01 fevereiro, 2009

Você está falando em nome de que deus? (Pr. Ronan Boechat de Amorim)




(Na imagem acima, a torre de Babel)

Muitos deuses, embora só um seja vivo e verdadeiro

Vira e mexe, escuto comentaristas e apresentadores de programa de TV mencionando o nome de deus. É isso mesmo, “deus” com “d” minúsculo. Porque o deus que eles falam não é o mesmo Deus de Abraão, Débora, Davi, Isaías, Jesus, apóstolo Paulo, Santo Agostinho, Lutero, Pedro Bohler, João Wesley, James Ranson, Bispo César Dacorso Filho, Martin Luther King, Rosa Parker, o missionário Livingstone, Rev. Baggio, Rev. Dornellas, Elyas Soares, Aurora Alsina, Maria Marfim, Jandira Freitas, Eny Lourenço de Oliveira, Raquel Gonçalves, William de Oliveira, Roséte de Andrade...

Alguns apresentadores falam também em “deuses”: os deuses do carnaval, os deuses do futebol...
Mas que “deus” ou deuses são esses?

O antigo testamento menciona alguns nomes de deuses daquela época e daqueles povos: Baal, Moloque, Astarote, etc... A cultura humana também está cheia de deuses: Amon, Isis, Osíris, Rá, Ormuz, Haurvatat, Zeus, Afrodite, Apolo, etc... Ao longo da história humana podemos ver que cada povo adotou e reverenciou seus próprios deuses, de acordo com a conveniência, necessidade e as tradições ancestrais.

“Deus” é uma palavra que designa um ser superior e poderoso. Por isso, quando alguém fala em deus, é preciso saber a que deus ele está se referindo. Pode não ser ao Deus bíblico, ao Deus de Jesus, ao Deus vivo, ao Deus dos cristãos.

Pessoas e povos negros trazidos ao Brasil como escravos foram proibidos de praticarem suas crenças e religiões, e obrigados a se tornarem cristãos católicos. Mas espertamente e como resistência à opressão e à conversão forçada, eles logo aprenderam a “rezar” aos santos católicos como um meio de praticarem a própria crença. Através de um suposto “sincretismo religioso”, eles serviam à imagem de Jesus, mas Jesus na verdade era Oxalá. São Jorge era Ogun, Santa Bárbara era Iançã... e vai por aí... Eles supostamente se curvavam diante de um santo católico, mas na verdade a fé e o coração estavam em seus orixás africanos. E quando falavam no nome de um santo católico na verdade estavam falando de seus orixás.

Particularmente no mundo religioso a aparência é coisa perigosa

Como sabemos, a aparência é enganosa. Nem tudo que reluz é ouro, diz o ditado. Devemos tomar cuidado com a aparência, com os perigos de julgar atos e pessoas apenas pela aparência. Não se julga um livro pela capa. Como disse Jesus, é pelos frutos que seremos conhecidos e reconhecidos.

No meio cristão também, infelizmente, há muita aparência. Quanta estupidez já se fez supostamente em nome de Deus: as cruzadas e outras guerras santas, a inquisição, as fogueiras, a legitimação da escravidão, etc... E agora mais recentemente os movimentos de cura divina e prosperidade que falam de tudo, menos de Jesus e do seu Evangelho. Há ainda as pessoas que parecem ter vida de santidade e tudo não passa de aparência. Pastores que aparentam ter santidade e inspiração e poder espiritual e tudo não passa de veemência, resultado de marketing, do trabalho de um personal stylist que cuida da imagem da pessoa... “Da fonte de água salgada não pode jorrar água doce” (Tg 3:12).

Assim, quando alguém em sua frase usa a palavra “deus” é necessário saber a que deus tal pessoa está se referindo. Pode ser ao Deus Vivo de Jesus, mas pode também ser qualquer outro deus. É possível que pessoas estejam no meio de nós cristãos, e sua pregação fale em Deus, e tais pessoas não sejam realmente cristãs. Há alguns anos o escritor Neimar de Barros, tido até então como um escritor católico, deu entrevista dizendo que não acreditava realmente nas coisas que escreveu e que estava na igreja católica apenas para descobrir padres comunistas e homossexuais. Revelou-se uma espécie de espião da ditadura militar que assolou nosso país até a década de 80.

