15 janeiro, 2007

Reconhecimento metodista a dois grandes batalhadores

BUENOS AIRES, 15 de janeiro (ALC) – O dr. José Míguez Bonino e o bispo emérito Federico Pagura foram os dois primeiros argentinos a merecerem a Ordem de Reconhecimento, instituído no ano passado pelo Conselho de Igrejas Metodistas da América Latina (CIEMAL), concedido a pessoas que prestaram contribuição extraordinária em favor do continente latino-americano e caribenho.

Míguez Bonino é figura destacada no cenário da docência e da teologia. Gerações de pastores passaram por suas salas de aula no antigo Instituto Superior Evangélico de Estudos Teológicos (ISEDET). Autor de vários livros, Bonino foi também um líder ecumênico destacado. Ao longo de sua trajetória ele exerceu a presidência do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e foi o único observador protestante convidado a participar do Concílio Vaticano II.

O professor argentino foi um dos fundadores do Movimento Ecumênico de Direitos Humanos da Argentina nos tempos da ditadura militar. Por causa de doença do coração ele tem, há anos, dificuldades de fala e de memória, duas de suas ferramentas de trabalho. Mas Míguez Bonino não se deu por vencido e trabalhou pacientemente em sua recuperação, inclusive matriculando-se como estudante do ISEDET para obrigar seu cérebro a trabalhar.

O presidente da Igreja Metodista do Uruguai, reverendo Oscar Bolioli, contou que Bonino pediu receber o reconhecimento do CIEMAL em sua congregação, em Ramos Mejia, situada a oeste da Grande Buenos Aires, no dia 10 de dezembro. Ele fez mais dois pedidos: expressar algumas palavras na cerimônia e que sua esposa, Noemi, estivesse presente, apesar de estar muito enferma.

"Miguez Bonino falou com a soltura dos seus melhores tempos, lembrando os que não são reconhecidos no dia a dia, mas que são os que constrõem a Igreja. Foi emocionante a homenagem à sua esposa de toda a vida. Ele surpreendeu a todos ao admitir que sempre teve medo de falar, porque nunca sentiu que era suficientemente correto ou claro. Uma tremenda mensagem de uma pessoa com uma profunda humildade", opinou Bolioli.

O reconhecimento a Pagura foi no mesmo dia, quando se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A cerimônia aconteceu na Igreja da Ressurreição, na cidade de Rosário, onde vive.

Pagura chegou ao templo, como sempre, com sua boina inseparável, saudando a todos, sem levar em conta que o centro da reunião era ele. Participaram da cerimônia delegados de todas as igrejas metodistas das regiões próximas. Eles homenagearam o bispo, que é quase um mito com seus 80 anos de idade.

Pagura trouxe a recordação de Rita, sua companheira inseparável, que faleceu há pouco tempo. "Sua voz foi se afirmando na recordação de etapas de sua vida, mas dedicou a maior parte do tempo para falar de seus sonhos e planos ainda por diante, como se ainda fosse jovem", relatou o pastor uruguaio.

Também recordou a negociação para que os pentecostais ingressassem no Conselho Latino-Americano e Caribenho de Igrejas (CLAI), seu mérito como negociador da paz na Guatemala e em El Salvador, seu carisma profético frente aos abusos de poder, a reunião no Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas, quando desafiou representantes das Igrejas Ortodoxas a celebrarem a Ceia do Senhor com
as demais confissões .

Estiveram presentes em ambos os atos o secretário geral do CIEMAL, bispo Aldo Etchegoyen, a bispa da Igreja Metodista da Argentina, Nelly Ritchie que, junto com o representante do Conselho de Bispos Metodista da América Latina, reverendo Oscar Bolioli, apresentaram as plaquetas que testemunham as homenagens.

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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação

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