerem tempo para que sejam superados. Os segundos são os mais perigosos e prejudiciais, porque estão alojados nos sentimentos das pessoas que as praticam, sem base racional e lógica, definiu o bispo católico.

"Tive durante minha vida sacerdotal a oportunidade de trabalhar pela superação das pessoas e pelas causas do ecumenismo, entendido como a relação fraterna dos seres humanos, a tolerância, o respeito à maneira de ser e às idéias dos outros", pontuou.

Pagura referiu-se às origens do fundamentalismo religioso protestante remetendo a declarações de identidade dos evangélicos perante a arremetida do modernismo. Algumas destas verdades têm a ver com a interpretação da Bíblia, o nascimento virginal de Jesus Cristo, o sacrifício vicário de Cristo na cruz do calvário, a ressurreição de Cristo, e sua segunda vinda.

O religioso argentino fez uma retrospectiva de vários aspectos de sua vida, seus estudos teológicos e o encontro com o fundamentalismo, quando escolheu caminhar pela senda do ecumenismo. Recordou que foi bispo na Costa Rica e no Panamá, trabalhou no Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e no Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

"O fundamentalismo político é perigoso e tende a misturar elementos religiosos como em várias ocasiões o fez o pastor norte-americano Pat Roberson, que se manifestou contrário ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O fundamentalismo nos Estados Unidos nos últimos 25 anos engendrou uma cultura do terror", afirmou Pagura.

O religioso terminou sua intervenção fazendo a leitura de carta enviada por sua amiga Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz, ao presidente George Bush, depois dos acontecimentos de 11 de setembro, em cujo texto se expressa a digna e valente posição dos latino-americanos. "Devemos sentir-nos orgulhosos que uma mulher expresse com tanta clareza o que todos nós sentimos", concluiu.

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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação

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