19 janeiro, 2007

Concurso de Miss é o retrato do fracasso das mulheres

Por Maria Newnum

A existência dos concursos de “Miss qualquer coisa”, apenas assinala o quanto as mulheres ainda continuam, apesar Betty Friedan, reféns do poder de uma parcela dos “machões”, que desprezam a existência do cérebro das mulheres, substituindo-o por carinhas bonitas, peitos, coxas e bundas.

Alguns deles classificam qualquer mulher que escreva sobre esse tema de “feia e frustrada”, como fizeram com Betty, querendo desqualificá-la. Mas essa mulher, que foi um dos pilares do movimento feminista mundial, era dona de um cérebro estupendo. Homens e mulheres “brilhantes” tinham orgasmos múltiplos só de apreciar suas idéias.

Lógico, ela não era perfeita, seja pelos padrões de beleza impostos pela sociedade de seu tempo, seja pelo fato de que, apesar do discurso, apanhava do companheiro de cama; inconformado pelo brilho que ela irradiava mundialmente. Betty, como tantas, teve a infelicidade de apaixonar-se por um homem de ego pequeno e braço forte. Essa mistura foi e é sempre perigosa para as mulheres.

A cidade de Maringá, no Estado do Paraná, Brasil, sediará o “Concurso de Miss Paraná - 2007", patrocinado por uma instituição particular de ensino da cidade. Ora vejam! Uma instituição de ensino. Não parece estranho?

Os movimentos organizados de mulheres de Maringá, do Brasil, da América Latina e, quiçá, do mundo, certamente se perguntam: “No quê um evento como esse ajudar as mulheres”? Em especial, "as maltratadas"? Pois como diz o jargão popular brasileiro, “não existe mulher feia, o que existe é mulher mal cuidada”.

Sim, há tantas mulheres mal cuidadas pela vida difícil, pela violência doméstica, pelo abuso sexual, pela falta de emprego digno e pela terrível ideologia machista que as colocam na linha de cidadãs de segunda classe; cujo único meio de ascensão é a beleza física, a saber, as coxas, peitos e bundas, que nos concursos de “Miss” são medidos minimetricamente. O Cérebro? Isso não importa.

Caso houvesse mais consciência sobre os malefícios da "Ditadura da Beleza", certamente esse evento não seria sediado por Maringá, Brasil ou qualquer país do mundo. Aguarda-se, ao menos, a manifestação do movimento de mulheres dessa cidade.

"Beleza não se põe na mesa", já dizia o poeta. As mulheres pobres, sofridas e distantes dos padrões ditados por uma sociedade alienada, sabem disso. E se consultadas, certamente manifestariam o desejo de serem representadas por pares de cérebro brilhantes e comprometidas com a causa das mulheres. Se forem "bonitas", que isso, apenas seja entendido como mais uma das tristes distinções e peso que a natureza e a sociedade impõem às mulheres, tal como a menstruação, a pobreza e a violência. Pesos não escolhidos por elas.

O Brasil e a América Latina, em especial, devem acolher sem pré-conceito as mulheres bonitas, elas estão por toda parte, como que plantadas pela natureza generosa com umas, cruel com outras. Todavia, o Brasil e a América Latina carece com urgência de “cérebros”, - masculinos e femininos - “extraordinários”.
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Maria Newnum é pedagoga, mestre em teologia prática, vice-presidente do Movimento Ecumênico de Maringá e Coordenadora da Spiritual care Consultoria.
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