28 fevereiro, 2008

Teólogo e educador Hugo Assmann morre aos 75 anos

Vítima de parada cardíaca, faleceu na madrugada da sexta-feira, 22, o teólogo e educador Hugo Assmann, 75 anos, um dos precursores da Teologia da Libertação no Brasil e na América Latina. Ele estava internado no Hospital Santa Paula, nesta capital, e seu corpo foi cremado no Crematório da Vila Alpina, na mesma cidade.

Natural de Venâncio Aires, cidade gaúcha localizada a 120 quilômetros de Porto Alegre, Assmann publicou 41 livros, boa parte na área da Educação, como “Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente”, “Paradigmas educacionais e corporeidade” e “Metáforas para reencantar a Educação”.

Na avaliação do teólogo Jung Mo Sung, coordenador do curso de Pós Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, Assmann foi um dos primeiros e principais teólogos da libertação “que percebeu que os capitalistas e os seus ideólogos tinham uma grande capacidade de manipular a dimensão simbólica do ser humano e os mitos mais profundos da sociedade”. Junto com o colega Franz Hinkelammert, que conheceu na Costa Rica, Assmann escreveu o livro “A idolatria do mercado”.

“Na verdade, ele foi mais do que teólogo, foi um pensador que se guiou pelo seu compromisso pessoal - existencial e espiritual – com pessoas oprimidas e excluídas das condições dignas de vida e se utilizou e dialogou com as mais diversas áreas do saber para desenvolver idéias sempre profundas, crítica e provocantes”, relatou seu aluno, discípulo e amigo, com quem conviveu por mais de 20 anos, Jung Mo Sung.

O teólogo católico viveu exilado, durante anos da ditadura militar brasileira, no Uruguai, no Chile e na Costa Rica, onde fundou o Departamento Ecumênico de Investigação (DEI). Ao regressar dos exílios, em 1981, foi admitido como professor na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), na qual trabalhou durante 24 anos, até 2005. Ele orientou 41 dissertações de mestrado e dez teses de doutorado na área da Educação, com ênfase em Filosofia da Educação.

Lia, escrevia e falava fluentemente alemão, espanhol, francês, italiano e português, além de dominar as línguas latina e grega. Graduou-se em Filosofia pelo Seminário de São Leopoldo, e em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, na qual também buscou o doutorado. Cursou, ainda, Sociologia, na Universität Johann-Wolfgang Goethe, em Frankfurt am Main, Alemanha.

“Ele viveu a vida de uma forma apaixonada, com emoções fortes em todos os sentidos”, destacou Mo Sung no artigo que escreveu em homenagem ao mestre e amigo. Um texto elaborado em 1973, para o livro “Teologia desde la práxis de liberación”, Assmann mostra o seu compromisso, que permanece atual, na avaliação de Mo Sung. Escreveu Assmann:

- Se a situação histórica de dependência e dominação de dois terços da humanidade, com seus 30 milhões anuais de mortos de fome e desnutrição, não se converte no ponto de partida de qualquer teologia cristã hoje, mesmo nos países ricos e dominadores, a teologia não poderá situar e concretizar historicamente seus temas fundamentais. Suas perguntas não serão perguntas reais. Passarão ao lado do homem real.

(Notícia extraída do Site da Igreja Metodista - ver: http://www.metodista.org.br/index.jsp?conteudo=6105)

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