As aparências enganam e as crenças e os compromissos espirituais são diversos, embora muitas vezes se use a palavra “deus” para se referir a diversas divindades. Por isso, sempre que você ouvir alguém falando em Deus, faça o exercício intelectual e espiritual de se perguntar: “Tal pessoa está falando de que deus?” Se for o Deus revelado pelos profetas do Antigo Testamento e por Jesus, Deus tem de ter o caráter, o amor e a misericórdia descritas na Bíblia como atributos de Deus.

E isso serve até mesmo para pessoas que estão apresentando programas supostamente evangélicos; sobretudo para aqueles que só falam de cura e dinheiro. Porque a ordem de Jesus aos seus discípulos e testemunhas é para ir por todo mundo pregando o Evangelho do Reino, o mesmo Evangelho pregado e vivido pelo Salvador Jesus (Mc 16:15). Mas em muitos programas ditos evangélicos fala-se apenas de cura e dinheiro, que podem eventualmente até ser sinais da bênção de Deus, mas que sob hipótese alguma podem ser o centro do anúncio e da pregação cristã. O centro da mensagem é Jesus, o Salvador (At 4:12), para que “toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2:11). Não é possível a existência de programas cristãos e evangélicos que não anunciem o amor de Deus ao pecador que precisa de arrependimento, perdão, salvação, unção do Espírito Santo e santificação (Jo 3:5-7).

Jesus pediu dinheiro para abençoar alguém?

Quando Jesus pediu dinheiro? Quando Jesus mediu a fé das pessoas pelo “propósito” de dízimo e de ofertas? Quando a bênção de Deus precisou ser comprada ou trocada por ofertas? Quando Jesus pediu as pessoas para participarem de corrente de 7 dias de oração? É Jesus quem cura soberana e amorosamente pela fé que temos nele (Jesus) ou a cura é mérito pelo que eu faço, pelo dízimo e ofertas que eu sou capaz de dar? Pode haver libertação dos poderes do pecado e do diabo sem uma rendição e entrega da vida da pessoa ao Senhor Jesus?

Cuidados com os falsos profetas

A todo povo de Deus devemos alertar que “surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mc 13:22). “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2 Pd 2:1). “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 Jo 4:1). “Vede que ninguém vos engane” (Mt 24:4). “Nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação” (2 Pd 1:20 ). “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal” (1Ts 5:19-22). A Igreja precisa julgar com discernimento espiritual o que é dito em nome de Deus (1Co 14:29). “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7:15).

Alerta aos que só querem cura e dinheiro

Aos que procuram apenas cura e prosperidade (leia-se dinheiro, sucesso e poder!), é preciso lembrar-lhes das palavras de Jesus ao que ficou satisfeito e calculou que estaria seguro pela grande produção de sua lavoura: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:20).


Alerta aos falsos profetas

Aos que destorcem e corrompem a mensagem de Jesus devemos entregar-lhes a seguinte profecia dada por Deus a eles: “Os pastores do meu rebanho não entendem nada; todos seguem os seus próprios caminhos e procuram os seus próprios interesses” (Is 56:11). “O meu povo tem sido ovelhas perdidas; seus pastores as fizeram errar e as deixaram desviar...” (Jr 50:6). “Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos!” (Ez 34:2). “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is 5:20). “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1:27 ). “Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Is 1:17).


As coisas ditas em nome de Deus precisam ser julgadas com discernimento

Portanto, não se esqueça jamais da pergunta: “Você está falando em nome de que deus?”. “Então não seremos mais como crianças, arrastados pelas ondas e empurrados por qualquer vento de ensinamentos de pessoas falsas. Essas pessoas inventam mentiras e, por meio delas, levam outros para caminhos errados” (Ef 4:14).

O apóstolo Paulo também encontrou e escreveu sobre homens que se pareciam “homens de Deus” e eram falsos. Paulo diz em 1Co 11:13-15: “Aqueles homens são apóstolos falsos e não verdadeiros. Eles mentem a respeito dos seus trabalhos e se disfarçam, apresentando-se como verdadeiros apóstolos de Cristo. E isso não é de admirar, pois até Satanás pode se disfarçar e ficar parecendo um anjo de luz. Portanto, não é nada demais que os servidores dele se disfarcem, apresentando-se como pessoas que fazem o bem. Mas no fim eles receberão exatamente o que as suas ações merecem”.

