22 dezembro, 2007

Roberto de Nóbili - um jesuíta que por volta de 1605 ousou viver um cristianismo que se fez indiano com o povo da Índia

(texto extraído do capítulo 6 do livro "Começando de Jerusalém", escrito por John Foster e publicado em português em 1961 pela Imprensa Metodista que narra de forma suscinta e intrigante o avanço missionário e a expansão cristã através de dezessete séculos, começando justamente de Jerusalém).

Em 1605, Roberto de Nóbili, jesuíta de descendência italiana aristocrática, sobrinho de um dos mais famosos car­deais, chegou em Madura, no sul da Índia, centro da cul­tura hindu tâmil. Ficou desgostoso ao ouvir os cristãos apelidados de "Ferengi", ou seja, europeus, e ao encontrar pouca gente, e assim mesmo pária, forçada completamente a ficar do lado cristão, ou mesmo comprada para isso.

“O cristianismo precisa tornar-se indiano, e precisa conquistar os brâmanes, se quiser ganhar a Índia”. Assim sendo, propôs-se ele mesmo tornar-se um santo nos termos da vida indiana.

Abandonou todos os costumes europeus e vestia-se, comia, vivia e se parecia um indiano. Ainda mais ri­goroso, abandonou a língua italiana pela tâmil. E desse modo tornou-se o primeiro europeu a pesquisar a literatura sanscrítica. Ele próprio descreve a sua obra:
“Logo que dominei a língua dei início a discussões, tanto públicas quanto particulares — muitas vezes com brâma­nes, que são os letrados desta terra. Neste ano (1609) cinqüenta se converteram, e este é o capital tanto no que tange à erudição quanto à política, e assim a conversão é mais difícil aqui do que em qualquer outro lugar.”

Desde logo a Missão de Madura estava contando 1.000 convertidos por ano, embora apenas um número insignifi­cante de brâmanes. Alguns, ganhos com excessiva facili­dade, facilmente se foram. Muitos consideravam essa po­lítica um compromisso com o paganismo, até que uma de­cisão favorável de Roma, em 1623, silenciou tais acusações.

Depois do falecimento de Nóbili (1656) novamente se for­mou a tempestade. A longa controvérsia, conhecida como "os Ritos de Malabar", continuaram até 1744, quando Roma limitou estritamente a adoção de costumes indianos.

Se a Missão de Madura tivesse a tendência de tornar o cristianismo excessivamente indiano, antes de Nóbili, cer­tamente teria sido muito mais português. Poucos missio­nários quiçá poderiam ter-se entregues a si mesmos, mais completamente a um país que não o seu próprio, ou ter exemplificado mais plenamente as palavras de São Paulo: "Não pregamos a nós mesmos".
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Este livro pode ser lido integralmente no site da Igreja Metodista de Vila Isabel.

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