08 janeiro, 2009

Os Irmãos comemoram 130 anos no Brasil

(Matéria extraída da Revista Ultimato. Endereço: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2165&secMestre=2273&sec=2298&num_edicao=314)

“Não basta evitar o nome de sectário, é preciso também fugir do espírito sectário.”
S. E. McNair

Embora nascido na Escócia, Richard Holden era de formação anglicana, e não presbiteriana. Desviou-se do evangelho na juventude, mas a doença o trouxe de volta a Cristo aos 21 anos. Dois anos depois, Holden trabalhou por algum tempo como comerciante no Brasil, onde aprendeu o português. Mais tarde foi para os Estados Unidos e lá se formou em teologia. Voltou ao Brasil, desta vez como missionário. Chegou aqui em 1860, cinco anos depois de seu patrício Robert Reid Kalley, o pioneiro da igreja congregacional, e apenas um ano depois de Ashbel Green Simonton, o pioneiro da igreja presbiteriana.

A princípio, Holden dedicou-se à evangelização e à distribuição de Bíblias em Belém do Pará e em Salvador. Na ocasião, relacionou-se com políticos liberais e maçons, envolvendo-se, mesmo que indiretamente, com a famosa Questão Religiosa (problemas entre o clero e a maçonaria). Em 1865, Holden tornou-se pastor auxiliar da Igreja Evangélica Fluminense, no Rio de Janeiro. Com a ausência de Kalley por dois anos e meio, Holden veio a ser o pastor substituto. Embora fosse de fato um homem piedoso, bíblico, apologeta, cortês e falasse fluentemente o português, alguns se queixavam dos cultos e das orações longas que o pastor fazia. Além do mais, Holden estava cada vez mais influenciado pelo movimento dos Irmãos, iniciado em 1825 em Dublin, na Irlanda, também conhecido equivocadamente como Irmãos de Plymouth. No início de 1872, ele renunciou ao pastorado e voltou à Inglaterra.

Naturalmente por influência de Holden, cerca de doze pessoas desligaram-se da Igreja Evangélica Fluminense e formaram o primeiro núcleo dos Irmãos no Brasil, há 130 anos, no dia 7 de julho de 1878. Talvez esta tenha sido a primeira divisão na história do protestantismo brasileiro.

Sempre foi difícil referir-se com precisão a esse grupo de evangélicos, porque eles não gostam de etiquetas. O ideal dos Irmãos, desde o início, é reunir pecadores nascidos de novo com a maior singeleza possível, sem burocracia eclesiástica e sem espírito sectário. Eles têm a Bíblia como única regra de fé e prática, mas rejeitam qualquer outro regimento ou lista de normas quanto ao procedimento. Prezam muito a tolerância mútua, embora, como todos os demais grupos cristãos, nem sempre consigam na prática alcançar este alvo, nem mesmo em seus primeiros anos de história. Por não terem nome próprio, são chamados de Irmãos Unidos, Darbistas (por causa do inglês John Nelson Darby, nascido em 1800 e morto em 1882, o líder britânico mais influente do movimento), Irmãos de Plymouth e Casa de Oração (somente no Brasil).

Entre os mais notáveis servos de Deus ligados à história dos Irmãos no Brasil está o inglês Stuart Edmund McNair, que veio para cá em 1896, aos 29 anos. Nos lugares em que McNair morava, ele organizava escolas bíblicas para a instrução dos moços crentes visando ter obreiros melhor preparados. Ele é autor da famosa “A Bíblia Explicada”, ainda publicada no país. As três primeiras edições foram lançadas pela Casa Editora Evangélica, fundada por ele em 1933 na cidade de Teresópolis, RJ. De 1985 para cá a Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD) já publicou 85.912 exemplares de “A Bíblia Explicada”, em dezenove edições consecutivas. Antes de morrer em 1959, aos 92 anos, McNair revelou a sua sabedoria ao escrever, entre outras coisas:

1) O método “cada crente, um obreiro” é a melhor maneira de espalhar o evangelho e promover a vida espiritual dos crentes;
2) O progresso e o aumento de um trabalho não precisam depender da ajuda financeira do exterior;
3) Não basta evitar o nome de sectário, é preciso também fugir do espírito sectário. Nosso amor fraternal deve abraçar todos os crentes;
4) Nossos irmãos que estão no denominacionalismo nos são tão necessários e podem ser tão queridos como qualquer outro.

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