Nossa vitória está no poder de Deus que também nos dá discernimento e sabedoria

Reconhecendo que a nossa capacidade humana é ver apenas a aparência (1Sm 16:7) e que o diabo pode disfarçar-se com a aparência de anjo de luz (1Co 11:14), precisamos ter o Espírito Santo e seus frutos e dons, entre o quais, o discernimento (1Co 12:10) e sabedoria. “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg 1:5).

"O Perverso chegará com o poder de Satanás e fará todo tipo de falsos milagres e maravilhas" (2 Ts 2:9). " Então vi três espíritos imundos que pareciam rãs, que saíam da boca do dragão, da boca do monstro e da boca do falso profeta. Eles são os espíritos maus que fazem milagres" (Ap 16:13-14). Muitas vezes fazem sinais e maravilhas em nome de deus. Mas de que deus?

Cuidado com os falsos profetas e seus sinais. Porque suas palavras são como os lábios da mulher adúltera que destilam favos de mel, e cujas palavras são mais suaves do que o azeite (Pv 5:3). A voz da serpente oferece as bênçãos imediatas tais como o pão, riqueza e sucesso oferecidos a Jesus durante a sua tentação. E convence que a desobediência a Deus é fruto bom para se comer e agradável aos olhos (Gn 3:6).

Nós queremos os milagres que são próprios da manifestação da presença sobrenatural e do amor do Deus Vivo, o Deus de Jesus. Não queremos milagres que tomem o lugar de Jesus. Queremos milagres que sejam os sinais que acompanham os que crêem em Jesus (Mc 16:17).

APÊNDICE:

PROGRAMAS “EVANGÉLICOS” NA TV QUE NÃO FALAM DE JESUS
Pr. Ronan Boechat de Amorim

Era uma quinta-feira e o dia ainda não havia clareado por completo, quando eu liguei a TV por volta das 5:30h. Em 4 dos 7 canais abertos estavam passando programas religiosos, supostamente evangélicos. Fiquei saltando de um canal para o outro, e a ênfase dos 4 canais era a necessidade da fé. Mas não pregavam sobre a necessidade da fé em Jesus ou nos evangelhos. Pregavam sobre a necessidade da fé em curas, libertação e prosperidade, em vantagens econômicas.

Nos 30 minutos que estive diante da TV não se falou de Jesus e de salvação.Não se falou da necessidade de conversão, de nascer de novo, de amar o próximo, de amar a Deus sobre todas as coisas, de santidade, de servir a Deus.

Num programa algumas pessoas testemunhavam que haviam sido abençoadas. A graça de Deus lhes veio unicamente em forma de benefícios econômicos. Não houve conversão, mudança de caráter, nome escrito no livro da Vida... Em outro, fiquei pasmado, falou-se que o suor do missionário que pregava tinha poder de cura. E as pessoas queriam um lencinho com o suposto suor “milagroso” do missionário que falava de fé e sacrifícios, mas que não falava de Jesus. A salvação vinha pelo suor humano e não pelo nome de Jesus.

Num terceiro programa, o bispo apresentador dizia que a traição sexual do marido não era culpa dele, pois “há forças, há um demônio, que leva os maridos a traírem as suas mulheres” e que era necessário uma “corrente de libertação”, um descarrego num culto especial com 318 pastores... Ou seja, o bispo absolvia os maridos traidores, porque foram “tentados” ou “possuídos” pelo demônio. Caíram tão somente porque foram tentados. É como se ele dissesse que Adão e Eva não tinham culpa daquele pecado lá no Jardim do Éden, porque foram tentados; a culpa era toda e unicamente da serpente.

Usam os versículos bíblicos fora do contexto e sem qualquer nexo ou subordinação ao ensino de Jesus, retirados em sua grande maioria do Antigo Testamento. Não, não são testemunhas do Evangelho do Reino de Deus, pois uma pregação que não anuncie a salvação oferecida gratuitamente pelo Salvador Jesus, é tudo, menos Evangelho de Jesus. A não ser que seja “outro evangelho”. O evangelho do príncipe desse mundo (Jo 16:11; Ef 2:2). “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” diz Paulo em Gl 1:6-7.

Se isso é ser evangélico, não sou “evangélico”. E nunca fui "evangélico".

Sou Cristão. Sou Protestante.
E o Evangelho no qual eu creio não é o "outro dos gálatas", mas o Evangelho vivido e anunciado pelo meu Senhor e Salvados Jesus.

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